terça-feira, 26 de maio de 2009

I, Geek

a vingança dos nerds

Segunda-feira foi comemorado (?) o Dia Mundial do orgulho Geek, que no Brasil chamamos de Nerd. Há uma sutil diferença entre um termo e outro no original em inglês, mas aqui adotamos o segundo principalmente por causa do filme “A Vingança dos Nerds”, de 1984, um dos hits da Sessão da Tarde. O termo associou-se aos CDFs que não tinham vida social e eram tiranizados pelos caras populares, como os brutamentes astros do esporte no colégio.

Ironicamente, nessa mesma época já estava em pleno curso a revolução geek, em que sujeitos como Steven Spielberg, George Lucas, Steve Jobs, Bill Gates, entre as estrelas mais fulgurantes, começavam a dominar o mundo. Ao mesmo tempo, as histórias em quadrinhos estavam chegando ao ápice criativo que faria com que 20 anos depois o cinema se curvasse à linguagem até então subestimada da Nona Arte, as Sagradas Escrituras dos Nerds.

Os anos 90 viram a popularização da informática e da Internet, e aqueles caras esquisitos do colégio passaram a ter um propósito: dominar tudo o que se referia a computadores e o mundo virtual. Os demais habitantes do planeta, especialmente aqueles que até então mandavam, passaram a ficar preocupados. Durante a década, filmes passaram a retratar os novos magnatas tecnológicos como vilões em filmes como “A Rede” (1995), “Hackers – Piratas de Computador” (1995) e “007 – O Amanhã Nunca Morre” (1997). O próprio Bill Gates foi retratado como um oportunista sem escrúpulos em “Piratas do Vale do Silício” (1999), competindo contra um idealista Steve Jobs (interpretado por Noah Wyle, de “ER”).

Mas a verdadeira Nêmesis de Jobs não foi Gates, mas John Sculley, um executivo colarinho branco que o próprio fundador da Apple tirou da Pepsi para tornar sua empresa uma potência. Foi o verdadeiro duelo entre a filosofia gerencial americana tradicional contra a nova mentalidade trazida pelos geeks ao mundo dos négócios. O primeiro round foi vencido por Sculley, que tirou o cara que o contratou da empresa que criou nos fundos de uma garagem. Mas não demorou muito para o próprio Sculley sair da Apple, depois de quase falir a empresa. Enquanto o executivo que fez a Pepsi vender mais que a Coca-Cola nos EUA entrou para a política e em alguns negócios menos visíveis; logo que saiu da Apple, Jobs pagou US$ 10 milhões pela divisão de animação digital da Lucas Film, uma brincadeira chamada Pixar que só dava despesa. O que aconteceu a partir de “Toy Story”, em 1995, é história, e a poderosa Disney se rendeu à união de alta tecnologia com ótimos roteiros que a Pixar criou.

Em 1996, a Apple comprou a NeXT que Jobs fundou ao ser demitido por Sculley e o criador se reencontra com a criatura. Logo o fundador da empresa da maçã reassumiu assumiu a chefia começou a retomar a vanguarda perdida, lançando produtos como o iMac, o iPod e o iPhone. Virou ícone pop e ídolo de milhões de geeks, que apontariam incontinenti para ele caso fossem abordados por ETs com a clássica frase “leve-me ao seu líder”. Porque se Setve Jobs não foi um inventor como Thomas Alva Edson, soube entender como ninguém as implicações do que seu amigo e xará Wozniak fez ao montar um computador na garagem de casa. Os colarinhos brancos da IBM não achavam que as pessoas iriam querer um computador em casa. Também foi Jobs que viabilizou as janelas no Mac, e que depois batizariam o sistema operacional do concorrente Microsoft.

A frase com que convenceu Sculley a ir para a Apple resume sua visão dos negócios: “Você quer passar o resto da vida vendendo água açucartada para crianças ou quer ter a chance de mudar o mundo?”

steve_jobs

A tragédia de Jaguariúna

Passado algum tempo da tragédia da madrugada de sexta para sábado em Jaguariúna, e entre dúvidas sobre a responsabilidade, algumas coisas me parecem certas.
Em primeiro lugar, não restava às autoridades oura saída que não o cancelamento dos shows de sábado e domingo. Na verdade, a iniciativa deveria ter partido da organização, uma vez que é inconcebível quatro mortes brutais dentro do recinto do segundo maior rodeio do Brasil (acho que Jaguariúna compete cabeça a cabeça com Americana, mas deixa pra lá). O show tem que continuar e as bilheterias têm que faturar independentemente da "fatalidade"? O público realmente ia passar pelo mesmo local em que aconteceu a tragédia pensando apenas em se divertir? O católico Roberto Carlos ia simplesmente cantar "Nossa Senhora" em memória dos jovens pisoteados?

