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quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

Oscar 2016: quem leva?

A cerimônia de premiação da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood, o popular Oscar, acontece neste domingo, com transmissão pelo canal pago TNT (a Globo . Nas chamadas para o programa, Rubens Edwald Filho afirma que é a maior premiação do mundo do entretenimento, o que é verdade. A penetração que a música (Grammy), TV (Emmy) ou mesmo teatro (Tony) americanos tem no mundo inteiro não se compara à do cinema, que vem se ampliando até em territórios antes inexpugnáveis, como a China.

A Grande Aposta
Se em 2015, “Birdman” era barbada, neste a disputa é bem mais equilibrada. “Spotlight”, “A Grande Aposta” e “O Regresso” são igualmente favoritos, com ligeira desvantagem para o último porque o diretor Alessandro Iñarritu ganhou Filme e Direção (justamente com “Birdman”) no ano passado. A lógica é que o Melhor Filme leva também Direção, mas não para a Academia, que recentemente esnobou Steve McQueen (“12 anos de escravidão”), e Ben Affleck (“Argo”) mesmo premiando seus filmes. Pior foi
Spotlight - Segredos Revelados
há dez anos, quando deram a estatueta para o medíocre “Crash – No limite” mas a consciência pesada fez com que premiassem a direção de Ang Lee pelo muito melhor “Brokeback Mountain”. Além do mais, se Iñarritu fizer o bis, serão três anos seguidos de mexicanos (em 2014, que levou foi Alfonso Cuaron por "Gravidade"). Só se fosse para Donald Trump perder a peruca. Enfim, no próximo domingo, é grande a chance que o Oscar vá para um cineasta sem renome, como Tom McCarthy (“Spotlight”), Adam McKay (“A Grande Aposta”). Pessoalmente, “Mad Max Estrada da Fúria” é meu preferido para Filme e Direção, mas não vai rolar.

Brie Larson em O Quarto de Jack
Nas atuações – ladies first – deve dar a novata Brie Larson por “O Quarto de Jack” como Melhor Atriz e Alicia Vikander por “A Garota Dinamarquesa”. Para mim, Charlotte Rampling em "45 anos" faz um trabalho superior e até mesmo Jennifer Lawrence em "Joy" está melhor, mesmo que o filme não ajude. O "Quarto de Jack" é totalmente centrado no garoto Jacob Tremblay, que está ótimo e não foi lembrado, talvez porque não de para enquadrá-lo como coadjuvante, e como principal não fica bem.
Nos prêmios masculinos, prevejo muita comoção pelo premio de Ator Coadjuvante para Sylvester Stallone por “Creed” (já foi emocionante no Globo de Ouro) e por finalmente darem o Oscar a Leonardo Di Caprio, nem tanto por “O Regresso”, mas pela sua carreira brilhante, que é uma rara combinação de carisma de lead man e talento como intérprete. Christian Bale está excelente em “A Grande aposta” (quem lembra de Batman ao vê-lo neste filme?) e Michael Fassbender brilha em “Steve Jobs”, mas não o suficiente para tirar o doce da boca de Leo, que se não ganhar desta vez, é melhor pensar num filme de Holocausto.
Leonardo di Caprio em "O Regresso"


Os roteiros são um capítulo à parte este ano, com vários trabalhos de alto nível, até entre os esquecidos pela Academia, como “Steve Jobs” de Aaron Sorkin. Mas pelas premiações pregressas, deve dar “A Grande Aposta”, de Charles Randolph eAdam McKay entre os Adaptados; e “Spotlight”, de Josh Singer e Tom McCarhty entre os Originais. Vencedor de dois Oscars e Fotografia, Emmanuel Lubezki deve levar o terceiro por “O Regresso”.


Divertida Mente
Este ano, o prêmio de Animação ganhou um interesse especial para nós pela indicação do brasileiro “O Menino e o Mundo”, de Alê Abreu. Se fosse no ano passado, até teria chance, mas contra “Divertida Mente”, fica difícil. Na categoria Filme Estrangeiro, nem o brazuca “Que horas ela volta?” ou o argentino “O Clã” – Leão de Outro em Veneza – entraram. O húngaro “O Filho de Saul” é o favorito, preenchendo a cota “Filme de Holocausto”. 

sábado, 21 de fevereiro de 2015

And the Oscar goes to...

