Futebol, mulher, cinema, música, política e outros assuntos de botequim.
terça-feira, 28 de dezembro de 2010
Woody Allen e o destino
O tema retorna em "Você vai conhecer o homem de seus sonhos", seu mais recente trabalho, em cartaz no Multiplex Topázio (mas, provavelmente, só até quinta), que infelizmente não foi tão bem recebido quanto o anterior, "Tudo pode dar certo". O clima parece mais com "Match Point", embora não envolva necessariamente um homicídio, e as esperanças e frustrações são criadas a partir de idealizações dos personagens em relação à vida e ao amor, como em "O Sonho de Cassandra", outro trabalho sombrio dessa fase recente. Alguns manipulam, outros são manipulados mas todos se iludem. Na subtrama do escritor frustrado, revemos citação de "Um Lugar ao Sol" que vem se repetindo em Allen. Em "Match Point", Jonhathan Rhys-Meyers reproduz o arrivista de Montgomery Clift do filme de George Stevens, que se livra da amante para manter o casamento de interesse, com a diferença que se dá bem. Em "Scoop", Hugh Jackman tenta matar Scarlett Johansson do mesmo jeito que Clift se livra de Shelley Winters, mas comete um engano de informação. Aqui, Josh Brolin, demonstrando grande versatilidade, também comete um crime para ficar com o best-seller e a garota bonita, mas um erro de informação o mantém em suspense. No placar dos trapaceiros de Allen, uma vitória, uma derrota e um empate. O acaso decide.
"Você vai conhecer os homem dos seus sonhos" mostra uma curiosa maturidade do diretor na terceira idade, em que ele não hesista em ridicularizar velhos sátiros (o próprio Allen é casado com a ex-enteada, como todo mudo sabe) na figura de um Anthony Hopkins patético (não na atuação) em sua busca pela juventude. Naomi Watts tem os melhores momentos de interpretação do filme, nas cenas da tensão sexual no carro (brilhantemente conduzida pelo diretor), da revelação da amiga e no confronto final com a mãe. A personagem da mãe é conduzido com a habitual competencia britânica pela veterana Gemma Jones, que flana pela história alheia aos dramas dos demais personagens, iludida pela vidente vivida por Pauline Collins (a Shirley Valentine do filme de 1989). Como a devota idosa do conto de Voltaire, "A Velha e o Brâmane", ela acaba feliz sendo estúpida.
sexta-feira, 17 de dezembro de 2010
A morte de Blake Edwards
Em que pese sua longevidade, Edwards não filmava desde 1993, merce do mercado americano que impede que um diretor com certa idade exerça sua profissão por causa do seguro. E pior, seu canto de cisne foi a frustrada tentativa de ressuscitar o grande personagem que criou junto com Peter Sellers, o inspetor Closeau, na figura de um suposto filho, interpretado pelo futuramente famoso Roberto Benigni (é difícil perdoar o cineasta por isso).
Seu primeiro sucesso foi a divertida comédia passada na guerra, Anáguas a bordo, de 1959, com Cary Grant e Tony Curtis, que deu origem a uma série de TV. É o início de uma grande fase, que prossegue com Bonequinha de Luxo (1961), que como disse Inácio de Araújo, é o filme mais leve a tratar de prostituição; Vício Maldito (1962), com Jack Lemmon e Lee Remick vivendo um casal de alcoólatras; e, finalmente, em 1963, A Pantera Cor de Rosa. Em A Vida e Morte de Peter Sellers (2004) há uma visão da criação de Closeau que lembra muito como Robert Downey Jr. chega a Carlitos em Chaplin. De fato, o personagem era secundário na trama e era para ser apenas um policial pomposo e idiota. O formato final do inspetor seria dado apenas em Um Tiro no Escuro, lançado no ano seguinte.A Corrida do Século, de 1965, não fez o sucesso que se esperava, apesar de ser genial.
Segue-se um fase de maus resultados nas bilheterias, apesar de Um Convidado bem Trapalhão, de 1968, hoje um cult movie, que não fez muito sucesso na época. É quando ele convence Peter Sellers a voltar a usar a capa e o chapeuzinho de Closeau em A Volta da Pantera Cor de Rosa, onze anos depois de Um Tiro no Escuro. Seguem-se A Nova Transa da Pantera Cor de Rosa (de 1976, para mim, a mais divertida) e A Vingança da Pantera Cor de Rosa (1978), que foi a despedida de Sellers do papel que o marcou, já que ele morreu em 1980. Edwards fez mais tres filmes importantes, Mulher Nota 10 (1979), que transformou Bo Derek num dos sex symbols da época, S.O.B. (1981), abreviação de Son of a Bitch, um acerto de contas com a indústria, e Victor ou Victória (1982) comédia musical que resgatou a sua carreira e a de sua mulher Julie Andrews, e que até hoje é sucesso quando remontada nos palcos.
