sábado, 21 de fevereiro de 2015

And the Oscar goes to...

Amanhã acontece mais uma cerimônia de premiação da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood, mais conhecido como Oscar. No Brasil, a maior festa do cinema pode ser visto pelo canal pago TNT a partir das 20h30 e na Globo só depois do Big Brother Brasil, lá pelas 23h45.

Michael Keaton em "Birdman"
No páreo principal estão “Birdman (ou a Inesperada virtude da ignorância)”, “Boyhood – da Infância à Juventude”, “O Grande Hotel Budapeste”, “O Jogo da Imitação”, “A Teoria de Tudo”, “Whiplash: Em busca da perfeição”, "Selma" e “Foxcatcher: Uma história que chocou o mundo”. Concorrendo a melhor diretor estão Alejandro González Inárritu (“Birdman”), Richard Linklater (“Boyhood”), Bennet Miller (“Foxcatcher”), Wes Anderson (“Grande Hotel Budapeste”) e Morten Tyldum (“O Jogo da Imitação”). Os atores principais indicados são Eddie Redmayne (“A Teoria de Tudo”), Michael Keaton (“Birdman”), Bennedict  Cumberbatch (“O Jogo da Imitação”), Steve Carrell (“Foxcatcher”) e Bradley Cooper (“Sniper Americano”). As atrizes principais são Julianne Moore (“Para sempre Alice”), Felicity Jones (“A Teoria de Tudo”), Marion Cottilard (“Dois dias, uma noite”), Rosamund Pike (“Garota exemplar”) e Reese Witherspoon (“Livre”). A disputa para ator coadjuvante está entre J.K. Simmons (“Whiplash”), Robert Duvall (“O Juiz”), Ethan Hawke (“Boyhood”), Edward Norton (“Birdman”) e Mark Ruffalo (“Foxcatcher”). As indicadas a atrizes coadjuvantes são Patricia Arquette (“Boyhood”), Laura Dern (“Livre”), Keira Knightley ("O Jogo da Imitação”), Meryl Streep (“Caminhos da floresta”) e Emma Stone (“Birdman”). Vamos nos focar nesses, que são os de maior interesse geral.

As mudanças ao longo de 12 anos em Boyhood
Eu já ordenei em primeiro de cada lista os favoritos, que não o são por serem necessariamente melhores, mas pelas chances. O Oscar não é concedido pelo mérito artístico, mas pelo que os votantes da Academia consideram ser meritório. Pelos meus anos de janela, o premio fica entre “Boyhood” e “Birdman”, pela ótima execução de seus projetos complicados. Os acadêmicos são, em geral, profissionais de cinema, então como não se impressionar com um filme feito ao longo de 12 anos e outro que simula uma gigantesco plano-seqüência. E os dois são mesmo os melhores da lista, que poderia incluir ainda “O Grande Hotel Budapeste”, mas vai ser difícil. Em geral, filme e diretor ganham juntos, e é o que deve acontecer este ano, ao contrário de 2014, quando “12 anos de escravidão” foi o melhor filme e Alfonso Cuarón foi melhor diretor por “Gravidade” (justamente pela dificuldade do projeto, ainda que tenha resultado num longa mais ou menos).
Eddie Redmayne em "A Teoria de Tudo"

Entre os atores, a disputa é entre Michael Keaton e Eddie Redmayne, com ligeira vantagem para o segundo. Atuações físicas como a do inglês em geral prevalecem na Academia, sem falar que é sempre mais interessante valorizar um jovem talento a premiar um veterano que teve o papel de sua vida, mas de quem não se espera muito no futuro. A primeira vez que notei Redmayne foi na minissérie "O Pilares da Terra" (que tinha ainda a Agent Carter Halley Atwell) e de lá para cá sua ascensão foi meteórica. A atuação de Cumberbatch e, como sempre, impressionante, mas deve ficar para uma próxima vez.
Julianne Moore, barbada com "Para sempre Alice"
A estatueta de atriz principal é uma barbada. Julianne Moore ganhou tudo até agora, é uma intérprete respeitada por todos e só tem um Urso de Prata de Berlim como premio significativo no cinema (tem cinco indicações ao Oscar).  Azar de Rosamund Pike, que teve o papel de sua vida em “Garota Exemplar”, mas dificilmente leva.
Entre os coadjuvantes, J.K. Simmons é a barbada entre os homens (também ganhou tudo e é um veterano querido entre seus pares) e Patricia Arquette é a favorita entre as mulheres, mesmo parecendo ainda estar no seriado “Medium”.  Achei Emma Stone em “Birdman” melhor, mas acho que deve dar Patricia mesmo.