Em segundo lugar, não é a primeira vez que tumultos acontecem em recintos de rodeio. Lembro-me pelo menos de um tiroteio em Americana em que estavam alguns amigos meus e da muvuca na época da Faici, quando houve um show de Sandy e Junior de graça, e fui carregado pela turba tal qual uma canoa à deriva no mar. Nas duas ocasiões, não houve vítimas fatais por pura sorte. Agora, a sorte acabou. O modelo e desenho dos rodeios-shows - cada vez mais lotados - precisam ser revistos, assim como a forma de garantir a segurança. Parece que havia até o ano passado algum tipo de convênio da organização com a Polícia Militar, que de alguma forma não foi renovado este ano. Mas Eliana Belo, em comentário em post anterior, tem razão: é preciso repensar a quem cabe fazer a segurança interna em eventos privados. Tirar policiais das ruas para trabalhar em jogos de futebol e e rodeios-shows parece ter virado algo tão comum que ninguém repara, mas não é para isso que nós, contribuintes, pagamos seus salários. Quem está faturando que arque com as despesas e não a sociedade como um todo.

Em terceiro lugar, já tem gente pegando carona no tragédia e falando em acabar com os rodeios. Também não sou adepto do "segura peão", mas não é por aí. O que é urgente e já atrasado são providências para que as festas de peão não se preocupem apenas em ganhar dinheiro, mas também em pensar no conforto e segurança de seus clientes, frequentemente tratados como gado.

domingo, 24 de maio de 2009

Nota oficial

"COMUNICADO OFICIAL RODEIO DE JAGUARIÚNA

A ORGANIZAÇÃO DO JGUARIÚNA RODEO FESTIVAL VEM, POR MEIO DESTE, INFORMAR QUE ESTÁ EM NEGOCIAÇÃO JUNTO AOS ARTISTAS, PARA UMA NOVA DATA DE REALIZAÇÃO DOS SHOWS QUE ACONTECERIAM NOS DIAS 23 E 24 DE MAIO. AMANHÃ, DIA 25 DE MAIO, O DEPARTAMENTO JURÍDICO DO EVENTO TEM UMA REUNIÃO COM OS ÓRGÃOS COMPETENTES PARA REVER AS DATAS.

A PARTIR DE AMANHÃ, DIA 25 DE MAIO, NA PARTE DA TARDE, AS PESSOAS INTERESSADAS EM OBTER INFORMAÇÕES SOBRE A TROCA DE INGRESSOS OU NOVA DATA PARA OS SHOWS, DEVEM ENTRAR EM CONTATO COM O CALLCENTER DO EVENTO (19) 3867-7000, OU PELO SITE OFICIAL: www.rodeiodejaguariuna.com.br."

sábado, 23 de maio de 2009

Jaguariúna Rodeo Festival cancelado, incluindo show de Roberto Carlos


As atividades do Jaguariúna Rodeo Festival, incluindo os shows da dupla Victor & Léo neste sábado e de Roberto Carlos no domingo (24), foram canceladas pela Justiça. A ordem de proibição das atividades foi expedida pelo juiz Fabrício Reali Zia, da Justiça de Amparo, no início da tarde deste sábado (23) e atendendo a pedido do Ministério Público. A decisão de Zia está fundamentada no artigo 144 da Constituição Federal: “A segurança pública é dever do estado”, cita o juiz na ordem. Dessa maneira, de forma preventiva, o juiz entendeu prudente determinar o cancelamento das apresentações.

A organização do evento ainda não se pronunciou sobre a decisão judicial, o que deve fazer ainda hoje. A organização também vai anunciar as medidas quanto aos ingressos já vendidos e os shows cancelados.

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Em Cartaz

uma noite no museu 2

 

Chegam ao Multiplex Topázio esta semana “Um Noite no Museu 2”, em lançamento mundial, e “Delírios de Consumo de Becky Bloom”. O primeiro é a continuação do megassucesso de 2006 e o segundo uma comédia baseada no best-seller de Sophie Kinsella.

