terça-feira, 8 de março de 2016

Filmes para assistir no Dia Internacional da Mulher

Marcos Kimura

Em janeiro, o Cineclube Indaiatuba exibiu “As Sufragistas”, de Sara Gravon, que bateu o recorde de público em 10 anos de atividade dessa sessão especial dos cines Topázio. É interessante também notar que o recorde anterior era do filme “A Separação”, que embora não tratasse diretamente do feminismo, abordava os papéis de homem e mulher na família numa sociedade regrada por uma doutrina religiosa patriarcal. Pensando em como o Cinema contribui para uma reflexão a respeito, fiz uma listinha de filmes que abordam o assunto com talento, relevância e sensibilidade.

Para começar, o próprio “As Sufragistas”, que opta por mostrar o movimento pelo voto feminino na Inglaterra do início do século XX do ponto de vista de uma mulher comum, e não de suas líderes ou da organização como um todo. O resultado é um retrato dos preconceitos, sacrifícios e luta pelos quais as militantes tinha que passar em uma jornada que só seria vitoriosa muitos anos depois.  Atuações pungentes de um elenco encabeçado por Carey Mulligan, Helena Boohan-Carter e participação afetuosa de Meryl Streep ajudam muito a direção sensível, mas convencional de Sarah Gravon.

Outro filme exibido pelo Cineclube Indaiatuba sobre o tema é o libanês “E agora, onde vamos?”, da diretora e atriz Nadine Labaki, que ganhou notoriedade internacional a parti de “Caramelo”, também exibido no Cineclube. Ambientado numa pequena pequena aldeia que tem como ligação com o resto do país uma pequena ponte, o filme já começa com um cortejo fúnebre de mulheres no cemitério local, prestando homenagem a filhos, irmãos, maridos e outros parentes mortos na interminável guerra civil entre cristão e muçulmanos. Unidas na dor, na saída elas se separam, cada grupo indo para seu lado da cidade. Decididas a acabar com o morticínio, elas acabam usando diversos subterfúgios para distrair os homens da ideia de vingança, desde interrompendo o sinal da TV para que não vejam o noticiário até patrocinar um grupo de belas estrangeiras perdidas nos rincões do Líbano. Embora tenha seus momentos engraçados, o longa destaca que, em todos os conflitos, a mulher é sempre quem enterra e chora os mortos.

Também exibido pelo Cineclube Indaiatuba e igualmente de uma mulher árabe, Haifaa Al-Mansour, “O Sonho de Wadjda” é também o primeiro filme oficialmente realizado na Arábia Saudita. Ele acompanha a adolescente do título, que gosta de brincar com os garotos e que sonha em comprar uma bicicleta que viu numa loja do bairro. Só que além de não ter o dinheiro, andar de bicicleta é algo proibido às mulheres em seu país. Ao mesmo tempo, a mãe enfrenta problemas oriundos da sociedade machista e acaba se comovendo com a luta da filha pelo seu singelo sonho. O que amplia o interesse sobre este trabalho é que não se trata da ótica etnocentrista ocidental, mas de uma mulher inserida nessa sociedade, e que conseguiu fazer um filme muito bom sem apelar para saídas fáceis.

Tomara que seja mulher” é um clássico dos anos 80, o único da lista dirigido por um homem, o grande Mario Monicelli, com um elenco de estrelas: Catherine Deneuve, Liv Ullman e Steffania Sandrelli. Os homens são Philippe Noiret, Bernard Blier e o Giuliano Gemma dos western spaghetti..  Um grupo de mulheres opta por viver numa fazenda na Toscana praticamente sem homens, á exceção de um tio idoso e senil. Obviamente, nem tudo é hramonia, e a ausência masculina é sentida apesar dos pesares, mas, ao final, quando uma das jovens fica grávidas, todas torcem que seja mais uma mulher, como diz o título.