O sensacional "Relatos selvagens, que pode marcar 3 a O
da Argentina contra o Brasil no Oscar
Os dois principais concorrentes a melhor Filme disputam também Roteiro Original, e quem levar aqui deve ganhar também o grande premio. Há ainda algum interesse em Filme de Animação, mas não tenho a menor idaia de quem leva, e Filme em Lingua Não-Inglesa, que tem entre os indicados o argentino “Relatos selvagens”. Se ganhar, será a terceira vez que los hermanos ganham o Oscar, contra nenhuma do Brasil.  

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Nós somos Charlie, sem adendo

Passada uma semana do atentado contra a revista Charlie Hebdo, ataque terrorista que ainda se estendeu em tiroteios num supermercado kosher e numa planta industrial, totalizando 17 vítimas e três terroristas abatidos, muita coisa ainda há que se esclarecer e debater.
Percebi em muita gente no Brasil a indignação com os atentatos, mas com o adendo de "ah, mas os cartuns eram mesmo insultantes", meio que dando uma justificativa aos terroristas. Como bem notaram Laerte e Luis Fernando Veríssimo, humor como do "Charlie Hebdo" fazem parte de uma tradição cultural francesa, que jamais seria aceita no Brasil e nos EUA. Aqui, prevalece uma certa acomodação, além de uma recente intolerância com o outro, que foi exacerbado nas últimas eleições. Não era bem assim nos tempos do Pasquim, que tinha com um de seus lemas "liberdade é passar a mão na bunda do guarda". Nos EUA da correção política e do puritanismo disfarçado ou não, seria até pior, como o New York Times opinou em editorial.
O que não deveria mudar é a questão de que, seja lá o que seja escrito ou desenhado, nada justifica matar o outro. A caneta pode ser mais forte que a espada, mas não que uma rajada de AK-47. Nem "aproveitar o ensejo" e matar pessoas somente por serem de uma determinada etnia. E ainda o que é esperado por quem idealizou esses crimes, instigar a islamofobia para justificar uma guerra que consideram santa.
O que está em jogo não é somente a liberdade de expressão, mas a intolerância de todas as formas, seja contra quem é considerado iconoclasta, herege, pagão, raça inimiga; ou seja, o outro. No Brasil, felizmente, deixamos de matar por causa da religião há alguns séculos, mas ainda resta a homofobia, a discriminação racial e social, e o que anda crescendo assustadoramente, o ódio contra quem tem convicções políticas diferentes. No último caso, a coisa ainda está somente nas rede sociais, mas num tom que não diminuiu após as eleições.  Para os gays, pretos e pobres, as agressões e mortes são reais, praticados não apenas por intolerantes civis, como pela própria polícia.
Acontecimentos marcantes como este deveriam servir para refletir não como somos vítimas em potencial, mas a respeito do agressor adormecido em nós. A maioria das pessoas não são terroristas, mas deveriam pensar em quão intolerantes podem ser, podemos ser.

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

The Newsroom e o jornalismo ideal em tempo de cólera

Nos últimos dias fiz uma maratona da primeira temporada de The Newsroom, da HBO. Já tinha assistido a segunda temporada numa dessas semanas em que o sinal é liberado (sou pobre, só tenho o pacote básico) e conhecer o início da trama só confirmou a ótima impressão que tive da série.

A moda pode ser os universos delirantes de Walking Dead e Game of Thrones, mas em The Newsroom, Aaron Sorkin consegue um mundo ficcional muito próximo da realidade, ajudando o espectador a compreender o funcionamento da imprensa e da política americanas. Ele já havia criado "The West Wing: Bastidores do Poder", a melhor obra audiovisual sobre como é feita a política nos EUA (que, no fundo, se parece muito com qualquer democracia representativa, incluindo o Brasil).

