segunda-feira, 25 de junho de 2012

Um Método Perigoso no Cineclube Indaiatuba


Mortensen como Freud e Fassbender como Jung

O filme do Cineclube Indaiatuba de amanhã será “Um Método Perigoso”, em que David Cronenberg aborda a relação entre Sigmund Freud (Viggo Mortensen) e Carl Gustav Jung (Michael Fassbender), intermediada pela paciente e depois colega psicanalista Sabina Spielrein (Keira Kneightley). A sessão está marcada para o Multiplex Topázio do Shopping Jaraguá às as 19h30, com ingresso único a R$5, e bate-papo logo após a projeção.
Em Zurique, no ano de 1904, o psiquiatra Carl Jung, está em início de carreira e vive com a esposa grávida, Emma, no hospital Burgholzli. Inspirado no trabalho de Sigmund Freud, Jung tenta o tratamento experimental de Freud, conhecido como psicanálise ou "a cura pela fala", em Sabina Spielrein, de 18 anos.
Sabina é uma russa bem educada que fala fluentemente alemão e foi diagnosticada com histeria, e é conhecida por ser destrutiva e violenta. Nas conversas com Jung, ela revela uma infância arruinada pela humilhação e as surras do pai autoritário. A psicanálise revela um elemento sexual perturbador à disfunção dela, o qual sustenta as teorias de Freud, ligando a sexualidade e as desordens emocionais.
Por meio da correspondência dele sobre o caso de Sabina, Jung cria uma amizade com Freud e o primeiro encontro deles é em uma maratona do assunto. As relações aprofundam se entre Jung e Freud, que vê o mais jovem como seu herdeiro intelectual, e entre Jung e Sabina, que é brilhante, apesar de sua enfermidade. O tratamento dela é bem-sucedido e Sabina aspira uma carreira como psiquiatra com o incentivo de Jung.
Freud pede que Jung trate de um amigo psiquiatra, Otto Gross (Vincent Cassel), a quem descreve como um imoral consagrado e viciado em drogas. Jung fica intrigado pelos argumentos provocadores e inteligentes de Gross contra a monogamia. Depois de ser influenciado por Gross, Jung deixa de lado a própria ética e cede aos sentimentos que nutre por Sabina. Eles dão início a encontros sexuais secretos, violando a relação médico/paciente.
Keira Knigthley interpreta Sabina, paciente e amante de Jung

David Cronenberg, conhecido no início da carreira por seus filmes e terror (“Scanners”, “A Hora da Zona Morta”, “A Mosca”), sempre manifestou interesse pelas perversões segundo o ponto de vista psicanalítico (“Enraivecida pela fúria do sexo”, “Videodrome”, “Gêmeos – Mórbida semelhança” e, principalmente, “Crash – Estranhos prazeres”). Desta vez, ele vai à raiz, adaptando a peça de Christopher Hampton, The Talking Cure.
É irônico – ou ato falho? – que o principal motivo para o rompimento entre Freud e Jung tenha sido o que o segundo considerava demasiada importância que o primeiro dava ao sexo na formação do inconsciente. Enquanto o fundador da Psicanálise fosse um pai família pequeno burguês típico, o suíço era sensual por natureza, tendo se relacionado intimamente com várias pacientes (o que causava horror a Freud, mesmo que ele mesmo tenha violado a ética psicanalítica ao analisar sua própria filha Anna).  A defecção de Jung foi a mais dolorosa para Freud, a ponto de ter originado o célebre texto sobre Moisés de Michelangelo, que retrata o furor do líder dos hebreu logo após descer do monte Sinai com as tábuas da lei e encontrar seu povo entregue à idolatria.
No roteiro, Sabina tem um papel importante tanto na aproximação quanto no rompimento entre os dois psicanalistas, além de contribuir para a teoria dos arquétipos feminino e masculino de Jung e para o conceito de instinto de morte de Freud.

