Mostrando postagens com marcador filmes. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador filmes. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 17 de janeiro de 2017

O que bombou - e o que não - em 2016 no Cinema e TV

2016 não foi o melhor dos anos por diversos motivos, mas na área do entretenimento, tivemos coisas legais, coisas muito legais e outras que decepcionaram totalmente. A origem deste post foi um proposta do site Nerd Interior para um Top 5 do Cinema e TV, mas achei cinco muito pouco, então vamos ao que de melhor e “pior” vimos no ano que passou.

O que bombou

Ryan Reynolds finalmente emplacou um super-herói
1.      Deadpool – Após o vexame de “X-Men Origens: Wolverine”, Ryan Reynolds emplacou sua visão do personagem e, além de bombar nas bilheterias, conseguiu as primeiras indicações para o Globo de Ouro para um filme “de super-herói”.
2.      Capitão América: Guerra Civil  x Batman vs Superman – Com temas muito parecidos, as duas produções estrearam com pouca diferença entre elas, mas na hora do “vamos ver”, deu Marvel tanto em bilheteria quanto nas críticas. Se não cumpriu todas as expectativas dos fãs, pelo menos o encontro entre os maioes super-heróis dos quadrinhos deu a partida para o aguardado universo compartilhado da DC. E Ben Affleck nes deu a perspectiva de novos filmes do Homem-Morcego.
3.      Filmes do Oscar – Tivemos uma boa fornada do Oscar este ano, com os muito bons “A Grande Aposta” e “Spotlight – Segredos Revelados”, o elegante “Carol” e o surpreendente “O Quarto de Jack”.

Sônia Braga em seu grande triunfo pessoal: "Aquarius"
4.      Aquarius – Filme tem a melhor atuação da carreira de Sônia Braga e consolida Kleber Mendonça de Toledo como um dos principais cineastas brasileiros do cenário contemporâneo.
5.      O Silêncio do Céu – A surpreendente produção Mercosul foi dirigida pelo brasileiro Marcos Dutra, rodada em Montevidéu, baseada em romance do argentino Sergio Bizzio, que também assinou o roteiro com a compatriota Lúcia Puenzo e pelo brazuca Sergio Gotardo. A estrela global Carolina Dieckman se despiu da persona televisiva para atingir um outro nível de atuação, secundada pelo portenho Leonardo Sbaraglia, de “Relatos Selvagens” e com o coadjuvante de luxo Chino Darin, filho de Ricardo. Ajuda a entender porque a média do cinema feito na Argentina é tão superior ao nosso.
6.      A Chegada – Denis Villeneuve surpreendeu as plateias de diversos festivais ainda em 2015, e quando ele finalmente chegou ao Brasil, acabou não sendo  hype esperado. Mas é porque é o scifi fora da curva, abordando possibilidades da Física Quântica que parecem eventos paranormais para o grande público.

Rogue One foi o melhor blockbuster do ano
"Stranger Things" trouxe os anos 80 de volta à televisão
7.      Rogue One: Uma história Star Wars – A expectativa quanto a esse primeiro spin-off cinematográfico da franquia era grande, mas o filme correspondeu e ainda fez um link afetivo com o original que levou os fãs às lágrimas. Pelo menos no meu caso.
8.      Westworld – O seriado criado para substituir Game of Thrones na HBO trouxe produção, orçamento e atuações de cinema. As ótimas Evan Rachel Wood e Thandie Newton foram injustamente esnobadas no Globo de Ouro.  
9.      Stranger Things – O grande hype do primeiro semestre na TV, foi uma ode aos anos 80. A segunda temporada está sendo filmada a toque de caixa antes que os adolescentes cresçam de mais.
10. Game of Thrones – Em sua reta final, a série apresentou a melhor temporada até agora, tendo A Batalha dos Bastardos como ponto alto, o episódio mais caro já rodado para a televisão.