Depois disso seguiram-se tentativas patéticas de faturar com o cadáver do Inspetor Closeau e alguns filmes rotineiros que não faziam jus á sua antiga forma. Em todo o caso, sua obra como um todo é um das mais divertidas da história de Hollywood.
quarta-feira, 15 de dezembro de 2010
Esse falou tudo!
Há uma diferença fundamental entre a Seleção do Uruguai, que venceu a do Brasil na final da Copa de 1950 no Maracanã por 2 a 1 - de virada - e o Mazembe, desconhecida equipe do Congo que derrotou o Internacional ontem pelo Mundial da Fifa de Abu Dhabi: a equipe de Obdulio Varela e Gigghia jogava muito bem.
O Brasil chorou o "Maracanaço" e por 60 anos ninguém conheceu uma derrota mais vergonhosa. Desde ontem a façanha pertence à equipe gaúcha do Internacional, que sofreu 2 a 0 de um time ingênuo, amador, fraco, e com isso fica de fora da final do Mundial Interclubes, frustrando 10 mil torcedores que estão nos Emirados Árabes (média de US$ 5 mil gastos por cada um), 100 mil sócios e cerca de 4 milhões de colorados. O Mazembe não tem futebol para disputar a terceira divisão do Maranhão. Seria páreo duro para o pernambucano Ibis, considerado o pior time do mundo. Mas ganhou de um Inter nervoso, apagado, que só pensava na eventual final contra a Inter de Milão. Nunca houve vexame maior na história do futebol brasileiro.
Desde que o Inter ganhou a Libertadores da América, em agosto, o treinador da equipe, Celso Roth, só pensava na partida do próximo sábado. Foi aos poucos abandonando o Brasileirão e nem se preocupou com os sinais de que as coisas não andavam bem. Enquanto perdia para o quase rebaixado Avaí e empatava com o rebaixado Vitória - em casa - o treinador desdenhava os erros. Dizia apenas "nosso futebol está guardado para Abu Dhabi". Ficou tão bem guardado que ninguém encontrou.
A derrota faz parte do futebol. Há dois anos o Flamengo levou 3 a 0 do América do México no Maracanã. Uma vergonha. O Fluminense levou 4 a 1 da LDU. Um desastre. O Brasil foi eliminado da Copa da África pela Holanda e quatro anos antes, na Alemanha, pela França. Desilusão. Mas esses adversários têm tradição, qualidade, mesmo que tenham surpreendido o Brasil.
Levar 2 a 0 do desconhecido Mazembe será motivo de piada eterna para os colorados. A torcida do tradicional rival - Grêmio - vai confeccionar uma faixa com o nome da equipe do Congo para exibir em todos os clássicos Gre-Nal daqui para a frente. Até porque o Inter tem no currículo uma conquista de Mundial (2006) e agora, na melhor das hipóteses, um terceiro lugar. O Grêmio tem um Mundial (1983) e um vice.
Foram 90 minutos de terror. Uma equipe de jogadores experientes contra um bando de corredores, sem disciplina tática, mas que encontrou dois gols.
Trata-se do maior vexame da história do mágico futebol brasileiro. Só que a mágica, dessa vez, quebrou a varinha do professor Roth.
terça-feira, 14 de dezembro de 2010
Vexame colorado
Deméritos totais ao técnico Celso Roth, que além de não ter sabido montar o time, não conseguiu ler o jogo, como ficou demonstrado nas substituições que fez. Tirar o Rafael Sobis - responsável por quase todas as finalizações da equipe apesar de estar posicionado longe da área - para manter dois volantes num jogo em que o adversário fez os gols em ligações diretas da defesa com o ataque (e, diga-se de passagem, com falha de um dos volantes no segundo gol) é não ler direito o que estava acontecendo em campo. Com passagens por grandes clubes brasileiros, Roth nunca havia conquistado um título de peso até que a Libertadores lhe caiu no colo. É um burrocrata como ficou provado hoje. Lamentável para os cerca de 8 mil colorados que pagaram caro para assistir seu time ser bimundial e vão ter que se contentar com uma melancólica disputa de terceiro lugar. Que não será fácil também, diga-se de passagem.
terça-feira, 30 de novembro de 2010
Morreu Mario Monicelli
ROMA - O cineasta italiano Mario Monicelli, 95 anos, suicidou-se nesta segunda-feira (29), atirando-se da janela do hospital San Giovanni de Roma onde estava internado, anunciou agora à noite a agência Ansa.
Entre suas obras-primas, Monicelli deixa para a posteridade filmes como "O Incrível Exército de Brancaleone", "Quinteto Irreverente", "Meus Caros Amigos". Nasceu em 15 de maio de 1915 em Viareggio, na Itália.