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Tratamento hormonal pode adiar envelhecimento


O envelhecimento é um fato da vida, mas suas consequências podem ser amenizadas ou mesmo retardadas com tratamentos adequados. “Envelhecer é um horror, porém inevitável. Então, encontramos um jeito de não pensar no assunto, e é racional que façamos tudo o que quisermos para isso. Como, por exemplo, inventar desculpas de que envelhecer é uma coisa boa no fim das contas”, diz a médica Aychi Shaker Ahmad do Couto, que está introduzindo a Medicina Preventiva e Regenerativa em Indaiatuba.
“Trata-se de uma reposição dos hormônios que, com a idade, deixam de ser produzidos pelo organismo”, conta. Segundo ela, há o envelhecimento normal, programado pelo relógio biológico, desde o nascimento até a morte e o envelhecimento acidental, por lesões no DNA e ações dos radicais livres. Boa parte dos problemas da idade começa quando o organismo desenvolve resistência à insulina, processo que pode ser evitado com a administração de hormônios base. As doenças que podem ser evitadas ou adiadas vão desde o diabetes até o Mal de Alzheimer. “O processo de envelhecimento normal começa pela pele, músculos e ossos, sistemas gastro-intestinal, circulatório, respiratório, renal, sexual, nervoso (último órgão que chega a maturidade, mais ou menos aos 30 anos), psíquico e, por último o endócrino”, explica Aychi.
A primeira etapa do tratamento é a realização de exames de sangue e de saliva para determinar quais hormônios estão em baixa. O exame de saliva é mais preciso para esse diagnóstico que o de sangue, mas era feito até há pouco apenas por um laboratório no Rio Grande do Sul. “Hoje já temos um centro de exames que realiza o procedimento em São Paulo, é para lá que eu envio as amostras”, diz a médica.
Uma vez estabelecida quais as dosagens necessárias, é prescrita uma rotina de atividades físicas. “Caminhadas ajudam a circulação, mas o tratamento só funciona com musculação, que aliada à testosterona dá ganho de massa muscular e equilibra o metabolismo”, esclarece Aychi. Nos casos dos obesos, a perda de peso e gordura é necessária. Após um tratamento inicial de cerca de três meses, basta uma manutenção que pode ser feita por meio de gel transdérmico ou pílulas sublingual, que entram direto na corrente sanguínea.
Segundo o cientista inglês Aubrey de Grey, um dos mais conhecidos estudiosos do envelhecimento, “A primeira pessoa a comemorar seus 150 anos já nasceu, e a primeira pessoa a viver até os mil anos pode demorar menos de 20 anos para nascer”.
 “Todo mundo vai ficar velho. Mas é possível manter uma qualidade de vida no processo. Além do tratamento, é indispensável manter-se em forma e alimentar-se adequadamente”, conclui Aychi.
A médica Aychi do Couto atende na Rua Tocantins, 351, Vila Feres, Indaiatuba. O telefone é 3834-6419/3875-4791.

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Malbec Day na Brancotinto

Josi Pieri entre Gelson Toledo, Norma do Vale e Kleber Patrício, encerrando o Malbec Day
Uva que se tornou emblemática da produção vinícola argentina, a Malbec foi o tema da degustação que aconteceu sábado na Brancotinto. Dentre os rótulos selecionados pela sommeliére Josi Pieri, destaque para a nacional Almaúnica, produzida no Vale dos Vinhedos-RS, com grande potencial de guarda, e que esgotou na loja no próprio dia da degustação, devido à combinação preço-qualidade (restaram algumas garrafas do Reserva, de preço e qualidade superior). Outra grata surpresa foi o Orzada 2010, chileno produzido no Vale Lontué, e que foi um dos tops da degustação. Entre os argentinos, os destaque foram o Andeluna 2010 e o Catena Malbec 2009, que fechou a seleção com chave de ouro.