O que flopou


Toda a sofrência de Leo di Caprio não faz valer "O Regresso"
1.      O Regresso – Fez Alejandro Iñarritu ganhar o bi como diretor no Oscar e deu a sonhada estatueta para Leonardo Di Caprio. Mas foi muito barulho para pouco.
2.      O Filho de Saul – Vencedor do Oscar de Filme Estrangeiro, a produção húngara dirigida por László Nemes é uma decepção. O candidato brasileiro que não chegou à final, “Que horas ela volta?”, é muito melhor.
3.      Esquadrão Suicida – Caso em que o trailer era infinitamente melhor que o longa. Como em “Batman vs Superman”, a DC não teve firmeza de manter o projeto original e acabou tentando colar no sucesso de “Deadpool”. Não funcionou, mas deu dinheiro.

Nova geração de "X-Men" não emplacou em "Apocalipse"
4.      X-Men: Apocalipse – Os erros da Fox com os mutantes da Marvel e da Sony com o Homem-Aranha (sem falar da DC...) mostram como é difícil fazer o que a Marvel fez. Não adiantou fazer o reboot em “Dias de um futuro esquecido”, eles ainda pisam na bola da continuidade. Mas esse foi o menor dos problemas do filme.
5.      Warcraft – Anunciado como o filme inspirado em videogame que venceria a escrita do subgênero. Não rolou.
6.      Ben Hur – Se pedissem minha opinião antes de investir nesse remake, eu diria, “não faça isso”. Não apenas porque o original de 1959 é um clássico, mas porque fazia sentido na época, dentro do ciclo dos filmes bíblicos da época. Hoje, foi apenas um anacronismo que custou os tubos e não rendeu nada.

Trupe da Porta dos Fundos não acertou a mão no cinema
7.      Porta dos Fundos – Contrato Vitalício - Este é um caso oposto. No cenário atual do cinema brasileiro, um filme do mais bem sucedido canal de humor da internet, que já rendeu um bom programa na TV por assinatura, ´parecia tiro certo. Foi, só que no pé.
8.       Luke Cage – Vá lá que a segunda temporada de “Demolidor” não foi tão boa como a primeira, mas teve o Justiceiro de Jon Bernthal para redimí-la. Mas a aguardada série do herói do Harlem tinha material para, no máximo, dois telefilmes. O resto foi preenchido com muita conversinha e ação meia-boca.
9.     Vinyl – Sei que muita gente achou o máximo, mas esta superprodução assinada por Martin Scorcese (que ainda dirigiu o primeiro – e péssimo – episódio) e Mick Jagger foi um fracasso em todos os sentidos. Nem a HBO, que costuma bancar apostas altas, teve coragem de arriscar mais uma temporada.
"Vinyl" foi o grande fracasso da HBO este ano
10.  Pure Genius – Poderia falar de “Walking Dead”, cuja atual temporada está sendo considerada a pior de todas pelos críticos americanos, mas não acompanho há anos. Dentre tantas apostas que morreram na primeira temporada este ano, incluí este programa porque ele está sendo exibido no Brasil pela Universal, que é uma Multishow dos seriados da TV por assinatura: todo pacote básico tem. É uma tentativa de fazer um “House” do bem (tem até a última médica bonitona do Departamento de Diagnóstico, Odette Annable), o que obviamente não funciona.


segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Zebras e questões raciais marcam Oscar 2016

Equipe e elenco de Spolight se conratulando pelo prêmio
“Spotlight – Segredos revelados” surpreendeu todo mundo e levou o Oscar de Melhor Filme, batendo os favoritos “O Regresso” (levou Direção, Ator e Fotografia) e “A Grande aposta” (só ganhou Roteiro Adaptado). Mantém a tradição da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood de premiar grandes temas. Embora tenha uma narrativa tradicional, tem o grande mérito de contar a história de uma reportagem importante de forma realista – especialmente para quem é do ramo – e didática. Grande mérito do roteiro (original, que também ganhou), elenco e, porque não?, direção. Mas, para Hollywood, ser diretor não é ser necessariamente autor mas, principalmente, um gestor de projeto. E aí fica difícil competir com a pirotecnia de Alessandro Iñarritu em “O Regresso”, mesmo que o filme caia no terço final. Com esse premio, ele se tornou bi no Oscar e o México tri, já que em 1014 quem ganhou foi seu amigo Afonso Cuarón por “Gravidade”, quando o Melhor Filme foi “12 anos de escravidão”.