Franquias têm sido a resposta de Hollywood à queda nas bilheterias nos últimos anos. Um filme é um investimento enorme que se der errado, é um prejuízo considerável. Por outro lado, uma fórmula consagrada é uma garantia de retorno da grana aplicada. Simples assim.

O ex-vigia e hoje empresário de sucesso Larry Daley parece ter resolvido todos os seus problemas: ficou rico e agora seu filho o admira. Mas como nada é perfeito, ele descobre que o Museu de Nova York vai passar por uma reforma, substituindo seus amigos de cera por holografias. Assim, o ex-presidente Teddy Roosevelt, a índia Sacajawea, os cowboy e o romano em miniatura Jedediah Smith e Octavius vão para um depósito no Museu Smithsonian, o maior do mundo. Sentindo-se culpado por não ter mais visitado a turma que mudou sua vida na aventura anterior, Larry vai a Washington, onde fica o Instituto Smithsonian, para adquirir seus companheiros. Ele acaba recebendo um crachá de vigia e descobrindo eu um faraó malévolo, aliado a Ivan, o Terrível; Napoleão Bonaparte e Al Capone, deseja tomar a placa que dá vida às estátuas e animais empalhados para despertar seu exército e conquistar o mundo.

“Uma Noite no Museu 2” é a seqüência natural de um grande sucesso, e nesse caso o diretor Shawn Levy (“A Pantera Cor de Rosa”), os roteiristas Robert Ben Grant e Thomas Lemmon, o astro principal Ben Stiller e os coadjuvantes Robin Williams, Owen Wilson e Syeve Coogan voltaram a se reunir para este novo trabalho.

A novidade fica por conta de Amy Adams, que começou a chamar a atenção no divertido “Encantada” e depois integrou o extraordinário elenco de “Dúvida”, recebendo uma indicação ao Oscar por esta atuação. Ela substitui Carla Gugino como interesse romântico do ex-vigia Stiller como a aviadora Amelia Earheart, heroína americana e feminista antes do termo ter sido inventado. As resenhas têm elogiado a moça como a melhor coisa do filme, além dos efeitos especiais de sempre.

Outros atores que se juntam ao elenco são Hank Azaria (“Godzilla” e “Quero ficar com Polly”) como o faraó Kahmunrah, e o francês Allain Chabat (de “O Gosto dos Outros”) como Napoleão.

Consumismo em tempos de crise

delirios de consumo de becky bloom

Existe um bom motivo para conferir “Delírios de Consumo de Becky Bloom”: o diretor australiano P.J. Hogan. Cineasta bissexto, ele se revelou ao mundo em 1994 com “O Casamento de Muriel”, que revelou duas ótimas atrizes, a na época gordinha Toni Collette (a mãe de “O Sexto Sentido”) e Rachel Griffths (das séries “A Sete Palmos” e “Brothers and Sisters”). Três anos depois, reconduziu Julia Roberts à condição de maior estrela de Hollywood com “O Casamento do Meu Melhor Amigo”, revelando, de quebra a veia cômica de Cameron Diaz. Ficou cinco anos sem filmar, fez o fraco “Amor à Toda Prova” e, em seguida, o belo “Peter Pan”. Seis anos depois ele retorna com essa comédia baseada em um best-seller e que ficou oito anos esperando para ir para telona.

Rebecca é uma jovem jornalista recém-formada que adora moda e compras, não necessariamente nesta ordem. Acaba quebrada e sem emprego até que se candidata a uma vaga em uma revista de finanças e ganha o cargo. Lá conhece Brandon, seu editor, que se encanta com ela e a ajuda no novo emprego, que é justamente dar dicas de economia, coisa que ela não sabe fazer em sua própria vida.

Parece uma mistura de “O Diabo veste Prada” (a inimiga de Rebecca é uma jornalista de moda alta e loira vivida por Leslie Bibb, de “Homem de Ferro”) com “Legalmente Loira”. Mas o trunfo é novamente a atriz principal Isla Fisher, em seu primeiro trabalho como protagonista. Ela divide a cena com um bom elenco formado por Hugh Dancy (“Sangue e Chocolate”), Krysten Ritter (“Jogo de Amor em Las Vegas”), John Goodman (“Speed Racer”), John Lithgow (da série “3rth Rock form the Sun”), Kristin Scott-Thomas (“O Paciente Inglês”) e Joan Cusak (“Será que ele é?”).