Este brevíssimo obituário anunciou a morte de um dos ultimos sobreviventes da grande era do cinema italiano. Mario Monicelli era do segundo time daquela geração, mas só porque o primeiríssimo time era formado pelos genios Rosselini, Visconti, Antonioni, Fellini e Pasolini. Sua longuíssima carreira começa ainda nos anos 30 e chega até o século atual.
Após dirigir alguns veículos para o comediante Totó, faz seu primeiro sucesso internacional foi Os Eternos Desconhecidos (1958), iniciando fertilíssima parceria com o ator Vittorio Gassmann, que continuou em A Grande Guerra (1959), outro grande êxito.
No filme de episódios Bocaccio 70 (1962), moda na época, dividiu os créditos com Vitoria de Sica, Federico Fellini e Luchino Visconti, o que mostra seu prestígio na época. Seu filme seguinte, Os Companheiros (1963) foi um cult-movie das esquerdas, estrelado pelo grande Marcello Mastroianni, com quem filmou ainda o divertido Casanova 70 (1965).
Finalmente, em 1968, filma o que talvez seja sua comédia mais lembrada, O Incrível Exército de Brancaleone, com Vittorio Gassmann investido como uma imitação de Don Quixote que se mete nas mais desastrosas aventuras na Idade Média. Teve uma sequencia não tão boa, Brancaleone nas Cruzadas (1970).
Meus caros Amigos (1975) é um caso raro em que a sequencia, Quinteto Irreverente (1982), é melhor que o original, tanto é que o segundo ficou mais de um ano em cartaz em São Paulo, fazendo com que o primeiro fosse relançado em razão do sucesso da continuação.
Outro filme de episódios, Os Novos Monstros (1977), faz com que divida os créditos com Ettore Scola e Dino Risi, cineastas com quem tem muitos pontos em comum.
Em 1985 faz a versão cinematográfica da pela de Pirandello, As Duas Vidas de Matia Pascal, com Mastroianni, mas é no ano seguinte que faz um de seus mais belos trabalhos da maturidade, Tomara que seja mulher, com um elenco estelar formado por Catherine Deneuve, Liv ullman, Steffania Sandrelli, Philippe Noiret, Bertrand Blier e Giulianno Gemma.
Em 1992 já é um dos diretores mais velhos em atividade no mundo, quando emplaca Parente é Serpente, em que sintetiza sua visão da humanidade e do mundo no final do século pasado, e ela não é nada bonita
Sua obra em longa de ficção se encerra com A Rosa do Deserto, de 2006.
segunda-feira, 29 de novembro de 2010
Isso é que é futebol, não aquilo que eu tenho em casa
O Barcerlona acaba de destroçar o Real Madrid por 5 a 0, no jogo mais esperado após a Copa do Mundo. O Barça é o Barça faz tempo, com o melhor do mundo Lionel Messi e o meio campo campeão do mundo formado por Iniesta e Xavi. O Real de Cristiano Ronaldo vem reforçado pelo supertécnico José Mourinho - aquele que o Luxxemburgo queria ser quando crescer - e pelas grandes revelçaões da Copa da África, os alemães Khedira e Ozil.
Esperava-se umduelo equilibrado, já que o Real era o líder invicto do Espanhol, seguido de perto pela equipe catalã, mas não foi o que se viu em campo. O perfeito poscionamento tático imposto por Mourinho em todos os seus times não conseguiu se equiparar com o toque de bola envolvente que levou a Espanha ao seu pimeiro título mundial, acrescido do talento de Messi. O Real não viu a cor da bola e em menos de 20 minutos já tinha tomado dois gols, de Xavi e Pedro. Veio o seguno tempo e ao nove e aos 12 minutos, Messi deixou Davi Villa duas vezes na cara do gol para decretar a goleada. No finalzinho, o garoto Bojan tocou para o também menino Jeffren, ambos oriundos das categorias de base do Barça, para humilhar de vez o Real, que ainda por cima perdeu a cabeça e apelou para os pontapés, que resultou em vários amarelos e um vermelho para Ricardo Carvalho, por uma entrada criminosa em Messi.
Mas do que uma goleada, vimos um exemplo de como se joga futebol, sem ligação direta de defesa para ataque, sem jogador rifando a bola por não saber o que fazer com ela, com toque de bola e infiltrações, como se fazia aqui há não muito tempo.