À exemplo da Camelot criada em torno do presidente Jed Bartlett (Martin Sheen), Sorkin cria uma redação ideal em torno do âncora Will McAvoy (Jeff Daniels, um ator que trafega com tranquilidade entre o drama e o humor), do noticiário de horário nobre, que detém a segunda maior audiência entre os canais a cabo, mas tem se acomodado nessa condição. Tido muda quando o diretor do canal, Charles Skinner (Sam Waterston, vindo de quase duas décadas de "Law and Order"), chama de volta a antiga produtora-executiva e ex-namorada de Will, Mckenzie McHale (Emily Mortimer, de "A Invenção de Hugo Cabret"), para chacoalhar a redação. O desafio proposto à nova nova equipe, que inclui o editor-senior Jim Harper (John Galagher Jr.), é criar uma pauta relevante e esclarecedora ao eleitorado americano, para que ele possa fazer escolhas lúcidas nas urnas. Para isso, o republicano Will passa a atacar o Tea Party implacavelmente, a ponto de chamá-lo de "Talibã Americano"; notícias que são manchetes na concorrência, como a mãe acusada de matar sua filhinha, são desprezadas; celebridades, metereologia e outros assuntos "carne-de-vaca" são eliminados.

A ação acontece poucos anos antes do tempo atual, e as notícias cobertas pela equipe são verdadeiras; então o público sabe de antemão o que acontece (se for minimamente informado), casos da Primavera Egípcia, da ameaça nuclear em Fukushima e da morte de Osama Bin Laden (onde descobrimos que não somos só nós que às vezes confundimos Osama com Obama). A exceção é a gigantesca "barriga" provocada pela militantismo de uma produtor temporário e a má fé de uma fonte, cujos desdobramentos atravessam toda a segunda temporada, que se passa durante a campanha presidencial que resultará no segundo mandato de Barack Obama.

Questões como jornalismo versus entretenimento; como a imprensa deveria informar os eleitores para que eles façam boas escolhas na urna ao invés de tentar manipulá-los a escolher este ou aquele; a crescente polarização política que vai transformando divergência de opiniões em ódio; são temas comuns tanto aqui como lá, e que são abordados no seriado de forma adulta, educativa e sem o cinismo de "House of Cards", por exemplo. No mundo de "The Newsroom", que se parece muito com o nosso, boa política e jornalismo relevante são coisas possíveis, apesar de tudo.

Recomendo, principalmente os colegas jornalistas, que assistam a série. Quem não tem HBO, pode alugar na locadora (se você tiver mais de 60 anos), ou usar os inúmeros recursos disponíveis na web, do torrent ao on demand alternativo, se é que você me entende. Abaixo, o trailer da terceira e última temporada que estreia por lá dia 9 deste mes.




terça-feira, 30 de setembro de 2014

Cineclube Indaiatuba exibe "Era uma vez em Nova York"

O Cineclube Indaiatuba exibe hoje o filme "Era uma vez em Nova York" às 19h, no Multiplex Topázio do Shopping Jaraguá.
Em 1921, as irmãs polonesas Magda (Angela Sarafyan) e Ewa Cybulski (Marion Cotillard) partem em direção a Nova Iorque, em busca de uma vida melhor. Mas, assim que chegam, Magda fica doente e Ewa, sem ter a quem recorrer, acaba nas mãos do cafetão Bruno (Joaquin Phoenix), que a explora em uma rede de prostituição. A chegada de Orlando (Jeremy Renner), mágico e primo de Bruno, mostra um novo amor e um novo caminho para Ewa, mas o ciúme do cafetão acaba provocando uma tragédia.
Pelo menos um crítico - Sérgio Alpendre, para a Folha e São Paulo - o considerou "o melhor filme do ano" (leia resenha aqui). O diretor James Gray tem uma filmografia bissexta, endo estreado há 20 anos com "Fuga para Odessa" e voltando a assinar uma obra só em 2000, com "Caminhos sem volta". Começa aí sua colaboração com o talentoso ator Joaquin Phoenix, com quem faria também "Os Donos da Noite" (2007), "Amates" (2008) e este "Era uma vez em Nova York", de 2013.