Primeira filha


Nasceu ontem Laura, filha do prefeito Reinaldo Nogueira com Cristiane Correia, às 13h45, com 3, 370 kg e 47 cm.

Resta saber se as lembrancinhas da recém-nascida trarão recados para que os visitantes não se esqueçam do titio Rogério Nogueira e de seu ex-colega de motociclismo Nuno Narezzi nas próximas eleições...

Morre Zé Rodrix (Folha on Line)


O cantor e compositor Zé Rodrix, 61, morreu na madrugada desta sexta-feira (22), em São Paulo. O músico deixa mulher, seis filhos e dois netos.
Zé Rodrix ganhou destaque na música durante a década de 70, ao lado de Sá e Guarabyra
De acordo com informações do "Bom Dia São Paulo", o músico se sentiu mal e foi levado às pressas ao Hospital das Clínicas, onde morreu.
A assessoria de imprensa do hospital afirma que o músico deu entrada às 0h30 e morreu às 0h45. A causa da morte ainda não foi informada.
Rodrix, cujo nome de batismo é José Rodrigues Trindade, apareceu para o grande público em 1967, em um festival da Record.
Sua carreira ganhou destaque nos anos 70, quando trabalhou com o grupo Som Imaginário --banda criada para acompanhar uma turnê de Milton Nascimento-- e ao lado dos músicos Sá e Guarabyra. Entre suas canções mais famosas estão "Casa no Campo", famosa na voz de Elis Regina, "Mestre Jonas" e "Soy Latino Americano".
Nas décadas de 80 e 90, Rodrix abandonou a carreira musical para se dedicar à publicidade.
Em 2001, voltou a se reunir com os companheiros Sá e Guarabira para uma apresentação do "Rock in Rio". No mesmo ano, o trio lançou um DVD ao vivo, reunindo seus maiores sucessos: "Sá, Rodrix & Guarabyra: Outra Vez Na Estrada - Ao Vivo".

***

Quem era vivo nos anos 70 certamente se lembra do figura cantando "Soy latinonamoericano, e nunca me engano...", mas seu hit imortal foi na voz de Elis Regina: "Eu quero uma casa no caaampo..." que embalou os sonhos dos bichos-grilos da época. Foi parceiro de Sá e Guarabira, outros ícones de feira hippie, mas acabou fazendo o que seus fãs odiavam: carreira na publicidade.

Participou de momentos importantes da música brasileira, primeiro no Momento Quatro, acompanhando Edu Lobo e Marília Medalha em "Ponteio", música que ganhou o lendário Festival da MPB de 1967, concorrendo contra "Roda Viva" do Chico, "Alegria, Alegria" do Caetano e "Domingo no Parque" do Gil). Depois integrou o Som Imaginário, que acompanhava o jovem Milton Nascimento e logo montou o Sá, Rodrix e Guarabira, com clássicos ripongas "Mestre Jonas" e "O Pó da Estrada". Na carreira solo explodiu com "Soy Lationamericano", que chegou a desbancar Roberto Carlos das paradas. Nos anos 80 participou do grupo punk-gozador Joelho de Porco ao lado do aamigo e sócio Tico Terpins, do argentino Billy Bond, do gordo Próspero Albanese e do fotógrafo David Drew Zing, mas sua atividade principal na época era a publicidade.

Inteligente e irreverente, ao ver que o mercado não estava pra peixe no ínício dos anos 80, montou sua empresa de jingles e e lá fez alguns "clássicos" da publicidade, como a música para um comercial da GM entre outros. Após a morte do sócio Tico Terpins, fechou sua empresa Voz do Brasil e acabou reencontrando seu passado no Rock'n Rio 2001, com Sá e Guarabira. De lá para cá o trio retomou o pó da estrada, reunindo uma platéia de velhos fãs, seus filhos que ouviram falar deles e os netos que não faziam a menor idéia de quem eram aqueles três senhores tocando rock rural. É uma perda que surpreende e entristece, porque há cada vez menos vida inteligente na música pop.

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Anhanguera está com inscrições abertas para o Vestibular de Inverno 2009

A Anhanguera está com inscrições abertas para o Vestibular de Inverno 2009. Relação de cursos, calendário de provas, ficha de inscrição e o edital estão disponíveis no site www.vestibulares.br.