Comparando, os jogos do Brasileirão deste final de semana pareciam partidas da Segunda Divisão do Campeonato Paulista, no qual o Primavera chafurda há várias temporadas.A falta de "catigoria" é assustadora, mesmo entre os tres times que disputam o título, a ponto do Corinthians depender de um ex-jogador em atividade, Ronaldo, e o Fluminense de um argentino que sequer é convocado para sua seleção nacional, Conca. Aqui, sáo craques porque o resto é resto. E já faz tempo que é assim. Ano passado, o Flamengo dependeu do emocionalmente desequilibrado Adriano e do sérvio veterano Petkovic. Anos atrás, Romário em fim de carreira foi artilheiro do campeonato. E afirmou que jogar aqui era melhor por que as defesas eram mais fracas.
Outro dia, no Bem, Amigos, comentaram que a garotada preferia ver os gols internaconais. É claro. Uma coisa é ver alguém fazem um gol bonito contra o Gremio Prudente, outra é ver o Barcelona destroçar o Real Madrid. A chamada garotada sabe onde está o futebol de verdade, enquanto os velhos ficam discutindo essa "beleza" de campeonato brasileiro, em que o menos ruim vencerá. Triste.
Uhú, U2 sem pista VIP!
U2 faz show em São Paulo no estádio do Morumbi em abril de 2011
Para a sorte dos fãs brasileiros, o show não terá pista Vip. Os ingressos para a pista comum saem por R$ 180.
A pré-venda para clientes dos cartões Citibank, incluindo os cartões Credicard e Diners, acontece nos dias 04 e 05 de dezembro de 2010 (sábado e domingo) e para o público em geral na terça-feira, dia 07 de dezembro de 2010.
Ingressos podem ser adquiridos pelo telefone 4003-0806 (válido para todo o País) e pelo site www.ticketsforfun.com.br. Membros do site oficial do U2 poderão obter ingressos antes da pré-venda para clientes Citibank.
U2 – 360° TOUR
Quando: 9/04/11 às 20h
Onde: Estádio do Morumbi
Quanto: de R$180 (pista) a R$380 (cadeira superior azul, vermelha, amareça e laranja)
sexta-feira, 26 de novembro de 2010
Tropa de Elite 3 já está em cartaz
Rio de Janeiro vive guerra contra o tráfico; ataques a veículos continuam
Do UOL NotíciasEm São Paulo
Ministério da Defesa libera envio de 800 militares do Exército para o Rio
O Globosegunda-feira, 22 de novembro de 2010
Beatles forever
O show dele no domingo (que infelizmente só vi na TV) mostra que a mítica dos Beatles sobrevive com ele. Aos 68 anos, sir Paul ainda mantém aquela jovialidade que contribuiu para gerar a beatlemania. Um fenômeno que não se restringe aos anos 60.
Mas o que exatamente os distinguia das muitas bandas que surgiram na mesma época na Inglaterra? Já me disseram que era a harmonia vocal dos quatro, outros atribuem ao modelo comportado criado por Brain Epstein (composto pelos cabelos pajem e terninhos) e tem até quem ache que era a batida do reconhecidamente limitado Ringo Starr é que fazia a diferença. Sejá lá qual era a mágica, ela parece funcionar até hoje, e levas de fãs se formam a cada geração.
Das músicas consideradas simples com letras tolas da primeira fase (e que mesmo assim fazem parte da memória coletiva da civlização ocidental), eles partiram para experimentações que só eram possíveis por que eles eram os Beatles. Fizeram o primeiro concerto de rock num estádio aberto (o Shea Stadium, em Nova York), a primeira distorção de guitarra feita em gravação em Day Tripper, introduziram a cítara no rock em Norwegian Wood, fizeram o primeiro lançamento de música transmitida via satélite para o mundo todo com All You Neede is Love, criaram o disco conceitual com Sgt. Peoples Lonely Hearts Club Band, usaram uma orquestra sinfônica só para fazer efeito em A Day in the Life, foram os primeiros gravar em oito canais e fizeram o primeiro heavy metal da história com Heler Skelter (quem diz não sou eu, mas Kid Vinil em seu Almanaque do Rock). Mesmo na pimeira fase “ingênua”, há quem considere She Loves You revolucionária por romper o estigma dos tres acordes que caracterizavam o rock até então, introduzindo acordes dissonantes de sexta maior e sétima maior, até então, possíveis apenas no jazz (!). Sem falar que a música dos Beatles sintetizou os anos 60, como é mostrado no filme Across the Universe.
Depois do fim, em 1970, todos tiveram carreiras importantes, especialmente Paul, do ponto de vista comerial, e Lennon, como polemista e ativista anti-guerra. Mas comparar os Beatles com o que cada um fez sozinho é comparar o que Pelé fez no Santos com sua passagem pelo Cosmos. Mas, da mesmoa forma que o Rei do Futebol é recebido com festa em todo o planeta; Paul McCarntey, a metade restante da dupla de compositores mais ouvida no mundo, ainda eletrifica todo o lugar em que ele se apresenta, mesmo a quilometros de distancia do palco, como se fosse uma energia residual de All These Years Ago.