Leonardo di Caprio sendo aplaudido em pé pelo público no Dolby Theatre
Leonardo di Caprio levou sua aguardada estatueta não tanto por sua atuação em “O Regresso” (que foi boa, mas não tanto como a de Michael Fassbender em “Steve Jobs”) mas por sua carreira, em que sempre procurou conciliar qualidade com bilheteria. Irônico ele ganhar em seu primeiro trabalho com Iñarritu após cinco parcerias com Martin Scorcese, das quais duas resultaram em indicações.  Já o prêmio de Brie Larson é um Nasce uma Estrela. Desconhecida entes de “O Quarto de Jack”, a oscarizada deste ano já está com quatro projetos engatilhados para os próximos dois anos. Vai vingar? Talento ela tem, mas que o filme era do Jack (Jacob Tremblay), isso era.
Entre os Coadjuvantes, se Alicia Vikander, de “A Garota Dinamarquesa”, era pedra cantada, o Oscar de Mark Rylance (“Ponte dos Espiões”) foi uma surpresa porque todos esperavam um momento comoção para Sylvester Stallone por sua, acho, derradeira atuação como Rocky Balboa. Foi a vitória da técnica sobre a emoção.
Mark Rylance frustra a tocida de Sylvester Stallone
A enxurrada de prêmios técnicos e artísticos para “Mad Max – Estrada da Fúria”seis – que é uma reverência ao grande trabalho de George Miller, só foi interrompido pelo merecidíssimo Oscar de Fotografia para Emmanuel Lubezki (terceiro consecutivo) por “O Regresso” e o surpreendente para “Ex Machina” em Efeitos Visuais, um filme que foi lançado diretamente em home vídeo no Brasil. Falando em Brasil, não ia dar mesmo para “O Menino e o Mundo” num ano em que tinha “Divertida Mente”. Mas, mais do que nunca, estar lá já foi um vitória.
Na parte musical, o venerando maestro Ennio Morricone ganhou pela Melhor Trilha Musical Original em “Os Oito Odiados” e Sam Smith levou pela pior Canção de James Bond da era Daniel Craig. Não adiantou nem o vice-presidene americano John Biden ir até a cermônia para apresentar a concorrente Lady Gaga com sua canção sobre estupro..

Negros e Gloria
Discurso de Chris Rock deve ter rendido horas de
reun ões até ser aprovado
O elefante na sala da cerimônia foi a polêmica envolvendo a ausência de indicados negros e o boicote proposto por alguns astros, especialmente o casal Will Smith e Jada Pinckett-Smith. Por sorte, os produtores já haviam contratado o humorista Chris Rock antes da confusão, e seu discurso de abertura ao mesmo tempo falou sobre a falta de oportunidades aos afrodescendentes e ainda cutucou o boicote e seus propositores. As piadas seguintes todas foram sobre o assunto, algumas por sinal, muito boas.

Já, no Brasil, a participação de Gloria Pires roubou a cena da transmissão na Globo, ainda mais que na TNT tivemos um Rubens Edwald Filho cada vez mais velho e confuso, distoando de seus bons tempos em que a memória e agilidade mental valorizavam suas intervenções desde os tempos do SBT. A escalação a contragosto da estrela global para trabalhar num programa madrugada a dentro e para o qual ela não tinha preparação nem formação para participar pode ter rendido memes e risadas, mas é mais um desrespeito da poderosa emissora carioca, que continua a exibir o Oscar após o BBB, e se fosse noite de Carnaval, simplesmente não transmitiria. Não é para rir, mas para lamentar.