Finalmente, defendendo as cores nacionais, o recente “Que horas ela volta?”, de Ana Muylaert, com show da dupla Regina Casé e Camila Márdia. Carioca de duas gerações, Regina se consolida com o título cujo equivalente masculino um dia já foi de Jofre Soares, o de “maior atriz nordestina do mundo” (vide “Eu, tu, eles”). Como a mãe que opta por deixar a filha com uma irmã na terra natal para ganhar a vida como empregada doméstica em São Paulo, ela dá tridimensão ao personagem que com outra atriz poderia cair na caricatura. A atuação é complementada pelo contraste oferecido por Camila, uma jovem vindo de outro momento político-econômico-social do Brasil, cujo inconformismo chega a soar inconveniente para o espectador acostumado dom aquele status quo (no Exterior, as pessoas entranhavam era comportamento senhorial dos donos da casa até para tomar um copo d’água).Um filme que não apenas dá o protagonismo – e antagonismo, da parte da personagem da ótima Karine Teles – mas também vislumbra uma nova realidade para as jovens como Camila, que não apenas escapa do destino da mãe como a desperta da relação perversa que ela via como afetuosa.

segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Zebras e questões raciais marcam Oscar 2016

Equipe e elenco de Spolight se conratulando pelo prêmio
“Spotlight – Segredos revelados” surpreendeu todo mundo e levou o Oscar de Melhor Filme, batendo os favoritos “O Regresso” (levou Direção, Ator e Fotografia) e “A Grande aposta” (só ganhou Roteiro Adaptado). Mantém a tradição da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood de premiar grandes temas. Embora tenha uma narrativa tradicional, tem o grande mérito de contar a história de uma reportagem importante de forma realista – especialmente para quem é do ramo – e didática. Grande mérito do roteiro (original, que também ganhou), elenco e, porque não?, direção. Mas, para Hollywood, ser diretor não é ser necessariamente autor mas, principalmente, um gestor de projeto. E aí fica difícil competir com a pirotecnia de Alessandro Iñarritu em “O Regresso”, mesmo que o filme caia no terço final. Com esse premio, ele se tornou bi no Oscar e o México tri, já que em 1014 quem ganhou foi seu amigo Afonso Cuarón por “Gravidade”, quando o Melhor Filme foi “12 anos de escravidão”.

Leonardo di Caprio sendo aplaudido em pé pelo público no Dolby Theatre
Leonardo di Caprio levou sua aguardada estatueta não tanto por sua atuação em “O Regresso” (que foi boa, mas não tanto como a de Michael Fassbender em “Steve Jobs”) mas por sua carreira, em que sempre procurou conciliar qualidade com bilheteria. Irônico ele ganhar em seu primeiro trabalho com Iñarritu após cinco parcerias com Martin Scorcese, das quais duas resultaram em indicações.  Já o prêmio de Brie Larson é um Nasce uma Estrela. Desconhecida entes de “O Quarto de Jack”, a oscarizada deste ano já está com quatro projetos engatilhados para os próximos dois anos. Vai vingar? Talento ela tem, mas que o filme era do Jack (Jacob Tremblay), isso era.
Entre os Coadjuvantes, se Alicia Vikander, de “A Garota Dinamarquesa”, era pedra cantada, o Oscar de Mark Rylance (“Ponte dos Espiões”) foi uma surpresa porque todos esperavam um momento comoção para Sylvester Stallone por sua, acho, derradeira atuação como Rocky Balboa. Foi a vitória da técnica sobre a emoção.
Mark Rylance frustra a tocida de Sylvester Stallone
A enxurrada de prêmios técnicos e artísticos para “Mad Max – Estrada da Fúria”seis – que é uma reverência ao grande trabalho de George Miller, só foi interrompido pelo merecidíssimo Oscar de Fotografia para Emmanuel Lubezki (terceiro consecutivo) por “O Regresso” e o surpreendente para “Ex Machina” em Efeitos Visuais, um filme que foi lançado diretamente em home vídeo no Brasil. Falando em Brasil, não ia dar mesmo para “O Menino e o Mundo” num ano em que tinha “Divertida Mente”. Mas, mais do que nunca, estar lá já foi um vitória.
Na parte musical, o venerando maestro Ennio Morricone ganhou pela Melhor Trilha Musical Original em “Os Oito Odiados” e Sam Smith levou pela pior Canção de James Bond da era Daniel Craig. Não adiantou nem o vice-presidene americano John Biden ir até a cermônia para apresentar a concorrente Lady Gaga com sua canção sobre estupro..