Amanhã acontece mais uma cerimônia de premiação da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood, mais conhecido como Oscar. No Brasil, a maior festa do cinema pode ser visto pelo canal pago TNT a partir das 20h30 e na Globo só depois do Big Brother Brasil, lá pelas 23h45.

Michael Keaton em "Birdman"
No páreo principal estão “Birdman (ou a Inesperada virtude da ignorância)”, “Boyhood – da Infância à Juventude”, “O Grande Hotel Budapeste”, “O Jogo da Imitação”, “A Teoria de Tudo”, “Whiplash: Em busca da perfeição”, "Selma" e “Foxcatcher: Uma história que chocou o mundo”. Concorrendo a melhor diretor estão Alejandro González Inárritu (“Birdman”), Richard Linklater (“Boyhood”), Bennet Miller (“Foxcatcher”), Wes Anderson (“Grande Hotel Budapeste”) e Morten Tyldum (“O Jogo da Imitação”). Os atores principais indicados são Eddie Redmayne (“A Teoria de Tudo”), Michael Keaton (“Birdman”), Bennedict  Cumberbatch (“O Jogo da Imitação”), Steve Carrell (“Foxcatcher”) e Bradley Cooper (“Sniper Americano”). As atrizes principais são Julianne Moore (“Para sempre Alice”), Felicity Jones (“A Teoria de Tudo”), Marion Cottilard (“Dois dias, uma noite”), Rosamund Pike (“Garota exemplar”) e Reese Witherspoon (“Livre”). A disputa para ator coadjuvante está entre J.K. Simmons (“Whiplash”), Robert Duvall (“O Juiz”), Ethan Hawke (“Boyhood”), Edward Norton (“Birdman”) e Mark Ruffalo (“Foxcatcher”). As indicadas a atrizes coadjuvantes são Patricia Arquette (“Boyhood”), Laura Dern (“Livre”), Keira Knightley ("O Jogo da Imitação”), Meryl Streep (“Caminhos da floresta”) e Emma Stone (“Birdman”). Vamos nos focar nesses, que são os de maior interesse geral.

As mudanças ao longo de 12 anos em Boyhood
Eu já ordenei em primeiro de cada lista os favoritos, que não o são por serem necessariamente melhores, mas pelas chances. O Oscar não é concedido pelo mérito artístico, mas pelo que os votantes da Academia consideram ser meritório. Pelos meus anos de janela, o premio fica entre “Boyhood” e “Birdman”, pela ótima execução de seus projetos complicados. Os acadêmicos são, em geral, profissionais de cinema, então como não se impressionar com um filme feito ao longo de 12 anos e outro que simula uma gigantesco plano-seqüência. E os dois são mesmo os melhores da lista, que poderia incluir ainda “O Grande Hotel Budapeste”, mas vai ser difícil. Em geral, filme e diretor ganham juntos, e é o que deve acontecer este ano, ao contrário de 2014, quando “12 anos de escravidão” foi o melhor filme e Alfonso Cuarón foi melhor diretor por “Gravidade” (justamente pela dificuldade do projeto, ainda que tenha resultado num longa mais ou menos).
Eddie Redmayne em "A Teoria de Tudo"

Entre os atores, a disputa é entre Michael Keaton e Eddie Redmayne, com ligeira vantagem para o segundo. Atuações físicas como a do inglês em geral prevalecem na Academia, sem falar que é sempre mais interessante valorizar um jovem talento a premiar um veterano que teve o papel de sua vida, mas de quem não se espera muito no futuro. A primeira vez que notei Redmayne foi na minissérie "O Pilares da Terra" (que tinha ainda a Agent Carter Halley Atwell) e de lá para cá sua ascensão foi meteórica. A atuação de Cumberbatch e, como sempre, impressionante, mas deve ficar para uma próxima vez.
Julianne Moore, barbada com "Para sempre Alice"
A estatueta de atriz principal é uma barbada. Julianne Moore ganhou tudo até agora, é uma intérprete respeitada por todos e só tem um Urso de Prata de Berlim como premio significativo no cinema (tem cinco indicações ao Oscar).  Azar de Rosamund Pike, que teve o papel de sua vida em “Garota Exemplar”, mas dificilmente leva.
Entre os coadjuvantes, J.K. Simmons é a barbada entre os homens (também ganhou tudo e é um veterano querido entre seus pares) e Patricia Arquette é a favorita entre as mulheres, mesmo parecendo ainda estar no seriado “Medium”.  Achei Emma Stone em “Birdman” melhor, mas acho que deve dar Patricia mesmo.