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

O Dia em que o Século XXI começou

Eric Hobsbawn, em sua “Era dos Extremos”, considera que o curto século XX começou na Revolução Russa e acabou justamente no fim da União Soviética, em 1991. Não sei como vai se chamar o intervalo de dez anos, mas o século XXI efetivamente começou no dia 11 de setembro de 2001.

Se, como pretendia Francis Fukuyama, a história acabou quando os Estados Unidos da América se tornaram a única superpotência do planeta, ela recomeçou quando seu poder foi colocado a prova por inimigos em tese pequenos, mas que conseguiram aplicar o maior golpe no orgulho americano desde o ataque a Pearl Harbor, em 1941. Os americanos já haviam sido vítimas de ataques terroristas há muito tempo, inclusive um frustrado contra o mesmo World Trade Center em 1993, mas o que aconteceu há exatos 13 anos superou até mesmo as mentes imaginativas de Hollywood. O resultado do dia: as Torres Gêmeas de Nova York no chão, um rombo no Pentágono e um avião no chão, supostamente por intervenção dos próprios passageiros antes que ele atingisse o alvo dos sequestradores da Al Qaeda.

A partir daí, tudo muda. Em nome da Guerra ao Terrorismo os americanos invadem o Afeganistão e o Iraque; prendem suspeitos em prisões por vezes clandestinas, usando tortura física e psicológica para obter informações; invadem a privacidade de seus cidadãos e os de outros países (inclusive os de chefes de governo aliados). Atentados contra membros da Otan, Espanha e Inglaterra, são bem sucedidos, mas os EUA executam Saddan Hussein (que não tinha nada a ver com o 11 de setembro) e matam diversos líderes da Al Qaeda, inclusive Osama Bin Laden, a maior vitória simbólica dessa guerra.

Os Bric (Brasil, Rússia, Índia e China), nações de economia emergente, demandam uma posição mais relevante no tabuleiro global, mas ainda estão longe de fazer sombra ao poder efetivo dos EUA e seus aliados mais próximos. Drones inventados para espionar e atacar suspeitos de terrorismo passam a fazer pare do cotidiano , sendo usados até por paparazzi para espionar celebridades

Passados 13 anos, como está o mundo hoje? O terrorismo está longe de acabar e o ódio aos americanos só aumentou em todo o mundo islâmico. A Primavera Árabe ao invés de levar democracia à Líbia, Egito e Síria, criou o Estado Islâmico (EI), uma horda de combatentes sob a bandeira do Jihad, que executa qualquer um que não seguir sua linha fundamentalista, mesmo que também muçulmano. Ameaçam a parca estabilidade da região diante de uma Otan indignada mas pouco disposta a enviar soldados para combatê-los diretamente. O perigo é tão imediato que fez a Casa Branca se aliar a um inimigo histórico, o Irã, para tentar deter o que é chamado em inglês de Isis (The Islamic State of Iraq and the Levant ). A decapitação de um americano transmitida para mundo via Internet levou o presidente Barack Obama a prometer destruir o Estado Islâmico, mas em final de mandato, ele não tem condições de fazer muito mais que intensificar os ataques aéreos e armar os inimigos de seu inimigo. O enorme pode militar dos EUA é limitado pela pouca disposição do público interno em aceitar o custo humano e financeiro de novas aventuras intervencionistas, principalmente após o desgaste de duas ocupações simultâneas no Afeganistão e no Iraque.

Resumindo, o 11 de setembro de 2001 tornou este novo século muito distante da Nova Ordem Mundial alardeada por George Bush Sr. na vitória na I Guerra do Iraque.


terça-feira, 12 de agosto de 2014

O legado de Robin Williams

Quando Robin Williams virou polêmica ao ironizar a vitória do Rio de Janeiro sobre Chicago na disputa pelos Jogos Olímpicos de 2016, dizendo que a eleição se devia às 50 strippers e ao meio quilo de pó enviadas pela delegação brasileira ao Comitê Olímpico (piada pouco mais agressiva que os dois episódio dos Simpsons ambientados aqui), o que me veio à lembrança foi ator que muitas vezes deixava sua verve histriônica ofuscar seu papel e cujo único  sucesso nos anos recentes era como coadjuvante de Ben Stiller na franquia “Uma Noite no Museu”.