Os vinhos provados na degustação de rótulos de vinhos Malbec


sexta-feira, 25 de maio de 2012

A origem humilde de pratos clássicos

Alguns pratos clássicos da sofisticada culinária francesa tem origens bem plebéias. É o caso do Coq au Vin (galo ou frango ao vinho) e o Confit de Canard (confit de pato). Ambos estão no cardápio do bistro Le Triskell.
Até o início do século XX era comum que todas as pequenas propriedades rurais tivessem um galo para fecundar as galinhas para produzir ovos e pintos. Quando ele ficava muito velho para cumprir suas tarefas, seu destino era a panela. Entretanto, carne de galo é muito dura, então, como amaciá-la? Mariná-la no vinho foi a solução encontrada.  Quando a receita entrou para o menus dos grandes restaurante, essa origem camponesa não vendia bem, então surgiu a história de que sua origem estaria ligada a vitória de César sobre Vercingetórix em Arverne. Com símbolo da submissão gaulesa, um galo de briga teria sido enviado aos romanos, que o cozinharam com vinho e o serviram no banquete que reuniu vitoriosos e vencidos. Não há qualquer corroboração histórica dessa lenda, mas ela se tornou a versão oficial..
Já o confit era uma forma de conservar a carne em tempos pré-refrigerador, com a vantagem de amaciá-la concentrar seu sabor. O processo é simples: a carne é temperada e cozida na própria gordura, lentamente. Depois, carne e gordura descansam juntas até o dia de irem ao forno ou à frigideira. Por séculos, foi assim que se garantiu o consumo de carne durante o ano todo, no mundo inteiro.
Além de pato e porco, na França também se confita ganso; e na Espanha, como no Brasil, é comum cozinhar o porco na própria gordura. Os portugueses fazem a chanfana, um confit camponês para aproveitar a carne da cabra velha. Ela descansa na banha e cozinha em vinho tinto (tema da coluna de Dias Lopes na edição de 7/7/2011). Na cozinha judaica, é comum usar a gordura da galinha caipira para confitar arenque (prato conhecido como herring schmaltz). Mas Andrea Kaufmann, chef do AK Vila, prefere confitar a coxa da galinha e servi-la com repolho roxo agridoce.
Um dos pratos mais emblemáticos do Líbano é o qawarma - tradição dos antigos habitantes das montanhas mantida até hoje. As ovelhas da raça awassi (que têm rabo gordo) são submetidas a regimes forçados de engorda, abatidas e confitadas em uma jarra de barro com a própria gordura. "Geralmente as ovelhas são recheadas com arroz, tomate, grão-de-bico e carne moída. Pode soar agressivo, mas as refeições com qawarma sempre foram sinônimo de delicadeza", diz a autora e jornalista gastronômica libanesa Anissa Helou.
Na Nova Zelândia, Austrália e Tasmânia existe a tradição de confitar uma ave chamada mutton-bird (pássaro-carneiro), gordurosa e com sabor que lembra o do carneiro - daí o nome.
O confit de canard (pato), que de tão famoso virou sinônimo do termo na França, surgiu no sudoeste do país, no século 18 Colesterol? Não era uma preocupação nas regiões rurais onde se trabalhava das 5h às 18h.

quarta-feira, 23 de maio de 2012

O maestro soberano

O documentário "A música segundo Tom Jobim", exibido ontem pelo Cineclube Indaiatuba e Maio Musical para menos de 100 pessoas, mostrou a beleza e a dimensão da arte do maior compositor popular brasileiro do século XX. Realizado por Nelson Pereira do Santos, um precursor do Cinema Novo, ele narra a trajetória de Antônio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim só por meio da música - todas dele - e imagens. Não tem nem legendas, e os artistas que aparecem só são identificados no final. 
Segundo o material de divulgação do filme, "Nelson  dirigiu, em 1985, um documentário sobre Tom Jobim para a televisão brasileira, com duração de quatro horas. Sempre teve grande admiração pelo compositor. Quando decidiu fazer A música segundo Tom Jobim percebeu que o acervo de fotos e filmes da família do compositor e os arquivos obtidos pela pesquisa de Antonio Venâncio eram tão ricos que o próprio material podia, por si só, contar a história de Tom. “Vi que em cada imagem havia uma outra história. E mais outra. Era uma história dentro da outra, contando tudo através da música', diz Nelson.A espinha dorsal do filme foi construída com base na música e nas imagens em movimento e fotográficas."
Foi um trabalho de equipe que reuniu a neta de Tom, Dora, que co-assina a direção com Nelson; o filho Paulo, que  fez a direção musical; a viúva Ana, que cedeu sua acervo fotográfico e de imagens; além da amiga e parceira Miúcha Buarque de Hollanda, com quem o maestro gravou dois memoráveis LPs (além do histórico show no Canecão com Toquinho e Vinícius), que escreveu o roteiro com Nelson.