O sensacional "Relatos selvagens, que pode marcar 3 a O
da Argentina contra o Brasil no Oscar
Os dois principais concorrentes a melhor Filme disputam também Roteiro Original, e quem levar aqui deve ganhar também o grande premio. Há ainda algum interesse em Filme de Animação, mas não tenho a menor idaia de quem leva, e Filme em Lingua Não-Inglesa, que tem entre os indicados o argentino “Relatos selvagens”. Se ganhar, será a terceira vez que los hermanos ganham o Oscar, contra nenhuma do Brasil.  

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Considerações sobre Amor e o Som ao Redor

Vi só agora dois dos mais festejados e importantes filmes do ano passado,   "Amor", de Michael Hanecke, candidato ao Oscar de Melhor Filme mas vencedor da categoria Filme em Língua Não-Inglesa, e "O Som ao Redor", de Kleber Mendonça Filho, Premio Itamatary da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. Como eu suspeitava, "Amor" é o melhor da lista de indicados ao grande premio da Academia, mas Não ganharia nem em um milhão de anos. Essa contradição em termos pode ser explicada em parte pelo fato do Oscar ser um premio da indústria do cinema americano, e um não de arte como a maioria supõe. Mas então por que inclui-lo na lista e preterir o muito mais palatável "Os Intocáveis", que ficou fora da disputa de filme estrangeiro, provavelmente por ser falado no mesmo francês ("Amor" representou a Áustria, apesar de atores e idioma serem da terra de Gèrard Depardieu)? Porque é para isso que a categoria de lingua não-inglesa serve: premiar o Grande Cinema. A indicação a Filme e Diretor foi mais como uma condecoração da parte de Hollywood, reconhecendo a excelência do trabalho de Hanecke, um dos mais eminentes realizadores europeus da atualidade. Mas, repito, sem a intenção de conceder-lhe esses premios principais.
***
Voltando a "Amor" propriamente dito, a escalação de Emanuelle Riva e Jean-Louis Trintignant para os papéis principais deu um toque a mais de crueldade à situação dos personagens, pois todo cinéflo que se preza se lembra do principal papel cinematográfico dela anteriormente, "Hiroshima Mon Amour", em que ela protagonizava uma das mais emblemáticas cenas de amor da história do cinema, e ele como galã de clássicos como "E Deus criou a Mulher" e "Um homem e uma mulher". Essa lembrança acrescenta uma dose de tragédia maior para quem se recorda do casal em plena forma. Embora seja o mais "leve" dos trabalhos de Hanecke, o filme não faz concessões ao horror de um parceiro assistir impotente a agonia e decadência física do outro. Ao mesmo tempo, o "Amor" está presente em todos os momentos entre os personagens de Trintignant e Riva, até mesmo nas cenas mais tensas, incluindo o ato derradeiro.
"O Som ao Redor" também não faz concessões. Trata de uma Recife contemporânea ainda presa aos tempos de "Casa Grande & Senzala". Enquanto o latifúndio rural está decadente a propriedade urbana do senhor de engenho floresce na forma de condomínios com nomes afrancesados (Edifício Camile Claudel é ótimo). Realizado por um crítico de cinema, o filme é cheio de referências, mas não se desvia de seus temas principais por causa deles, ao contrário, os utiliza para sublinhá-los. A especifidade histórica e geográfica se mescla com a universalidade da vida nas cidades grandes atuais, em eterna tensão entre quem tem e quem não tem, a claustrofobia dos condomínios classe média e o crescente reacionarismo desta. A sequencia da reunião de condomínio resume bem tudo isso, mas não poupa o rapaz bem-nascido de boas intenções que defende o velho porteiro em vias e ir para a rua sem receber nada, mas que cai fora da votação diante da perspectiva de uma boa transa.
"Amor" foi exibido durante duas semanas no Multiplex Topazio e "O Som ao Redor" foi o primeiro nacional a ser exibido este ano pelo Cineclube Indaiatuba, programado pelo fotógrafo, compositor, escritor laureado e best-seller local Antonio da Cunha Penna; e este blogueiro.


segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

O melhor show do Oscar dos últimos anos

Não sei até que ponto o ótimo show do Grammy Awards influenciou a 85a cerimônia de entrega dos Premios da Academia de Hollywood, mas acho que contribuiu para que esta fosse o melhor Oscar dos últimos anos em termos de programa. O apresentador Seth MacFarlene abriu o evento com uma piada que desculpou toda a irreverencia - ou piadas politicamente incorretas - que se esperava dele.

O capitão James T. Kirk vem do futuro para alertar Seth MacFarlane
Aliás, a presença de William Shatner como Capitão James T. Kirk no telão foi m momento "geek" que divertiu os rapazes e entediou as moças, o que seria compensado mais tarde pelos diversos números musicais, incluindo todo o elenco de "Os Miseráveis" (ironicamene, em trajes nada misérables) cantando a canção principal. 
Todo o eneco de "Os Miseráveis" cantando em trajes de gala
Antes, Catherine-Zeta Jones havia voltado a "Chicago" em boa forma na dança, mas visivelmente dublada na voz, e uma esguia Jennifer Hudson lembrou sua atuação em "Dreamgirls", sendo aplaudida em pé. A franquia James Bond foi homenageada pelo seus cinquentenario, com apresentação da única Bond Girls oscarizada, Halle Berry, e a presença da veterana Shirley Bassey cantando a emblemática "Goldfinger". Depois de Shirley e seu histrionismo típico, a apresentação de uma muito mais jovem Adele defendendo seu "Skyfall" foi anticlimático, com a intérprete e compositora inglesa visivelmente travada. Mas com a estatueta de Melhor Canção e a de edição de som (em um raro empate com "A Hora mais escura") fez deste o melhor ano de 007 nos Prêmios da Academia. 
Barbra Streisand mostra que ainda canta muito

Outro momentão nostálgico foi a aparição surpresa de Barbra Streisand na homenagem aos falecidos do ano, cantando "The way we were" (de um de seus sucessos, "Nosso amor de ontem"), de Marvin Hamlish, grande compositor morto em 2012. Outra surpresa foi a participação on line da primeira-dama Michelle Obama para o anuncio do melhor filme. Será que Hollywood ficou feliz coma  reeleição de Barack Obama? Sim ou com certeza?
 No todo, o show foi dinâmico, razoavelmente enxuto e bem conduzido por McFarlane (melhor piada, a da Família von Trapp para anunciar Christopher Plummer), que salvo acidente de percurso neste ano, deve voltar no ano que vem. Detalhe, gostei da "homagem" aos perdedores no fim. Foi um momento mal-comportado quando quase todo mundo já havia desligado a TV para dormir.
***
Michelle Obama rouba a cena de Jack Nicholson
Tradicionalmente o primeiro premio a ser anunciado, a categoria ator coadjuvante começou com uma pequena surpresa: a vitória de Christoph Waltz por "Django Livre" (que já havia faturado o "Globo de Ouro") sobre o favorito Tommy Lee Jones por "Lincoln". Não dá para falar em injustiça num páreo em que todos os indicados já tinham suas estatuetas e pelo menos um, Robert De Niro, é uma lenda viva de Hollywood. Na verdade, na disputa entre os dois concorrentes que tratavam sobre a escravidão nos EUA, Tarantino levou pequena vantagem sobre Spielberg. Ambos levaram duas estatuetas, mas "Django Livre" ganhou em duas das categorias principais - ator coadjuvante e roteiro original - enquanto "Lincoln" ganhou em uma principal - ator para Daniel Day-Lewis, a barbada da noite - e uma secundária - direção de arte.
Em animação,  tudo ficou em casa: venceram o bonito curta da Disney "Paperman", que antecedeu "Detona Raplh" nos cinemas; e o longa "Valente, da Pixar,  num dos anos mais fracos desde a criação da categoria em 2002.
"As Aventuras de Pi", filme que muitos amam mas que era visto como azarão, foi o mais premiado da noite, a maioria em categorias técnicas, mas tendo como cereja do bolo o Oscar de direção para Ang Lee, o chines (bom, taiwanes na verdade) mais bem sucedido em Hollywood, mas que andou atirando para todos os lados em sua fase americana (vide seu fraco "Hulk"). É a segunda vitória em três indicações.
Como eu previra, a indicação de "Amor" para Filme e Filme Estrangeiro significava que ele ficaria com o menor mas cada vez mais importante Oscar para filme em idioma não-ingles. Os mesmo já havia acontecido com "O Carteiro e o Poeta".
Tadinha da Jennifer Lawrence, levando um tombo a caminho da glória