Negros e Gloria
Discurso de Chris Rock deve ter rendido horas de
reun ões até ser aprovado
O elefante na sala da cerimônia foi a polêmica envolvendo a ausência de indicados negros e o boicote proposto por alguns astros, especialmente o casal Will Smith e Jada Pinckett-Smith. Por sorte, os produtores já haviam contratado o humorista Chris Rock antes da confusão, e seu discurso de abertura ao mesmo tempo falou sobre a falta de oportunidades aos afrodescendentes e ainda cutucou o boicote e seus propositores. As piadas seguintes todas foram sobre o assunto, algumas por sinal, muito boas.

Já, no Brasil, a participação de Gloria Pires roubou a cena da transmissão na Globo, ainda mais que na TNT tivemos um Rubens Edwald Filho cada vez mais velho e confuso, distoando de seus bons tempos em que a memória e agilidade mental valorizavam suas intervenções desde os tempos do SBT. A escalação a contragosto da estrela global para trabalhar num programa madrugada a dentro e para o qual ela não tinha preparação nem formação para participar pode ter rendido memes e risadas, mas é mais um desrespeito da poderosa emissora carioca, que continua a exibir o Oscar após o BBB, e se fosse noite de Carnaval, simplesmente não transmitiria. Não é para rir, mas para lamentar.

Cineclube
O Oscar de Filme Estrangeiro foi para o húngaro "Filho de Saul", e logo que foi feito o anúncio, por maio do Facebook, o Cineclube Indaiatuba já confirmou sua escalação para a sessão da próxima terça-feira, dia 8, no Multiplex Topázio do Shopping Jaraguá. A história se passa em 1944, no campo de concentração de Auschwitz, durante a Segunda Guerra Mundial. Saul (Géza Röhrig) é um judeu obrigado a trabalhar para os nazistas, sendo um dos responsáveis em limpar as câmaras de gás após dezenas de outros judeus serem mortos. Em meio à tensão do momento e às dificuldades inerentes desta tarefa, ele reconhece entre os mortos o corpo de seu próprio filho.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

Oscar 2016: quem leva?

A cerimônia de premiação da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood, o popular Oscar, acontece neste domingo, com transmissão pelo canal pago TNT (a Globo . Nas chamadas para o programa, Rubens Edwald Filho afirma que é a maior premiação do mundo do entretenimento, o que é verdade. A penetração que a música (Grammy), TV (Emmy) ou mesmo teatro (Tony) americanos tem no mundo inteiro não se compara à do cinema, que vem se ampliando até em territórios antes inexpugnáveis, como a China.

A Grande Aposta
Se em 2015, “Birdman” era barbada, neste a disputa é bem mais equilibrada. “Spotlight”, “A Grande Aposta” e “O Regresso” são igualmente favoritos, com ligeira desvantagem para o último porque o diretor Alessandro Iñarritu ganhou Filme e Direção (justamente com “Birdman”) no ano passado. A lógica é que o Melhor Filme leva também Direção, mas não para a Academia, que recentemente esnobou Steve McQueen (“12 anos de escravidão”), e Ben Affleck (“Argo”) mesmo premiando seus filmes. Pior foi
Spotlight - Segredos Revelados
há dez anos, quando deram a estatueta para o medíocre “Crash – No limite” mas a consciência pesada fez com que premiassem a direção de Ang Lee pelo muito melhor “Brokeback Mountain”. Além do mais, se Iñarritu fizer o bis, serão três anos seguidos de mexicanos (em 2014, que levou foi Alfonso Cuaron por "Gravidade"). Só se fosse para Donald Trump perder a peruca. Enfim, no próximo domingo, é grande a chance que o Oscar vá para um cineasta sem renome, como Tom McCarthy (“Spotlight”), Adam McKay (“A Grande Aposta”). Pessoalmente, “Mad Max Estrada da Fúria” é meu preferido para Filme e Direção, mas não vai rolar.