Com tanta gente próxima ao tema do documentário, o trabalho resultou numa viagem afetiva, envolvente e emocional em que o público embarca com prazer.A ponto de um dos momentos mais marcantes e tristes na carreira do compositor é devidamente escamoteada : a a apresentação de "Sabiá", dele e de Chico Buarque, mostrada no filme é a competitiva, e não a mais famosa, a da vitória, que foi acompanhada por uma histórica vaia por parte dos partidários de "Para não falar que não falei de flores (Caminhando)", de Geraldo Vandré, a segunda colocada. O diretor optou pelo momento em que Tom ouve descontraído sua composição nas vozes das irmãs Cynara e Cybele ao lado do amigo e parceiro Chico, ainda sem a hostilidade de um Maracanãzinho lotado.
Duas ausências marcam o filme: Edu Lobo, com quem gravou um LP em 1982 (e seu parceiro em "Luiza") e a maior de todas, João Gilberto, que aparece só em foto na capa do LP inaugural da Bossa Nova e discretamente, sem crédito, acompanhando Elizeth Cardoso em "Eu não existe sem você", em cena retirada de um filme. É incompreensível, já que os dois se apresentaram juntos nos anos 90, em pelo menos dois shows registrados pela TV, que estão até no Youtube.
Mas mais importantes que as ausências são as presenças de Gal Costa cantando "Se todos fossem iguais a voce", Alaíde Costa em "Insensatez", Agostinho dos Santos em "A Felicidade, Silvia Telles em "Samba de uma nota só", Adriana Calcanhoto em "Ela é carioca", Nara leão em "Dindi", Maysa em "Por causa de voce", Nana Caymmi em "Sem você", Fernanda Takai em Estrada do Sol, Milton Nascimento em "Matita Perê", entre tantos outros, como os internacionais Dizzy Gillesppie, Ella Fitzgerld, Saraha Vaughn, Judy Garland, Gary Burton, Dianna Krall, Jane Monheit, Henri Salvador e outros menos cotados. No final, o próprio Tom Jobim e sua Banda Nova, formada por amigos e familiares, que a partir do disco "Passarim" o acompanhou até o fim.


Um dos pontos altos é "Corcovado", primeiro interpretado pelo autor com Frank Sinatra, que na sequencia passa para a voz de Elis Regina. Ou seja, o maior cantor americano passa a bola para a maior cantora brasileira. Ver em tela grande a perfomance dela e de Tom em "Águas de Março", visto e revisto em inúmeros especiais da TV, é algo emocionante e não deixa dúvida que se trata de uma das melhores gravações já feitas, num dos mais importantes discos brasileiros de todos os tempos. 

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Virada em Indaiatuba: faltou cacife para uma grande atração?