A jovem Jennifer Lawrence, revelada há apenas dois anos em "Inverno da Alma", já é praticamente uma estrela de primeira grandeza, tendo duas indicações ao Oscar - e uma vitória - e participações em duas franquias blockbusters, "X-Men" e "Jogos Vorazes". Sua vitória por "O lado bom da vida" é mais ou menos como o premio para Angelina Jolie em 2002, que a catapultou para ser superstar. Já o premio para Anne Hathaway por "Os Miseráveis" consagra uma estrela a quem a Academia queria há muito tempo laurear e só aguardava um trabalho adequado. Mais ou menos como os Oscars para Gwyneth Paltrow por "Shakespeare Apaixonado" e para Julia Roberts por "Erin Brokovich". Trata-se de um lógica de indústria, que é onde a maioria dos votantes trabalha.
Wolverine e Mulher-Gato se abraçam no palco
 Capítulo à parte para Daniel Day-Lewis. A primeira vez que o vi foi em "Minha adorável lavanderia" (1985) de Stephen Frears, em que ele fazia o namorado gay do imigrante indiano dono da tal lavanderia. Tres anos depois o assisti em "A Inustentável Leveza do Ser", de Philip Kaufman, ótima adaptação do péssimo romance de Milan Kundera, como o médico-garanhão que mandava as mulheres tirarem a roupa ("Take off your clothes") e elas obedeciam na hora. Consagrou-se com Oscar em "Meu pé esquerdo" ( de 1989, batendo Kenneth Branagh no magnífico "Henrique V") e depois virou galã em produções como "O último dos moicanos" (1992) e "A época da inocência" (1993). Depois de "O lutador" (1997), resolveu abandonar a atuação e pensou em virar sapateiro, mas aí Martin Scorcese o convenceu a fazer "Gangues de Nova York" (2002), que o animou a continuar o ofício. É o grande ator de sua geração e acaba de fazer história com seu terceiro Oscar como ator principal, superando lendas como Spencer Tracy, Marlon Brando e Tom Hanks
Terceira estatueta de ator principal consagra "o cara" Daniel Day-Lewis

Com a ausência de Ben Affleck entre os concorrentes a melhor diretor - a grande gafe/injustiça do ano - quando "Argo" foi anunciado como melhor roteiro adaptado, o Grande Prêmio já estava no papo. Durante a abertura da transmissão da TNT brasileira, Rubens Edwald Filho disse que este era o ano com os melhores filmes indicados dos últimos anos. Para mim, 2008, ano em que Daniel Day-Lewis ganhou seu penúltimo Oscar, continua sendo o melhor dos últimos anos, com os ótimos "Desejo e Reparação", "Ouro Negro" e "Onde os facos não tem vez" (que acabou levando) disputando cabeça a cabeça, secundados por "Conduta de Risco" e "Juno".Desde então, não tem havido uma páreo como este, e 2013 não é exceção. "Argo" ganhou porque é um thriller melhor que "A hora mais escura", é mais cinema que "Lincoln", mais fácil de entender que "As aventuras de pi", mais "sério" que "O lado bom da vida" (só Frank Capra vencia com comédias romanticas) e mais convencional que "Django livre" ("Os Miseráveis" e "Adorável sonhadora" estavam lá para fazer número). Foi uma boa escolha, mas a disputa deste ano não ficará na história.
Veja a lista completa de indicados e vencedores aqui.
Ben Affleck, injustiçado e ao mesmo tempo grande vencedor da noite