A prova do Vestibular de Inverno será promovida no dia 7 de junho, às 9h30, mas os candidatos poderão optar pelas provas agendadas entre os dias 15 de junho e 31 de julho. O período de inscrições vai até o dia 30 de julho. A taxa de inscrição é de R$ 25.

Aqueles que optarem por substituir a prova objetiva e a redação pela nota do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) devem entregar o comprovante legal das notas no ato da inscrição. Os pontos considerados serão os obtidos na parte objetiva e na redação do exame, de acordo com o edital do processo seletivo.

Em Indaiatuba serão oferecidos os seguintes cursos: Administração, Ciência da Computação, Ciências Contábeis, Enfermagem, Fisioterapia, Letras (Habilitação em Português e Inglês), Pedagogia e Serviço Social.

Além dos cursos de bacharelado e licenciatura, a Anhanguera oferece a opção dos cursos superiores de graduação em tecnologia, que têm duração reduzida entre dois ou três anos. São eles: Gestão de Recursos Humanos, Logística e Marketing.

Os cursos da Anhanguera são realizados no modelo presencial pleno ou semi-presencial e o aluno pode optar por estudar no período noturno ou em horários especiais, com aulas em dois ou três períodos na semana, com as opções as sextas à noite e aos sábados de manhã ou à tarde, ou ainda somente aos sábados, em período integral.

O francês que inventou a MPB


Acompanhando a história da música popular brasileira moderna (pós-Bossa Nova), esbarramos constantemente com o nome de André Midani. Sírio-francês que desembarcou no Brsil nos anos 50, por meio de Ruy Castro em "Chega de Saudade" ficamos sabendo de sua importante participação na criação da Bossa Nova, como executivo da Odeon que "bancou" João Giberto e, mais tarde, como presidente da Philips no Brasil, que abrigava a creme-de-la-creme da MPB entre o final dos anos 60 e início dos 70. Quem quer que tenha colecionado os velhos LP vai perceber a quantidade de clássicos que ostentavam no centro o selo azul da gravadora holandesa: os grandes discos de Chico Buarque, do quarto até "Vida"; todos os Caetanos e Gils antes e depois do exilio, toda Bethânia a partir de "Drama", toda Elis, Gal, Tim Maia, Jorge Ben etc, a ponto dele pagar uma página dupla de Manchete - revista que foi uma mistura de Veja com Caras - com todos seus contratados com a legenda: "Só falta o Roberto" Sim, porque até Erasmo Carlos era da Philips.
Num terceiro momento, já na Warner e amargando prejuízos com a crise econômica do inícios dos anos 80, ele se "descobre" o rock nacional contratando Kid Abelha, Ultraje a Rigor, Titãs, Barão Vermelho, a ponto do Rock'n Rio 1 ter como metade das atrações - entre brazucas e gringos - contratados da gravadora.
Graças ao que realizou no Brasil,Midani acabou se tornando um dos mais poderosos executivos da indústria fonográfica no mundo e recentemente foi nomeado pelo ministro e seu ex-contratado Gilberto Gil como comissário-geral do ano Brasil na França em 2005.

Sempre desconfiei que, se a MPB é o que é - ou foi o que foi - mutito se deve à Midani e o modo comos e relacionava com o principal ativo de uma gravadora: os artistas. Essa história de sucesso é contada pelo seu protagonista em "André Midani - Música, Ídolos e Poder", lançado no segundo semestre do ano passado pela Nova Fronteira, e que li em uma noite, de ontem para hoje.
Nessa livro de memórias, descobrimos que Midani não testemunhou apenas o nascimento da Bossa Nova e a profissionalização, apogeu e decadência da indústria fonográfica; como também o desembarque dos Aliados na Normandia.
A trajetória profissional do autor acompanha a evolução do negócio dos discos do ponto em que ele chegou, ainda na França, como um empreendimento de apaixonados pela música, passando pela modernização nos anos 60 e 70 até chegar à mercantilização total e que já anunciava a decadência da indústria assolada pela pirataria e pela falta de visão dos tecnocratas, poucos anos depois. Tudo entrecortado por incríveis histórias de como a MPB e alguns de seus discos memoráveis foram sendo criadas.
É um livro indispensável para quem quer compreender como nossa música popular se tornou um artigo de exportação tão valioso quanto o futebol - ao menos na Europa e Japão - e porque hoje nossos ouvidos são assaltados pela mediocridade generalizada.