Por Marcos Kimura


A cantora Izzy Gordon encerra a Virada em Indaiatuba

Em 2010, animado com os números de Indaiatuba no ano anterior, o então coordenador da Virada Cultural Paulista, André Sturm, escalou uma das atrações internacionais contratadas para o evento, a brazuca Bebel Gilberto, para fechar a programação na cidade. Acabou não dando liga entre a cantora e o público e o show foi um fracasso (em defesa da plateia local, tenho que testemunhar que a apresentação foi ruim mesmo). Um erro similar pode se repetir este ano, com a escalação da Orquestra Saga e da cantora Izzy Gordon para encerrar a programação. Por coincidência, assim como Bebel é filha de João Gilberto, Izzy também é parente de outra lenda da MPB, a cantora e compositora Dolores Duran. Á meia-noite de sábado para domingo, o grande show da Virada será do rapper Emicida.
Tomara que eu esteja errado, Izzy é ótima cantora e merece ser ouvida com atenção, mas é sintomática a ausência de atrações de apelo popular na programação deste ano em Indaiatuba. Campinas, por outro lado, receberá Mariana Aydar à meia noite e o projeto Agridoce, da cantora Pitty com o músico Martin fecha a tarde de domingo. A Americana do prefeito tucano Diego de Nadai vai encerrar a Virada com um dos duzentos filhos de Bob Marley, Ky-Mani. Fora da Região Metropolitana de Campinas vão se apresentar Vanessa da Mata, Titãs, Nando Reis, Ultraje a Rigor e Roberta Sá, por exemplo.
Mas não dá para reclamar da programação na Sala Acrísio de Camargo. O grupo Tapa vai suprir a falta de um espetáculo teatral de peso em 2012, Cida Moreira e Maurício Pereira darão um ar de anos 80 na noite de sábado e os jovens Daniel Gonzaga e Curumim vão mostrar o talento da nova geração.

terça-feira, 15 de maio de 2012

Abolição


Por Marcos Kimura (com informações da Agência Estado)

O rapper Emicida – que será uma das principais atrações da Virada Cultural Paulista em Indaiatuba, no próximo final de semana – foi preso domingo passado em Belo Horizonte, acusado de desacato à autoridade durante um show. O motivo foi que  antes de cantar a música “Dedo na Ferida”, que abriu o show, ele chamou a atenção do público: "Antes de mais nada, somos todos Eliana Silva, certo? Levanta o seu dedo do meio para a polícia que desocupa as famílias mais humildes, levanta o seu dedo do meio para os políticos que não respeitam a população e vem com 'noiz' nessa aqui, ó. Mandando todos eles se fu..., certo, BH? A rua é 'noiz'". “Eliana Silva” é o nome dado à invasão de um grupo de famílias sem-teto a um terreno em Belo Horizonte. As pessoas que estão nessa área estariam sendo impedidas de manter contato com quem se encontra fora dela. O espaço começou a ser desocupado na manhã de sexta-feira (11).
Os policiais militares que prestavam serviço no local consideraram o gesto ofensivo e encaminharam o cantor para o 39º DP por volta das 19h30. Ele foi liberado três horas depois sem assinar o Boletim de Ocorrência, acusando erro nas informações prestadas pelos PMs.
Ao sair da delegacia, Emicida foi abordado pela reportagem da TV Record e se mostrou abalado com a situação. "Dia 13 de maio de 2012, dia da Abolição da Escravatura. Dia em que um negro foi preso por cantar uma música", disse.
A coincidência do episódio ter ocorrido no dia 13 de Maio reforça o caráter preconceituoso da ação policial. Se no lugar de Emicida estivesse um medalhão branco da MPB – como Caetano ou Chico Buarque – ou mesmo um negro “institucionalizado” – como o ex-ministro Gilberto Gil – , os PMs teriam a mesma atitude? Claro que não.
Emicida é um dos grandes nomes do rap nacional, só que isso não é música para muita gente – inclusive para a tradicional Polícia Mineira, que já foi gíria para “grupo de extermínio”. Particularmente, não sou fã dele – no gênero, prefiro Racionais MC e até Pavilhão 9, que ressuscitou mês passado no Lollapalooza. Mas o direito do artista à expressão é uma das principais e mais duradouras conquistas do processo de redemocratização do Brasil. Não pode ser questionado nem pelo gosto musical, nem pela vaga alegação de “desacato à autoridade”.