***
 Outro dia o jornal Independent sacou um lista dos maiores filmes esquecidos do Oscar e colocou "Um sonho de liberdade" (perdeu para "Forrest Gump") em primeiro lugar; "À espera de um milagre" (perdeu para "Beleza Americana") em segundo; "Avatar" (perdeu par "Guerra ao Terror") em terceiro; "O Resgate do Soldado Ryan" (perdeu para "Shakespeare Apaixonado") em quarto; "ET" (perdeu para "Gandhi") em quinto; "Star Wars" (perdeu para "Noivo Neurótico, Noiva Nervosa") em sexta; "Mary Poppins" (perdeu para "Minha Bela Dama") em sétimo; "Doutor Jivago" (perdeu para "A Noviça Rebelde") em oitavo; "Pulp Fiction - Tempo de Violência" (perdeu para "Forrest Gump") e "O Sol é Para Todos" (perdeu para "Lawrence da Arábia"). Queria saber qual o critério dessa pesquisa, mas só pode ser coisa de leitor que nunca ouvu falar em "Cidadão Kane" ou "Apocalipse Now". Comentem, por favor.
 

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Pitacos para o Oscar: O Lado bom da Vida e Os Miseráveis

Anne Hathaway em seu momento Oscar
Já comentei aqui "Django Livre" e "Lincoln" dentre os favoritos ao Oscar. Acabo de ver "Os Miseráveis" e na sexta assisti "O Lado bom da Vida". Vamos primeiro ao musical.
Decididamente, se eu não tivesse visto no cinema, dificilmente assistiria em home video. Por diversas vezes rezei por um botão de fast foward. A chuva caia do lado de fora do Polo Shopping e eu me preocupava mais se eu tinha fechado as janelas do carro do que com o filme. Musical da Broadway não é comigo.
Mas deu para chegar a algumas constatações em relação ao Oscar. 1) Anne Hathaway é mesmo a favorita como Atriz Coadjuvante; 2) Hugh Jackman não é páreo para Daniel Day-Lewis e 3) Num ano sem favoritos, pode ser o vencedor do Oscar, mas sem merecer. A longa e complicada trama de Victor Hugo é resumida ao mínimo, e ainda assim deu 158 longos minutos, que a direção de Tobe Hopper faz com que a gente os sinta todinhos. Os alivios cômicos de Sacha Baron Cohen e Helena Bonhan Carter (a antiga especialista em heroínas de época virou a megera de época?) mais enche os culhões do que diverte. Em termos de canto-atuação, Anne realmente "se joga" na sua cena-chave, mas é preciso destacar também a afinação de Amanda Seyfred como Cosette  (personagem que foi resumidíssima) e a competência da desconhecida Samantha Barks como Eponine, papel que ela viveu nos palcos londrinos e no DVD comemorativo dos 25 anos do musical. O garoto Daniel Huttlestone, o Gavroche, também foi pinçado da montagem britânica que ficou em cartaz entre 2010 e 2011. E se Hugh Jackman fez jus à sua formação em musicais na Austrália, Russell Crowe ficou fora do tom, do canto e do personagem. Ainda mais quando lembramos do Javert de Geoffrey Rush na versão de 1998, dirigida por Billie August.