Cineclube
O Oscar de Filme Estrangeiro foi para o húngaro "Filho de Saul", e logo que foi feito o anúncio, por maio do Facebook, o Cineclube Indaiatuba já confirmou sua escalação para a sessão da próxima terça-feira, dia 8, no Multiplex Topázio do Shopping Jaraguá. A história se passa em 1944, no campo de concentração de Auschwitz, durante a Segunda Guerra Mundial. Saul (Géza Röhrig) é um judeu obrigado a trabalhar para os nazistas, sendo um dos responsáveis em limpar as câmaras de gás após dezenas de outros judeus serem mortos. Em meio à tensão do momento e às dificuldades inerentes desta tarefa, ele reconhece entre os mortos o corpo de seu próprio filho.

terça-feira, 19 de março de 2013

Considerações sobre Hitchcock, o filme e o cineasta

Fui assistir "Hitchcock" e o filme é, no geral, uma decepção. Anthony Hopkns está caricato soterrado por uma maquiagem paralisante, Helen Mirren é competente como sempre como Alma Reville, Scarlett Johansson não se parece muito com Janet Leigh (a não ser entre o pescoço e o umbigo) e Jessica Biel não tem muito o que fazer como Vera Miles. James D'Arcy ("O Mestre dos Mares"), por outro lado, está igualzinho a Anthony Perkins, mas é pouco aproveitado na trama. Por que dar a um diretor estreante uma história desses com um elenco que tem ainda Tony Colette, o habitual vilão Danny Huston como suposto interesse romântico de Alma e o ex-Karate Kid Ralph Macchio numa ponta como o roteirista oficial de "Psicose"? O tal Sacha Gervasi desperdiça o que Geotge C. Scott, na pele do general George S. Patton, chamaria de uma "bela infantaria".
Aparentemente o roteiro aplaina os conflitos do livro original de Stephen Rebello e a direção se encarrega de transformá-los em um monte de anedotas. Sacadas boas da abertura e do final, remetendo ao programa de TV que Hitchcock apresentava e que ajudou a popularizar sua rotunda figura ainda mais, mas as "conversas" do cineasta com Ed Gein, serial killer que inspirou tanto Norman Bates quanto o Leatherface de "O Massacre da Serra Elétrica", são psicanálise de botequim, como o trabalho anterior do roteirista  John J. McLaughlin, "Cisne Negro".
Em 1959, quando a história começa, durante a pré-estréia de um dos maiores sucessos do Mestre do Suspense, "Intriga Internacional", Alfred Hitchcock era festejado como grande entertainer, mas não respeitado como cineasta. Os grande diretores eram William Wyller, John Ford, Fred Zinneman, George Stevens e por aí vai. Só quando os princípios dos Cahiers de Cinèma se popularizaram nos EUA é que Hitchcock passou a ser visto com outros olhos, mas aí, sua carreira já estava no ocaso. A despeito de "Os Pássaros" e "Frenesi" serem grandes trabalhos, ele nunca mais teve um sucesso como "Psicose" ou "Intriga Internacional". Mas, num lance de genialidade de marketing, ele impos em testamento que cinco dos filmes de que ele tinha controle sobre as cópias fossem proibidos de serem exibidos em qualquer meio, sendo liberados apenas no cinema anos após sua morte. Quando "Um Corpo que Cai", "Janela Indiscreta", "Festim Diabólico", "O Homem que Sabia Demais" e "O Terceiro Tiro" foram relançados nos anos 1980, uma nova geração pode constatar o quanto o cinema americano devia ao grande mestre. Não eram apenas as emulações de Brian de Palma ou a série James Bond - como o filme "Hitchcock" frisa - que devem ao autor de "Rebecca" (seu único filme a ganhar o Oscar), mas todo o cinema de ação e suspense Made in Hollywood.
"Psicose" sozinho quebrou uma série de tabus, como o "gore" até então restrito a filmes exibidos em cinemas baratos, a insinuação de nudez e morte nos primeiros rolos da personagem de uma estrela como Janet Leigh. Sem dúvida foi um dos primeiros passos rumo ao fim do Código Hays, que desde os ano 30 decidia o que era adequado para ser exibido nos cinemas "de família" americanos. É dificil ao público acostumado a "Jogos Mortais" imaginar o impacto causado por "Psicose" em 1960. "Hitchcock" até tenta, na cena em que o cineasta acompanha do lado de fora da sala de exibição os gritos da platéia durante a evisceração de Marion Crane. É interessante que o roteiro destaque que Janet Leigh, na época famosa como heroína romântica, e na maioria das vezes virginal, de épicos, faroestes e comédias, talvez só tenha aceitado fazer o papel depois de filmar "A Marca da Maldade" com Orson Welles. Por outro lado, por já ter feito uma obra-prima com um grande diretor, Hitchcock excepcionalmente a tenha tratado tão bem.
Ao final do filme de Sacha Gervasi, vemos Alfred e Alma reconciliados, com ele aparentemente livre das obsessões com suas estrelas. Nada mais enganador. Outro trabalho recente sobre o diretor inglês, "The Girl", telefilme da HBO, aborda justamente o momento logo após "Psicose", quando ele começa a idealizar "Os pássaros" e contrata a jovem Tippi Hedren. Hitchock é interpretado por Toby Jones, Tippi por Sienna Miller e Alma por Imelda Stauton. Em termos de phisyqye du role, o elenco aqui é melhor escalado: Hitchcok e Alma não eram tão charmosos como Hopkins e Helen Mirren, mas próximos dos baixinhos e feiosos Jones e Stauton, e Tippi era uma beleza gelada e distante como a própria Sienna. O pobre Toby Jones, por sinal, pela segunda vez na carreira ve uma interpretação sua de um personagem real ser ofuscado por outro trabalho na mesma época. Em 2006, sua ótima personificação de Truman Capote em "Confidencial" foi eclipsada pela atuação oscarizada de Philip Seymour Hoffmann no ano anterior, e agora, seu Hitchock tem que concorrer com o consagrado Anthony Hopkins. Não é fácil.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

