segunda-feira, 11 de maio de 2009

Relatório do fim de semana

Sábado fui cobrir a atração do Maio Musical meio como rotina. Era a Big Band Samjazz, do Conservatório de Tatuí, um dos grupos estáveis da instituição mantida pelo governo do Estado se São Paulo. Após a abertura com uma “Aquarela do Brasil” muito bem executada, eis que o diretor do grupo – Sérgio Oliveira, o Lagartixa – anuncia “Na Baixa do Sapateiro”, com solo do professor Hector Costita! Então uma das lendas do saxofone no Brasil vem a Indaiatuba sem avisar? O mestre argentino está velhinho mas ainda toca muito. Sem dúvida, elevou o patamar do grupo como um todo, que fez uma apresentação irretocável – para não dizer sensacional – sábado à noite no Ciaei.

Fiquei pensando na minha infância e adolescência passadas aqui quando ansiava pela cultura e conhecimento oferecidos por São Paulo. Quando iria pensar que um dia assistiria Wagner Tiso, Cesar Camargo Mariano, Roberto Sion, Nelson Ayres, o grupo Pau Brasil e, agora, Hector Costita em Indaiatuba e ainda por cima de graça?

Posso dizer que foi a apresentação musical que mais me deu prazer em meses e que, felizmente, contou com um bom público.

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enterprise

Ontem fui conferir o novo “Star Trek” na companhia do meu velho amigo Arabaci e de sua mulher Sonia, uma trekker de verdade. O veredito unânime foi “sensacional”. O diretor J.J. Abrahams conseguiu atualizar a franquia mas remetendo à série clássica por meio de citações divertidas. Mas mesmo sem elas – reconhecíveis apenas pelos aficcionados – o filme se sustenta muito bem, garantindo a diversão do que não conhecem ou até não gostam muito do “Jornada nas Estelas” original.

Estão ali o design original da Enterprise, os uniformes coloridos e os personagens principais muito próximos dos originais. Citações estão espalhadas por todo o roteiro (a partir de agora, quem não viu o filme e não quer saber de detalhes é melhor parar de ler): 1) O teste do Kobayashi Maru é citado em “Star Trek 2 - A Ira de Khan”, no qual Kirk conta sua proeza comendo uma maçã, como faz agora durante o exame; 2) a garota verde com quem Kirk tem um caso remete à versão escrava orioniana de Vina do piloto da série e à personagem de Yvonne Craig (a Batgirl da série “Batman”) em um episódio da terceira temporada; 2) o verme-da-verdade usado no capitão Pike remete ao bicho similar implantado em Checov em “Star Trek 2 – A Ira de Khan”, mas, como bem notou a doutora Sonia, pela boca o animal vai parar no sistema digestivo, enquanto no ouvido – como feito em Checov – sim, ele poderia ir ao sistema nervoso central; 3) o Spock do futuro mostra a Scotty a solução de um problema que ele inventaria daqui a algum tempo, numa alusão a “Star Trek IV – De Volta para Casa”, em que o engenheiro é criticado por repassar uma invenção do século XXIII a um fabricante do século XX e ele responde: “e quem disse que não foi ele que intentou?”; e 4) o capitão Spike termina a aventura numa cadeira de rodas, como no episódio duplo “Zoológico”, que usa imagens do episódio piloto como fatos ocorridos 13 anos antes de Kirk assumir a Enterprise.

Mas a brincadeira mais cruel talvez seja a da entrada de Uhura para a tripulação. Inicialmente escalada para outra nave, ela dá uma intimada em Spock, que a inclui na sua nave imediatamente. Não tenho dúvidas que é uma alusão á forma como Nichele Nichols – a Uhura original – entrou para o elenco da série: ela tinha na época um caso com Gene Roddenberry, o criado de Star Trek. Sim, o namoro do vulcano com a oficial de comunicações é provavelmente a novidade que mais pode chocar os trekkers. Acho que Abrahams quis causar uma comoção do tipo que o beijo interrracial de Kirk e Uhura provocou nos anos 60. Como hoje isso não é mais novidade, fazer Spock ter um tórrido caso de amor é que “causaria”. Sem dúvida, surpreendeu.

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