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Leituras: "Carmen"


por Marcos Kimura

Acabei de ler “Carmen”, de Ruy Castro, livro que me foi presenteado pela amiga Natalia Ohori (na verdade, um vale da Nippon Livraria, mas que foi muito bem aproveitado).  O livro é de 2005 e é a única das biografias de fôlego do autor que ainda não tinha lido. Uma pena, porque quando ele esteve aqui em 2010, não pude comentar uma passagem da biografia: "Ainda em 1952, o diretor brasileiro Alberto Cavalcanti, muito respeitado na Europa, convidou Carmen a fazer um filme com ele e voltar a filmar no Brasil. Prometeu-lhe um papel sério num filme da Vera Cruz, Terra é sempre terra. Carmen pensou com carinho na proposta, mas Cavalcanti logo deixaria a Vera Cruz e se esqueceram de Carmen. O filme foi feito com Marisa Prado no papel." (Página 488) “Terra é sempre terra” foi filmado em Indaiatuba, e algumas passagens mostram a estação ferroviária e o Bar do Paulito original. A principal locação é a Fazenda Quilombo.
Castro tenta fazer por Carmen Miranda o que “Chega de Saudade” fez pela Bossa Nova e “O Anjo Pornográfico” fez por Nelson Rodrigues: resgatá-la e recolocá-la na ordem do dia. Certamente fez com que muita gente descobrisse “a brasileira mais famosa do século XX” (como está na capa), mas não a ressuscitou para o século XXI.
Durante sua passagem por Indaiatuba há dois anos, ele contou a este repórter que “Carmem salvou minha vida”. “Eu estava na página 77 do livro quando resolvi ir ao médico para ver uma coisa que estava me incomodando na garganta”, relatou quando foi indagado a respeito da frase. Era um câncer na base da língua. O tratamento era a base de radioterapia e quimioterapia. “Quando o médico me deu o diagnóstico e o que eu teria que fazer para me curar cheguei a dizer ‘isso pode atrasar o livro’”, brinca.
Quando o cirurgião recebeu “Carmen: Uma Biografia” naquele mesmo ano, disse ao autor: “um tratamento como o seu é para durar um ano, se você não fizer mais nada. Um livro desses é para levar no mínimo um ano, se você não fizer mais nada na vida. Como é que você conseguiu fazer as duas coisas?” “É que o senhor não disse que era impossível”, respondeu. O lançamento a toque de caixa se deveu também à editora, que fez questão de fazer com que o autor tivesse o trabalho em mãos... antes que algo acontecesse a ele. Segundo ele, a velocidade com que ele foi editado fez com que muito material, principalmente imagens, ficasse de fora. Por isso seu próximo projeto seria um novo volume ilustrado sobre Carmem Miranda (até aora, nem sinal desse volume).
Por meio de Carmen Miranda, Ruy Castro percorre o fim da monarquia em Portugal, com o assassinato do rei que precipita a viagem da família da cantora para o Brasil; a vida no Rio de Janeiro da Velha República, que significativamente termina ao som de “Pra você gostar de mim (Tah-í)”, sucesso do carnaval de 1930 que acompanhou a cantora por toda sua vida, como uma espécie de prefixo.  Segue pela primeira década do governo de Getúlio Vargas, quando ela se consagra como a principal intérprete do País (deixando bem para trás Francisco Alves e Sylvio Caldas) até o embarque para os Estados Unidos, que é quando começa a grande aventura de Carmen Miranda. Castro descreve o inacreditável sucesso que ela atingiu no maior mercado do show biz, mas também a rotina massacrante a que foi submetida, primeiro na Broadway, e depois em Hollywood, e que acabaria sendo mais que seu ganha pão. No final da vida, presa a um casamento sem amor e já sem a perspectiva de ser mãe, a sucessão de apresentações por quase todos os Estados Unidos, inclusive o Havaí, tornou-se sua única razão de viver. Quando começou a perder até isso, o tic-tic-tac do seu coração parou de repente.
Como todos os livros de fôlego do autor, a pesquisa abrange todas as fontes disponíveis, conversas com quase todos os amigos e familiares vivos, e mesmo quem só a conheceu rapidamente, tudo temperado pelo humor que caracteriza seu estilo.

Quem é que não gosta de hambúrguer?