Brie Larson em O Quarto de Jack
Nas atuações – ladies first – deve dar a novata Brie Larson por “O Quarto de Jack” como Melhor Atriz e Alicia Vikander por “A Garota Dinamarquesa”. Para mim, Charlotte Rampling em "45 anos" faz um trabalho superior e até mesmo Jennifer Lawrence em "Joy" está melhor, mesmo que o filme não ajude. O "Quarto de Jack" é totalmente centrado no garoto Jacob Tremblay, que está ótimo e não foi lembrado, talvez porque não de para enquadrá-lo como coadjuvante, e como principal não fica bem.
Nos prêmios masculinos, prevejo muita comoção pelo premio de Ator Coadjuvante para Sylvester Stallone por “Creed” (já foi emocionante no Globo de Ouro) e por finalmente darem o Oscar a Leonardo Di Caprio, nem tanto por “O Regresso”, mas pela sua carreira brilhante, que é uma rara combinação de carisma de lead man e talento como intérprete. Christian Bale está excelente em “A Grande aposta” (quem lembra de Batman ao vê-lo neste filme?) e Michael Fassbender brilha em “Steve Jobs”, mas não o suficiente para tirar o doce da boca de Leo, que se não ganhar desta vez, é melhor pensar num filme de Holocausto.
Leonardo di Caprio em "O Regresso"


Os roteiros são um capítulo à parte este ano, com vários trabalhos de alto nível, até entre os esquecidos pela Academia, como “Steve Jobs” de Aaron Sorkin. Mas pelas premiações pregressas, deve dar “A Grande Aposta”, de Charles Randolph eAdam McKay entre os Adaptados; e “Spotlight”, de Josh Singer e Tom McCarhty entre os Originais. Vencedor de dois Oscars e Fotografia, Emmanuel Lubezki deve levar o terceiro por “O Regresso”.


Divertida Mente
Este ano, o prêmio de Animação ganhou um interesse especial para nós pela indicação do brasileiro “O Menino e o Mundo”, de Alê Abreu. Se fosse no ano passado, até teria chance, mas contra “Divertida Mente”, fica difícil. Na categoria Filme Estrangeiro, nem o brazuca “Que horas ela volta?” ou o argentino “O Clã” – Leão de Outro em Veneza – entraram. O húngaro “O Filho de Saul” é o favorito, preenchendo a cota “Filme de Holocausto”. 

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Oscar 2015 - acertamos o que importava

Sean Penn anunciando "Birdman" como Melhor Filme: "quem eu  o
Greencard pra esses caras?" 
Mais uma premiação da Academia de Ciências e Artes Cinematográficas de Hollywood, o popular Oscar, foi realizada ontem, dia 22,fazendo com que cerca de 1 bilhão de pessoas sintonizassem o show na TV em 24 fusos horários diferentes. Nenhum outro evento do gênero desperta tanto interesse global, nenhuma láurea é tão reconhecida, fora o Nobel.Eo Conversa de Botequim On Line acertou no que importava (clique aqui)!

No entanto, esse espetáculo cheio de pompa e circunstância não deixa de ser o que foi desde o começo: uma festa paroquial de autocongratulação da indústria de cinema americano.  É como chamar o jogo final entre os campeões das duas ligas nacionais de World Series, mas como no beisebol, os latinos já andam desbancando os donos da casa. Alfonso Cuarón no ano passado e Alejandro Iñarritu este ano marcaram o bi dos diretores mexicanos. Arriba!