O melhor show do Oscar dos últimos anos

Não sei até que ponto o ótimo show do Grammy Awards influenciou a 85a cerimônia de entrega dos Premios da Academia de Hollywood, mas acho que contribuiu para que esta fosse o melhor Oscar dos últimos anos em termos de programa. O apresentador Seth MacFarlene abriu o evento com uma piada que desculpou toda a irreverencia - ou piadas politicamente incorretas - que se esperava dele.

O capitão James T. Kirk vem do futuro para alertar Seth MacFarlane
Aliás, a presença de William Shatner como Capitão James T. Kirk no telão foi m momento "geek" que divertiu os rapazes e entediou as moças, o que seria compensado mais tarde pelos diversos números musicais, incluindo todo o elenco de "Os Miseráveis" (ironicamene, em trajes nada misérables) cantando a canção principal. 
Todo o eneco de "Os Miseráveis" cantando em trajes de gala
Antes, Catherine-Zeta Jones havia voltado a "Chicago" em boa forma na dança, mas visivelmente dublada na voz, e uma esguia Jennifer Hudson lembrou sua atuação em "Dreamgirls", sendo aplaudida em pé. A franquia James Bond foi homenageada pelo seus cinquentenario, com apresentação da única Bond Girls oscarizada, Halle Berry, e a presença da veterana Shirley Bassey cantando a emblemática "Goldfinger". Depois de Shirley e seu histrionismo típico, a apresentação de uma muito mais jovem Adele defendendo seu "Skyfall" foi anticlimático, com a intérprete e compositora inglesa visivelmente travada. Mas com a estatueta de Melhor Canção e a de edição de som (em um raro empate com "A Hora mais escura") fez deste o melhor ano de 007 nos Prêmios da Academia. 
Barbra Streisand mostra que ainda canta muito