No entanto, após o anúncio de sua morte ontem, dia 11, o que nos vem à lembrança são os inúmeros trabalhos inesquecíveis do ator. Poucos podem se orgulhar de um currículo desses.
Após o início de carreira no cinema desastroso com “Poppeye” (1980), dirigido por um improvável Robert Alrman, Williams fez alguns filmes que chamaram a atenção como “O Mundo Segundo Garp” (1982), “Moscou em Nova York” (1984) e “Clube Paraíso (1986). Ele também havia emplacado uma popular sitcom na TV chamado “Morky & Mindy”, que nunca foi exibido no Brasil.

Se o talento já era reconhecido pela crítica, ele se tornou conhecido pelo grande público a partir de “Bom dia, Vietnã” (1987) com seu famoso bordão “Goood morning, Vietnam” (que lhe deu a primeira indicação ao Oscar); e dois anos depois com “Sociedade dos Poetas Mortos (1989), sua segunda indicação ao Prêmio da Academia de melhor Ator, apesar da pedagogia duvidosa defendida no roteiro. Em 1990, em “Tempo de Despertar”, ajudou Robert De Niro a obter sua primeira indicação desde o Oscar de “Touro Indomável”.

Com o belo “Pescador de Ilusões”, de 1991, vem a terceira indicação á estatueta dourada. Nesse momento Williams já estava entre os principais nomes da indústria, a ponto de Steven Spielberg escalá-lo para o dream team de seu ambicioso – e fracassado – “Hook, a Volta do Capitão Gancho”, também de 1991. Se a superprodução afundou, o mesmo não se pode dizer de seu Peter Pan, cujo intérprete caiu como uma luva fazendo o menino que se liberta do corpo do adulto careta. 

No ano seguinte, veio mais um marco na carreira, ao fazer a voz do Gênio de “Aladdin”.A introdução do personagem, em que Williams imita inúmeras celebridades e diversos sotaques como uma metralhadora de gags (abaixo).


 iniciou a tendência de se contratar atores consagrados para dar voz a personagens de animações da Disney – que também foi seguido pela Pixar – do outro abriu as comportas do histrionismo de Williams, que a partir daí passou a improvisar mais do que interpretar. O megasucesso de “Uma babá quase perfeita” marcou o auge da popularidade.

Em 1995, mais dois grandes sucessos, “Jumanji”, um clássico da Sessão da Tarde, e “Gaiola das Loucas”, em que ele resuma a dança americana em cinco segundo ao aspirante a bailarino-bofe (abaixo).


Em 1997, trabalha com Woody Allen em “Desconstruindo Harry” e contribui para que “Gênio Indomável” coloque a dupla Matt Damon e Bem Affleck no mapa de Hollywood, levando, de quebra o tão ambicionado Oscar (de Ator Coadjuvante). Sua atuação em “Patch Adams, o Amor Contagia”, no ano seguinte, contribui, no mínimo, para que os Doutores da Alegria se multipliquem no diversos hospitais de tratamento de câncer infantil. “Amor Além da Vida” deve ser o trabalho que seus fãs espíritas lembraram no dia de ontem.

Após a consagração do premio da Academia, sua carreira parece entrar no mais do mesmo. Em 1999 tenta repetir “A vida é bela” com “Um sinal de esperança” e se repete em “O Homem Bicentenário”. Tenta se reinventar como psicopata em dois bons trabalhos, “Retratos de uma Obsessão” e “Insônia” (2002), que poucos viram.
A partir de então, como dissemos na abertura deste texto, suas atuações mais lembradas são como o Ted Roosevelt nos dois “Uma Noite no Museu” e usando apenas a voz em “Happy Feet”.