Por Harue Kimura

Dia 2 de maio, quarta feira, fomos – a família toda –  à inauguração de uma casa de lanches diferente, a HB Hamburgueria Brasileira, a convite da promoter Cecília Miyagawa, que além de bonita, é generosa e competente. A casa fica na avenida Itororó, ao lado do Beppo. O diferencial das demais é o hambúrguer ser caseiro (uma delicia!) e os petiscos maravilhosos!
As batatas são fritas empanadas e os petiscos de frango com gergelim são magníficos.
Meu neto Rui Daisaku queria mais e mais. “Ta bom demais”, dizia enquanto enchia a boca com “gosto”.
Fazia tempo que não ia a um local tão aconchegante e tão bem servido, com garçons prestativos.

Amigos, amigos, negócios à parte...
Este é apenas a última conta não paga. O número do celular
está escrito a mão lá em cima.
Durante algum tempo, a TV mostrava a cena de um homem ir à casa de um amigo. Ë recebido com cortesia até que o homem abrir a boca para pedir um empréstimo de dinheiro. O ambiente fica pesado, o amigo “fecha a cara”  etc. Era uma propaganda de uma firma de crédito .Com o slogam “não peça para amigos, senão os amigos debandam”.
Pois é, a Harue é azarada ou burra? Sou crédula demais. Só perco dinheiro que já é curto. Relutantemente, confiei o meu CPF para a compra de um celular para uma “amiga”.
Sempre pensei que quando os amigos precisam, estão em apuros, a gente dá uma mão. Fico chateada porque esta “mão”emprestada , a amiga que recentemente se tornou avó não parece nem aí em devolver...
Fui à uma loja Tim para adquirir um celular. Quando os rapazes “puxaram”minha ficha qual não foi a surpresa; no meu nome havia uma  dívida de mais de mil reais!!! A única providência que pude fazer naquele momento foi bloquear o telefone.
Enquanto a dívida não for paga não poderei adquirir nada. Esta amiga se é realmente uma pessoa idônea e consciente certamente quitará a divida.
Oro por isso.

Um almoço fora de série
Dia 29 de abril, fui convidada pela dra. Karine Schluter e família em sua chácara no Mosteiro de Itaici.
Enquanto esperávamos pelo arroz carreteiro, especialidade de Mauro, irmão de Karine, foram servido bolinhos de bacalhau super saborosa, com muito bacalhau. Pela primeira vez, comi um bolinho digno de chamar bolinho de bacalhau. A amiga Karine ensinou-me a desfiar o peixe. Com certeza farei em breve os bolinhos. Adoro aprender uma receita de culinária.
O arroz de carreteiro estava delicioso. Comi demais.... E a salada de batatas com maionese caseiro, batido à mão, muito bom. Outro dia já experimentei e acertei o ponto.
O meu muito obrigado à Karine e família pelo almoço maravilhoso.   

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Bilhete azul

Após tres anos de trabalho ininterrupto - que significa, sem férias - fui desligado da Tribuna de Indaiá, sem aviso prévio, sem advertencia, apenas vagas justificativas.
Recebi a solidariedade de alguns poucos amigos a quem comuniquei, e fui estimulado a me manter na ativa agora exclusivamente na mídia digital.
Assim, de agora em diante, reativo esta Conversa de Botequim on line para coberturas e notícias sobre cultura e o Light na Night passa a fazer a cobertura da vida noturna e social da cidade, agora up to date. Como não se vive de vento, estamos abertos a negociações para publicidade e ações e marketing, como temos feito com a Nishi Royale - por exemplo, bastando nos contatar pelo fone (19) 91728622. Para isso conto com a parceria de Ana Paula Teixeira, amiga querida e marketóloga de primeira.
Sei que muitos comemorarão minha saída da mídia impressa - para onde não tenho planos de voltar - mas também tem muita gente que, por algum motivo misterioso, gosta do que escrevo e de minhas coberturas. Então, meus fiéis abnegados, podem ficar tranquilos que continuarei a fazer o que faço melhor que é brigar para que Indaiatuba tenha uma vida cultural melhor, fazendo, com isso, que tenhamos uma cidade mais civilizada no futuro.
A imagem que ilustra este post é um desenho deste seu criado feito pelo artista plástico Ige D'Aquino. Não é para qualquer um.