Outro momentão nostálgico foi a aparição surpresa de Barbra Streisand na homenagem aos falecidos do ano, cantando "The way we were" (de um de seus sucessos, "Nosso amor de ontem"), de Marvin Hamlish, grande compositor morto em 2012. Outra surpresa foi a participação on line da primeira-dama Michelle Obama para o anuncio do melhor filme. Será que Hollywood ficou feliz coma  reeleição de Barack Obama? Sim ou com certeza?
 No todo, o show foi dinâmico, razoavelmente enxuto e bem conduzido por McFarlane (melhor piada, a da Família von Trapp para anunciar Christopher Plummer), que salvo acidente de percurso neste ano, deve voltar no ano que vem. Detalhe, gostei da "homagem" aos perdedores no fim. Foi um momento mal-comportado quando quase todo mundo já havia desligado a TV para dormir.
***
Michelle Obama rouba a cena de Jack Nicholson
Tradicionalmente o primeiro premio a ser anunciado, a categoria ator coadjuvante começou com uma pequena surpresa: a vitória de Christoph Waltz por "Django Livre" (que já havia faturado o "Globo de Ouro") sobre o favorito Tommy Lee Jones por "Lincoln". Não dá para falar em injustiça num páreo em que todos os indicados já tinham suas estatuetas e pelo menos um, Robert De Niro, é uma lenda viva de Hollywood. Na verdade, na disputa entre os dois concorrentes que tratavam sobre a escravidão nos EUA, Tarantino levou pequena vantagem sobre Spielberg. Ambos levaram duas estatuetas, mas "Django Livre" ganhou em duas das categorias principais - ator coadjuvante e roteiro original - enquanto "Lincoln" ganhou em uma principal - ator para Daniel Day-Lewis, a barbada da noite - e uma secundária - direção de arte.
Em animação,  tudo ficou em casa: venceram o bonito curta da Disney "Paperman", que antecedeu "Detona Raplh" nos cinemas; e o longa "Valente, da Pixar,  num dos anos mais fracos desde a criação da categoria em 2002.
"As Aventuras de Pi", filme que muitos amam mas que era visto como azarão, foi o mais premiado da noite, a maioria em categorias técnicas, mas tendo como cereja do bolo o Oscar de direção para Ang Lee, o chines (bom, taiwanes na verdade) mais bem sucedido em Hollywood, mas que andou atirando para todos os lados em sua fase americana (vide seu fraco "Hulk"). É a segunda vitória em três indicações.
Como eu previra, a indicação de "Amor" para Filme e Filme Estrangeiro significava que ele ficaria com o menor mas cada vez mais importante Oscar para filme em idioma não-ingles. Os mesmo já havia acontecido com "O Carteiro e o Poeta".
Tadinha da Jennifer Lawrence, levando um tombo a caminho da glória