Mas não se trata de escolher os “melhores”, mas o que os “acadêmicos” consideram importante no momento. Ou uma execução de projeto extraordinária. Isso explica a ocasional esquizofrenia de dar o Oscar de melhor filme para um e melhor direção para outro, como no ano passado, quando “12 anos de escravidão” ganhou o primeiro e Alfonso Cuarón o segundo, por “Gravidade”. Não vamos subestimar também o preconceito ianque: alguns poucos negros já ganharam como intérpretes, mas como diretores – um cargo executivo – é outra história. Lembremo-nos de 10 anos atrás, quando o rotineiro “Crash – No limite” deixou para trás o muito melhor “Brockeback Mountain”, restando a Ang Lee o prêmio de Diretor.

"Birdman" recebeu três dos cinco prêmios principais, portanto, independente
do total é o gane vencedor da noite
Isso não aconteceu este ano, com “Birdman” vencendo em Filme, Direção e Roteiro Original, tendo como única derrota significativa na categoria Ator, com Eddie Redmayne (“A Teoria de Tudo”) batendo Michael Keaton, em sua chance de ouro. Pessoalmente achei “Teoria de Tudo” fraco e condescendente, e a atuação de Redmayne, um nome em ascensão, inferior à de Keaton e Benedict Cumberbatch (este, sim, vai ter outras oportunidades). Mas a Academia não resiste a um handcap.
O premio para Julianne Moore, também por um trabalho sobre deficiência, foi a grande chance para uma atriz respeitada que nunca havia levado um premio de cinema importante em seu país, mesmo já tendo vencido em Cannes, Berlim e Veneza. Com “Para sempre Alice” levou o Oscar, o Globo de Ouro e o Sindicato dos Atores. Pena para Rosamund Pike, uma atriz que sempre se destacou pela beleza fria (Hitchcock faria horrores com ela) e que teve em “Garota Exemplar” o papel de sua vida.

Entre os coadjuvantes, J.K. Simmons, um coadjuvante veterano querido por todos, era uma barbada por “Whiplash” (que erá exibido amanhã, dia 23, no Cineclube Indaiatuba); e Patricia Arquette, era favorita por ter carregado o projeto “Boyhood” em cena. Se não pela atuação – que achei parecida da mãe-vidente de “Medium” – valeu pelo seu discurso feminista ao receber sua estatueta. Tão importante quanto o de Emma Watson na ONU, o que não deixa de ser triste, em pleno século XXI.

Common e John Legend com seu Oscar pela canção "Glory":
prêmio de consolação para "Selma" 
O show em si foi um dos melhores dos últimos anos, com um ótimo número de abertura e algumas apresentações marcantes, como o de Commom e John Legend interpretando “Glory” imediatamente antes de receberem o premio de Melhor Canção-Consolação pelo filme “Selma”; e Lady Gaga cantando um medley de “Noviça Rebelde”, na homenagem pelos 50 anos do musical que bateu “...E o Vento levou” nas bilheterias. Quem poderia pensar em alguém mais surpreendente para fazer um cover de Julie Andrews?

Lady Gaga foi meme no Red Carpet, mas se redimiu na hora de cantar
Na categoria Longa de Animação, um dos prêmios mais recentes e que já foi mais relevante, “Operação Big Hero” deu o bi à Disney, enquanto o mestre Hayao Miyazaki se aposenta e a Pixar vive seu período sabático.


Em Documentário de Longa-Metragem, o teuto-brasileiro “O Sal da Terra”, sobre Sebastião Salgado, dirigido por seu filho Juliano e por Wim Wenders, perdeu para “Citzenfour”, sobre Edward Snowden. O polonês “Ida” deu o primeiro Oscar ao seu país, batendo o argentino “Relatos Selvagens” e “Timbuktu”, que Inácio Araújo considerou o melhor filme de toda a seleção deste ano. 

sábado, 21 de fevereiro de 2015

And the Oscar goes to...