Jennifer e Bradley: ambos indicados, mas ela é que é favorita

"O Lado bom da Vida", por seu lado é uma comédia romântica disfuncional, mas que funciona até para o público masculino. Houve quem se queixasse da previsibilidade, mas se assim não fosse, deixaria de ser comédia romântica. A ótima direção de David O. Russell passou em branco nas indicações do Oscar, Globo de Ouro e do Sindicato dos Diretores. Mas parece que a jovem Jennifer Lawrence vai mesmo levar a estatueta dois anos depois de sua primeira indicação por "Inverno da Alma", confirmando o talento demonstrado nesse drama que foi exibido na cidade pelo Cineclube Indaiatuba. Já a indicação de Bradley Cooper serve mais para dar credibilidade ao astro, que se sai surpreendentemente bem, mas não é páreo para o Abraham Lincoln de Daniel Day-Lewis. Robert de Niro está bem como o pai maníaco? Sim, talvez seja seu trabalho mais a sério dos últimos anos, mas acho que Tommy Lee Jones volta a levar o premio de coadjuvante 19 anos depois de "O Fugitivo".Achei muito melhor que "Os Miseráveis", mas pelo andar da carruagem, não leva a o prêmio principal da Academia.

Dentre os favoritos, falta ainda "A Hora mais Escura". Depois de ve-lo, volta a escrever.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Saem os indicados ao Oscar

Daniel Day-Lewis como Lincoln": hoje, seria barbada para filme, direção e ator

Foram anunciados hoje os indicados ao Prêmio da Academia de Ciências e Artes Cinematográficas de Hollywood, o popular Oscar. Como esperado, "Lincoln", de Steven Spielberg, lidera a lista, concorrendo a 12 estatuetas. Em seguida vem "A História de Pi" (em cartaz em Indaiatuba, de Ang Lee, com 11 indicações. Entre os filmes de língua não-inglesa (os chamados "estrangeiros"), o queridinho do público e cinemas de arte - incluindo o brasileiro - , o frances "Intocáveis", ficou de fora. Em troca, o austríaco "Amor" - mas falado e interpretado em frances - surge como favorito na categoria, já que o diretor Micjhael Hanecke (de "A Fita Branca" e Caché"), está entre os cinco indicados. 
Com o Brasil fora do páreo, "Intocáveis" era o favorito dos frequentadores
de salas de arte, mas ficou fora da disputa
Se a cerimônia de premiação fosse hoje, "Lincoln" seria a barbada para o Melhor Filme, mas as coisas podem mudar com o tempo. Como, em geral, os Oscar de direção acompanha o de filme, então Spielbergo fará a proeza de chegar ao seu terceiro Oscar, entrando para um clube que até agora só tem Frank Capra e William Wyler como sócios (John Ford é o único com quatro estatuetas, e nenhuma por um western...). Daniel Day-Lewis tem tudo para levar sua terceira estatueta como ator principal, o que seria um feito inédito, pois os outros dois com tres premios (Jack Nichilson e Walter Brennan) tem pelo menos um como coadjuvante (Nicholson, um, e Brennan todos os tres).
O páreo entre as atrizes está mais duro, especialmente após a surpreendente exclusão de Anne Hattaway em sua elogiada atuação em "Os Miseráveis". Duas das favoritas, Jessica Chastain e Jennifer Lawrence eram completas desconhecidas há três anos, e são promessas de estrelas e primeira grandeza, se já não o são. Deve ficar entre elas.
Entre os concorrentes a ator coadjuvante, uma curiosidade: todos já ganharam uma estatueta: Philip Seymour Hoffman já ganhou em 2005 por "Capote"; Robert De Niro venceu como coadjuvante em 1975 por "O Podersos Chefão 2" e em 1980 por "O Touro Indomável"; Alan Arkin foi o melhor coadjuvante em 2007 por "A Pequena Miss Sunshine"; Tommy Lee Jones em 1994 por "O Fugitivo" e, finalmente, Christoph Waltz, ganhador do premio de coadjuvante e revelado ao mundo em 2009 por "Bastardos Inglórios" e que pode repetir a dose pelas mãos do mesmo Quentin Tarantino. Quem viu, diz que seu pistoleiro-dentista em "Django Livre" rouba a cena de novo, mas a Academia não interpretará isso como mais do mesmo? Veremos.
Já entre as atrizes secundárias, Sally Field também está prestes a fazer história. Pode se igualar a Ingrid Bergman e Meryl Streep com dois Oscar como principal (que ela já tem) e um como coadjuvante e ficar atrás apenas de Katherine Hepburn, vencedora de inigualáveis quatro prêmios como atriz principal. 
Nas animações, desta vez a Pixar não é favorita, com seu decepcionante "Valente" e na disputa entre animação digital e stop motion, o segundo leva vantagem com tres indicados - "Frankwenie", "Piratas `Pirados" e "ParaNorman" - contra dois do primeiro tipo, "Valente" e "Detona Ralph", ambos do conglomerado Disney.
Veja todos os indicados:
MELHOR FILME
"Indomável Sonhadora"
"O Lado Bom da Vida"
"Lincoln"
"A Hora Mais Escura"
"As Aventuras de Pi" (em cartaz no Topázio de Indaiatuba)
"Os Miseráveis"
"Amor"
"Django Livre"
"Argo" (já exibido em Indaiatuba)