Aos 63 anos, não tão velho para um comediante, ainda poderia oferecer muito ao seu público. Pena que não houve tempo. 

segunda-feira, 14 de julho de 2014

Ao vencedor, as kartoffeln *

Shweinsteiger e Podolski comemoram a conquista
Podia ter sido pior. Depois da vexatória derrota para a Alemanha na semifinal e em seguida para a Holanda na disputa do 3º lugar, só faltava a Argentina se sagrar campeã em pleno Maracanã. Felizmente para o que resta do orgulho nacional, os alemães repetiram os espanhóis há quatro anos e bateram um adversário encardido com um gol na prorrogação, marcado por Mario Götze, que saiu do banco para fazer história.

Foi ótimo não apenas pela nossa rivalidade de vizinhos com a Argentina, mas pelo futebol apresentado pela Alemanha, que deve ditar a moda nos próximos anos, assim como fez a Espanha após suas duas Eurocopas e a Copa da África do Sul. Enquanto los hermanos conseguiram montar, enfim, uma defesa sólida para esperar um lampejo de gênio de Messi, os germânicos buscavam alternativas para furar o bloqueio adversário. É certo que ficaram muito perto de levar um gol no contra-ataque – especialmente na inacreditável chance perdida por Higuaín (que lembra a de Robben diante de Casillas há quatro anos) e outra de Messi – mas também meteram uma bola na trave numa cabeçada do zagueiro .

O gol redentor na prorrogação acabou fazendo justiça a uma campanha mais sólida, mesmo considerando as dificuldades contra africanos, e o time mais simpático. Pode ter sido marketing – e provavelmente foi – mas conquistou a torcida brasileira. A maioria torceu pelos alemães mesmo depois dos 7 a 1, e torceria mesmo que seu oponente não fosse a Argentina.

Fala-se agora o planejamento feito a partir da eliminação diante da Croácia em 1998 por 3 a 0, e posterior vexame na Eurocopa de 2000, que resultou em mudanças nas categorias de base de todos os times da Bundesliga. Isso resultou na melhor geração do futebol germânico em muito tempo, possivelmente desde Beckenbauer e Gerd Muller. Lembrando que Shweinsteiger, Philip Lamm, Mertesacker e  Klose estavam na seleção que perdeu a Copa em casa em 2006. A fusão com a excelente turma revelada em 2010, mais outros que estrearam este ano, resultou no time campeão de 2014.


Isso é algo que o Brasil não tem tido. Nas categorias de base, as promessas são vendidas quase nas fraldas para o mercado exterior, não havendo tempo de amadurecerem aqui. A exceção é o Santos, e o resultado, entre outros, é Neymar. Foi-se o tempo em que os craques davam em árvores por aqui. Um dos responsáveis são escolinhas, que produzem meio-campistas caneludos, enquanto a tendência mundial são primeiros volantes que armam as equipes lá de trás, casos de Pirlo, Shweinsteiger e Mascherano nesta Copa (no Barcelona ele é zagueiro). Nós tínhamos Luiz Gustavo, ótimo no desarme mas péssimo para sair jogando. Com a decadência de Paulinho, nem segundo volante decente tínhamos.  E a chamada melhor zaga do mundo fez pixotadas dignas da várzea, ou de casados x solteiros. O que foi o lance da expulsão de Thiago Silva? E o cabeceio para o meio da área de David Luiz no segundo gol da Holanda. Acabou-se a segunda Era Felipão, mas o que virá depois? Não seria tempo de arriscar um estrangeiro? Quiçá, um argentino?

Messi: a cara da decepção


*batatas em alemão

quinta-feira, 10 de julho de 2014

A Copa e os 7 a 1

Como todos os brasileiros, especialmente aqueles que amam o futebol,  acordei ontem e cabeça inchada tentando digerir os 7 a 1, mas fiquei mais chocado com as manchetes sensacionalistas e com o oportunismo de diversos analistas esportivos. Poucos foram equilibrados e sensatos como Tostão, avaliando a chamada “tragédia” como o que foi de fato: uma partida de futebol. E, não, não foi pior que 1950 porque não foi no último jogo e o Brasil não vinha fazendo uma campanha que a colocasse como favorita. Com os desfalques de Neymar e Thiago Silva, a derrota não era surpresa dessa vez. Só não se esperava que fosse desse tamanho.