Amanhã acontece mais uma cerimônia de premiação da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood, mais conhecido como Oscar. No Brasil, a maior festa do cinema pode ser visto pelo canal pago TNT a partir das 20h30 e na Globo só depois do Big Brother Brasil, lá pelas 23h45.

Michael Keaton em "Birdman"
No páreo principal estão “Birdman (ou a Inesperada virtude da ignorância)”, “Boyhood – da Infância à Juventude”, “O Grande Hotel Budapeste”, “O Jogo da Imitação”, “A Teoria de Tudo”, “Whiplash: Em busca da perfeição”, "Selma" e “Foxcatcher: Uma história que chocou o mundo”. Concorrendo a melhor diretor estão Alejandro González Inárritu (“Birdman”), Richard Linklater (“Boyhood”), Bennet Miller (“Foxcatcher”), Wes Anderson (“Grande Hotel Budapeste”) e Morten Tyldum (“O Jogo da Imitação”). Os atores principais indicados são Eddie Redmayne (“A Teoria de Tudo”), Michael Keaton (“Birdman”), Bennedict  Cumberbatch (“O Jogo da Imitação”), Steve Carrell (“Foxcatcher”) e Bradley Cooper (“Sniper Americano”). As atrizes principais são Julianne Moore (“Para sempre Alice”), Felicity Jones (“A Teoria de Tudo”), Marion Cottilard (“Dois dias, uma noite”), Rosamund Pike (“Garota exemplar”) e Reese Witherspoon (“Livre”). A disputa para ator coadjuvante está entre J.K. Simmons (“Whiplash”), Robert Duvall (“O Juiz”), Ethan Hawke (“Boyhood”), Edward Norton (“Birdman”) e Mark Ruffalo (“Foxcatcher”). As indicadas a atrizes coadjuvantes são Patricia Arquette (“Boyhood”), Laura Dern (“Livre”), Keira Knightley ("O Jogo da Imitação”), Meryl Streep (“Caminhos da floresta”) e Emma Stone (“Birdman”). Vamos nos focar nesses, que são os de maior interesse geral.

As mudanças ao longo de 12 anos em Boyhood
Eu já ordenei em primeiro de cada lista os favoritos, que não o são por serem necessariamente melhores, mas pelas chances. O Oscar não é concedido pelo mérito artístico, mas pelo que os votantes da Academia consideram ser meritório. Pelos meus anos de janela, o premio fica entre “Boyhood” e “Birdman”, pela ótima execução de seus projetos complicados. Os acadêmicos são, em geral, profissionais de cinema, então como não se impressionar com um filme feito ao longo de 12 anos e outro que simula uma gigantesco plano-seqüência. E os dois são mesmo os melhores da lista, que poderia incluir ainda “O Grande Hotel Budapeste”, mas vai ser difícil. Em geral, filme e diretor ganham juntos, e é o que deve acontecer este ano, ao contrário de 2014, quando “12 anos de escravidão” foi o melhor filme e Alfonso Cuarón foi melhor diretor por “Gravidade” (justamente pela dificuldade do projeto, ainda que tenha resultado num longa mais ou menos).
Eddie Redmayne em "A Teoria de Tudo"