MELHOR DIREÇÃO
Michael Haneke – “Amor”
Benh Zeitlin - “Indomável Sonhadora”
Ang Lee – “As Aventuras de Pi”
Steven Spielberg – “Lincoln
David O.Russell – “O Lado Bom da Vida”
MELHOR ATOR
Daniel Day Lewis - “Lincoln”
Denzel Washington - “Flight”
Hugh Jackman – “Os Miseráveis”
Bradley Cooper - “Silver Lining Playbook”
Joaquin Phoenix – “The Master”
MELHOR ATRIZ
Jessica Chastain – “A Hora Mais Escura”
Jennifer Lawrence – “O Lado Bom da Vida”
Emmanuelle Riva – “Amour”
Quvenzhané Wallis – “Indomável Sonhadora”
Naomi Watts – “O Impossível”
MELHOR ATOR COADJUVANTE
Christoph Waltz - "Django Livre"
Philip Seymour Hoffman - "The Master"
Robert De Niro – “O Lado Bom da Vida”
Alan Arkin – “Argo”
Tommy Lee Jones – “Lincoln”
MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
Amy Adams – “The Master”
Sally Field – “Lincoln”
Anne Hathaway – “Os Miseráveis”
Helen Hunt – “The Sessions”
Jacki Weaver – “O Lado Bom da Vida”

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL
“Amor” - Michael Haneke
"Django Livre” – Quentin Tarantino
“Flight” – John Gatins
“Moonrise Kingdom” – Wes Anderson e Roman Coppola
“A Hora Mais Escura” – Mark Boal
MELHOR ROTEIRO ADAPTADO
“Argo” – Chris Terrio
“Adorável Sonhadora” – Lucy Alibar e Benh Zeitlin
“As Aventuras de Pi” – David Magee
“Lincoln” – Tony Kushner
“O Lado Bom da Vida” – David O.Russell
MELHOR FILME ESTRANGEIRO
"Amor"
"Kon-Tiki"
"No"
"O Amante da Rainha"
"War Witch"

MELHOR ANIMAÇÃO (todos já exibidos em Indaiatuba)
"Valente", de Mark Andrews e Brenda Chapman
"Frankenweenie", de Tim Burton
"ParaNorman", de Sam Fell e Chris Butler
"Piratas Pirados", de Peter Lord
"Detona Ralph", de Rich Moore (único ainda em cartaz)
MELHOR FIGURINO
“Anna Karenina” – Jacqueline Durran
“Os Miseráveis” – Paco Delgado
“Lincoln” – Joanna Johnston
“Espelho, Espelho Meu” – Eiko Ishioka
“Branca de Neve e o Caçador” – Colleen Atwood

MELHOR DOCUMENTÁRIO
“5 Broken Cameras”
“The Gatekeepers”
“How to Survive a Plage”
“The Invisible War”
“Searching for Sugar Man”

MELHOR DOCUMENTÁRIO DE CURTA-METRAGEM
“Inocente” – Sean Fine e Andrea Nix Fine
“Kings Point” – Sari Gilman e Jedd Wider
“Mondays at Racine” – Cynthia Wade e Robin Honan
“Open Heart” – Kief Davidson e Cori Shepherd Stern
“Redemption” – Jon Alpert e Matthew O’Neill