A derrota – humilhante,  é verdade – da seleção brasileira em casa deve ser separada da Copa em si, esta sim, um sucesso, independente da campanha da anfitriã. Na era moderna do futebol, Itália em 90 e Alemanha em 2006 fizeram a Copa e não levaram. A vida continuou e ambas as seleções continuaram entre as melhores do mundo. O torneio no Brasil já se coloca como um dos melhores já realizados, em números, calor humano e até em mobilidade.
Antes dessa terça, já estava claro que o Brasil também não levantaria a taça. Sabedor da inferioridade de seu time, Felipão tentou surpreender o técnico alemão escalando Bernard. Mas foi Joachim Löw quem deu o golpe de mestre.

Ao escalar Miroslav Klose no inicio da partida – coisa que não havia feito em nenhum jogo até então – o treinador alemão acrescentou um ingrediente à tensa semifinal, o tal recorde de gols em Copas então em pode de Ronaldo, para o qual fazemos o maior carnaval e os alemães não estão nem aí. Criou obviamente uma preocupação a mais para a improvisada defesa brasileira, e o resultado foi o gol no primeiro escanteio, feito por um desmarcado Thomas Muller, enquanto todo mundo estava pulando com o veterano centroavante de 36 anos. O minutos seguintes foi resultado de um time que se jogou ao ataque na base apenas da vontade contra um adversário organizado e repleto de jogadores de qualidade, especialmente no meio-de-campo. E o gol de Klose a seguir, superando a marca do ídolo daqueles garotos, foi o que de menos ruim aconteceu. Foi tão atordoante que o próprio Luis Felipe Scolari ficou atônito no banco, sem saber o que fazer: só mexeu no time no intervalo, quando a vaca já tinha ido para o brejo.

Pode parecer um contrasenso, mas o placar jamais seria tão elástico se o jogo não fosse no Brasil. A obrigação de mostrar serviço em casa fez o time se atirar irresponsavelmente para cima da Alemanha. Lembrou o mito, criado pela propaganda nazista, da Cavalaria Polonesa fazendo carga sobre as Divisões Panzer em 1939. Historiadores militares modernos dizem que isso nunca aconteceu, mas o massacre do Mineirão, sim.


Como escreveu Tostão em sua coluna na Folha de S. Paulo: “Os jogadores, Felipão e a comissão técnica têm de ser criticados por erros técnicos, mas não devem ser massacrados. Eles trabalharam com seriedade e fizeram tudo para o Brasil ser campeão”.  Acima de tudo, se isso servir como ponto de partida para um saneamento na CBF e do que cerca o futebol brasileiro, não terá sido em vão.

segunda-feira, 7 de julho de 2014

Semifinal é briga de cachorro grande

David Luis, o grane jogador do Brasil até aqui
As surpresas das quartas-de-final não sobreviveram para as semis, que reúnem três campeões mundiais e uma seleção com três finais nas costas. É a primeira vez que os jogos dessa fase reproduzem duas finais de Copa anteriores (Argentina x Holanda em 1978 e Brasil x Alemanha em 2002), a primeira desde 1970 em que dois sulamericanos são semifinalistas e a primeira da Argentina desde 1990.
Para o Brasil, confirmaram-se duas tradições: desde que entramos no primeiro mundo do futebol, em 1938, não somos eliminados por times “pequenos”, e desde 1990 não saímos nas oitavas (aliás, isso só aconteceu duas vezes desde a primeira Copa na França: em 1966 e 90).
O que esperar da partida de terça contra a Alemanha? A ausência de Thiago Silva e principalmente Neymar tira do time a obrigatoriedade da conquista da Copa, colocada como obrigação pelo técnico Luis Felipe Scolari, que nada mais verbalizou algo que estava na cabeça e todos os brasileiros. A vantagem germânica é grande, mas o peso do favoritismo deixa os ombros da seleção nacional e o fator casa continua a nosso favor.

Dá pra ganhar da Alemanha, que já sofreu contra dois adversários africanos, mas será que dá para levar a Copa? Aí já é outra história. E se for pra perder no fim de semana, que seja para a Holanda. Durma-se com o barulho de um novo Maracanazzo, desta vez para a Argentina...

quarta-feira, 2 de julho de 2014

Copa do Mundo no Brasil: Não tá fácil pra ninguém!