Entre os atores, a disputa é entre Michael Keaton e Eddie Redmayne, com ligeira vantagem para o segundo. Atuações físicas como a do inglês em geral prevalecem na Academia, sem falar que é sempre mais interessante valorizar um jovem talento a premiar um veterano que teve o papel de sua vida, mas de quem não se espera muito no futuro. A primeira vez que notei Redmayne foi na minissérie "O Pilares da Terra" (que tinha ainda a Agent Carter Halley Atwell) e de lá para cá sua ascensão foi meteórica. A atuação de Cumberbatch e, como sempre, impressionante, mas deve ficar para uma próxima vez.
Julianne Moore, barbada com "Para sempre Alice"
A estatueta de atriz principal é uma barbada. Julianne Moore ganhou tudo até agora, é uma intérprete respeitada por todos e só tem um Urso de Prata de Berlim como premio significativo no cinema (tem cinco indicações ao Oscar).  Azar de Rosamund Pike, que teve o papel de sua vida em “Garota Exemplar”, mas dificilmente leva.
Entre os coadjuvantes, J.K. Simmons é a barbada entre os homens (também ganhou tudo e é um veterano querido entre seus pares) e Patricia Arquette é a favorita entre as mulheres, mesmo parecendo ainda estar no seriado “Medium”.  Achei Emma Stone em “Birdman” melhor, mas acho que deve dar Patricia mesmo.


O sensacional "Relatos selvagens, que pode marcar 3 a O
da Argentina contra o Brasil no Oscar
Os dois principais concorrentes a melhor Filme disputam também Roteiro Original, e quem levar aqui deve ganhar também o grande premio. Há ainda algum interesse em Filme de Animação, mas não tenho a menor idaia de quem leva, e Filme em Lingua Não-Inglesa, que tem entre os indicados o argentino “Relatos selvagens”. Se ganhar, será a terceira vez que los hermanos ganham o Oscar, contra nenhuma do Brasil.  

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Nós somos Charlie, sem adendo

Passada uma semana do atentado contra a revista Charlie Hebdo, ataque terrorista que ainda se estendeu em tiroteios num supermercado kosher e numa planta industrial, totalizando 17 vítimas e três terroristas abatidos, muita coisa ainda há que se esclarecer e debater.
Percebi em muita gente no Brasil a indignação com os atentatos, mas com o adendo de "ah, mas os cartuns eram mesmo insultantes", meio que dando uma justificativa aos terroristas. Como bem notaram Laerte e Luis Fernando Veríssimo, humor como do "Charlie Hebdo" fazem parte de uma tradição cultural francesa, que jamais seria aceita no Brasil e nos EUA. Aqui, prevalece uma certa acomodação, além de uma recente intolerância com o outro, que foi exacerbado nas últimas eleições. Não era bem assim nos tempos do Pasquim, que tinha com um de seus lemas "liberdade é passar a mão na bunda do guarda". Nos EUA da correção política e do puritanismo disfarçado ou não, seria até pior, como o New York Times opinou em editorial.
O que não deveria mudar é a questão de que, seja lá o que seja escrito ou desenhado, nada justifica matar o outro. A caneta pode ser mais forte que a espada, mas não que uma rajada de AK-47. Nem "aproveitar o ensejo" e matar pessoas somente por serem de uma determinada etnia. E ainda o que é esperado por quem idealizou esses crimes, instigar a islamofobia para justificar uma guerra que consideram santa.
O que está em jogo não é somente a liberdade de expressão, mas a intolerância de todas as formas, seja contra quem é considerado iconoclasta, herege, pagão, raça inimiga; ou seja, o outro. No Brasil, felizmente, deixamos de matar por causa da religião há alguns séculos, mas ainda resta a homofobia, a discriminação racial e social, e o que anda crescendo assustadoramente, o ódio contra quem tem convicções políticas diferentes. No último caso, a coisa ainda está somente nas rede sociais, mas num tom que não diminuiu após as eleições.  Para os gays, pretos e pobres, as agressões e mortes são reais, praticados não apenas por intolerantes civis, como pela própria polícia.
Acontecimentos marcantes como este deveriam servir para refletir não como somos vítimas em potencial, mas a respeito do agressor adormecido em nós. A maioria das pessoas não são terroristas, mas deveriam pensar em quão intolerantes podem ser, podemos ser.