A jovem Jennifer Lawrence, revelada há apenas dois anos em "Inverno da Alma", já é praticamente uma estrela de primeira grandeza, tendo duas indicações ao Oscar - e uma vitória - e participações em duas franquias blockbusters, "X-Men" e "Jogos Vorazes". Sua vitória por "O lado bom da vida" é mais ou menos como o premio para Angelina Jolie em 2002, que a catapultou para ser superstar. Já o premio para Anne Hathaway por "Os Miseráveis" consagra uma estrela a quem a Academia queria há muito tempo laurear e só aguardava um trabalho adequado. Mais ou menos como os Oscars para Gwyneth Paltrow por "Shakespeare Apaixonado" e para Julia Roberts por "Erin Brokovich". Trata-se de um lógica de indústria, que é onde a maioria dos votantes trabalha.
Wolverine e Mulher-Gato se abraçam no palco
 Capítulo à parte para Daniel Day-Lewis. A primeira vez que o vi foi em "Minha adorável lavanderia" (1985) de Stephen Frears, em que ele fazia o namorado gay do imigrante indiano dono da tal lavanderia. Tres anos depois o assisti em "A Inustentável Leveza do Ser", de Philip Kaufman, ótima adaptação do péssimo romance de Milan Kundera, como o médico-garanhão que mandava as mulheres tirarem a roupa ("Take off your clothes") e elas obedeciam na hora. Consagrou-se com Oscar em "Meu pé esquerdo" ( de 1989, batendo Kenneth Branagh no magnífico "Henrique V") e depois virou galã em produções como "O último dos moicanos" (1992) e "A época da inocência" (1993). Depois de "O lutador" (1997), resolveu abandonar a atuação e pensou em virar sapateiro, mas aí Martin Scorcese o convenceu a fazer "Gangues de Nova York" (2002), que o animou a continuar o ofício. É o grande ator de sua geração e acaba de fazer história com seu terceiro Oscar como ator principal, superando lendas como Spencer Tracy, Marlon Brando e Tom Hanks
Terceira estatueta de ator principal consagra "o cara" Daniel Day-Lewis

Com a ausência de Ben Affleck entre os concorrentes a melhor diretor - a grande gafe/injustiça do ano - quando "Argo" foi anunciado como melhor roteiro adaptado, o Grande Prêmio já estava no papo. Durante a abertura da transmissão da TNT brasileira, Rubens Edwald Filho disse que este era o ano com os melhores filmes indicados dos últimos anos. Para mim, 2008, ano em que Daniel Day-Lewis ganhou seu penúltimo Oscar, continua sendo o melhor dos últimos anos, com os ótimos "Desejo e Reparação", "Ouro Negro" e "Onde os facos não tem vez" (que acabou levando) disputando cabeça a cabeça, secundados por "Conduta de Risco" e "Juno".Desde então, não tem havido uma páreo como este, e 2013 não é exceção. "Argo" ganhou porque é um thriller melhor que "A hora mais escura", é mais cinema que "Lincoln", mais fácil de entender que "As aventuras de pi", mais "sério" que "O lado bom da vida" (só Frank Capra vencia com comédias romanticas) e mais convencional que "Django livre" ("Os Miseráveis" e "Adorável sonhadora" estavam lá para fazer número). Foi uma boa escolha, mas a disputa deste ano não ficará na história.
Veja a lista completa de indicados e vencedores aqui.
Ben Affleck, injustiçado e ao mesmo tempo grande vencedor da noite


***
 Outro dia o jornal Independent sacou um lista dos maiores filmes esquecidos do Oscar e colocou "Um sonho de liberdade" (perdeu para "Forrest Gump") em primeiro lugar; "À espera de um milagre" (perdeu para "Beleza Americana") em segundo; "Avatar" (perdeu par "Guerra ao Terror") em terceiro; "O Resgate do Soldado Ryan" (perdeu para "Shakespeare Apaixonado") em quarto; "ET" (perdeu para "Gandhi") em quinto; "Star Wars" (perdeu para "Noivo Neurótico, Noiva Nervosa") em sexta; "Mary Poppins" (perdeu para "Minha Bela Dama") em sétimo; "Doutor Jivago" (perdeu para "A Noviça Rebelde") em oitavo; "Pulp Fiction - Tempo de Violência" (perdeu para "Forrest Gump") e "O Sol é Para Todos" (perdeu para "Lawrence da Arábia"). Queria saber qual o critério dessa pesquisa, mas só pode ser coisa de leitor que nunca ouvu falar em "Cidadão Kane" ou "Apocalipse Now". Comentem, por favor.