Wim Wenders filmou "O medo do goleiro diante do pênalti", o que não é o
caso de Julio Cesar
Passado o estresse da decisão por pênaltis contra o Chile, veio o alívio e depois a apreensão: "se sofremos assim contra fregueses tradicionais, que dirá contra os cachorros grandes?" Pois todos os favoritos sofreram nos demais jogos, mas acabaram passando, fazendo que com essa seja a primeira copa em que todos os líderes de chave fase de grupos se classificaram á quartas-de-final. O único jogo que pode ser considerado tranquilo foi justamente o do nosso adversário de sexta, a Colômbia, que pegou um ex-campeçao do Mundo, o Uruguai, mas desfalcado e traumatizado de e por Luisito Soares.
Todas as demais partidas foram duras e emocionantes. A Holanda teve que virar contra o México nos 6 minutos finais, graças à covardia do técnico Miguel Herrera e não a um suposto pênalti mal marcado (na verdade, bem marcado). A Costa Rica também precisou dos pênaltis para vencer a valentia e a defesa de Esparta, digo, Grécia. A França tirou a brava Nigéria também com dois gols no final e depois de ser encurralada em boa parte do jogo; a Alemanha precisou da prorrogação para vencer a também corajosa Argélia por 2 a 1. Finalmente, ontem, a Argentina também foi ao tempo extra para bater a covarde Suiça, num descuido por cansaço do meio de campo, mas quase viu a casa cair numa bola na trave no finalzinho da prorrogação (eu adivinhei que os hermanos iam dizer que foi "a trave de Deus"); e Bélgica e EUA fizeram o que foi talvez o mais belo jogo das oitavas, decidido igualmente no tempo extra, com grande atuação do goleiro Howard, dois gols belgas nos primeiros 15' e um surpreendente desconto dos americanos no segundo tempo, deixando os ianques de cabelo em pé.
A dificuldade encontrada pelos grandes favoritos contra os chamados pequenos deve-se mais ao
O México repetiu sua triste sina de "jogar como nunca e perder como sempre"
crescimento dos segundos que por decadência dos primeiros. Se houve uma nivelação, foi por cima e não por baixo, como notou Julio Gomes em sua coluna no UOL (clique aqui). Com as partidas da fase de grupos disponíveis para todo mudo, ficou fácil para os técnicos estudarem os adversários e se prepararem devidamente. O que prevaleceu no fim foi o maior poder de finalização - que os africanos não tiveram - , preparo físico e, é claro, camisa, que não ganha jogo sozinha, mas, pelos resultados até agora, acabaou prevalecendo.
O que esperam das quartas-de-final, que começam nesta sexta? França e Alemanha duisputarão o grande clássico dessa fase, rigorosamente sem favoritos, mas com a Alemanha ligeiramente em desvantagem por ter disputado uma desgastante prorrogação na segunda-feira. Holanda e Costa Rica tem tudo para fazer um grande jogo ais ao gosto do time caribenho que dos batavos, mas se tudo o mais não der certo, eles tem Robben numa grande fase. A Argentina e franca-favorita contra a Bélgica, ambas desgastadas por terem disputado a prorrogação mas os segundos saíram mais "quebrados" de campo.
Finalmente, e o Brasil? Claro que ainda somos favoritos e podemos ganhar, mas vai ser preciso mudar quase tudo no time, de algumas peças à atitude. O jogo de sábado tornou-se difícil devido ao desequilíbrio emocional após o gol de empate chileno - de resto, uma bobeira geral - que deu moral e espaço ao adversário. O mais experiente, o goleiro Julio Cesar, fez sua parte, mas não pode sair levantando a moral do time inteiro. Está na cara que Thiago Silva não tem estofo para ser capitão e que jogadores-chave no esquema de Felipão não estão funcionando. Do outro lado, à parte a festa feita em torno de James Rodríguez, principalmente por causa do golaço contra o Uurguai, o jogador mais perigoso da Colômbia é Cuadrado (assinantes da Folha de S. Paulo e do UOL podem ler clicando aqui). Felipão deve ter visto isso e deve tomar prvidências.