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

The Newsroom e o jornalismo ideal em tempo de cólera

Nos últimos dias fiz uma maratona da primeira temporada de The Newsroom, da HBO. Já tinha assistido a segunda temporada numa dessas semanas em que o sinal é liberado (sou pobre, só tenho o pacote básico) e conhecer o início da trama só confirmou a ótima impressão que tive da série.

A moda pode ser os universos delirantes de Walking Dead e Game of Thrones, mas em The Newsroom, Aaron Sorkin consegue um mundo ficcional muito próximo da realidade, ajudando o espectador a compreender o funcionamento da imprensa e da política americanas. Ele já havia criado "The West Wing: Bastidores do Poder", a melhor obra audiovisual sobre como é feita a política nos EUA (que, no fundo, se parece muito com qualquer democracia representativa, incluindo o Brasil).

À exemplo da Camelot criada em torno do presidente Jed Bartlett (Martin Sheen), Sorkin cria uma redação ideal em torno do âncora Will McAvoy (Jeff Daniels, um ator que trafega com tranquilidade entre o drama e o humor), do noticiário de horário nobre, que detém a segunda maior audiência entre os canais a cabo, mas tem se acomodado nessa condição. Tido muda quando o diretor do canal, Charles Skinner (Sam Waterston, vindo de quase duas décadas de "Law and Order"), chama de volta a antiga produtora-executiva e ex-namorada de Will, Mckenzie McHale (Emily Mortimer, de "A Invenção de Hugo Cabret"), para chacoalhar a redação. O desafio proposto à nova nova equipe, que inclui o editor-senior Jim Harper (John Galagher Jr.), é criar uma pauta relevante e esclarecedora ao eleitorado americano, para que ele possa fazer escolhas lúcidas nas urnas. Para isso, o republicano Will passa a atacar o Tea Party implacavelmente, a ponto de chamá-lo de "Talibã Americano"; notícias que são manchetes na concorrência, como a mãe acusada de matar sua filhinha, são desprezadas; celebridades, metereologia e outros assuntos "carne-de-vaca" são eliminados.

A ação acontece poucos anos antes do tempo atual, e as notícias cobertas pela equipe são verdadeiras; então o público sabe de antemão o que acontece (se for minimamente informado), casos da Primavera Egípcia, da ameaça nuclear em Fukushima e da morte de Osama Bin Laden (onde descobrimos que não somos só nós que às vezes confundimos Osama com Obama). A exceção é a gigantesca "barriga" provocada pela militantismo de uma produtor temporário e a má fé de uma fonte, cujos desdobramentos atravessam toda a segunda temporada, que se passa durante a campanha presidencial que resultará no segundo mandato de Barack Obama.

Questões como jornalismo versus entretenimento; como a imprensa deveria informar os eleitores para que eles façam boas escolhas na urna ao invés de tentar manipulá-los a escolher este ou aquele; a crescente polarização política que vai transformando divergência de opiniões em ódio; são temas comuns tanto aqui como lá, e que são abordados no seriado de forma adulta, educativa e sem o cinismo de "House of Cards", por exemplo. No mundo de "The Newsroom", que se parece muito com o nosso, boa política e jornalismo relevante são coisas possíveis, apesar de tudo.

Recomendo, principalmente os colegas jornalistas, que assistam a série. Quem não tem HBO, pode alugar na locadora (se você tiver mais de 60 anos), ou usar os inúmeros recursos disponíveis na web, do torrent ao on demand alternativo, se é que você me entende. Abaixo, o trailer da terceira e última temporada que estreia por lá dia 9 deste mes.




terça-feira, 30 de setembro de 2014

Cineclube Indaiatuba exibe "Era uma vez em Nova York"

O Cineclube Indaiatuba exibe hoje o filme "Era uma vez em Nova York" às 19h, no Multiplex Topázio do Shopping Jaraguá.
Em 1921, as irmãs polonesas Magda (Angela Sarafyan) e Ewa Cybulski (Marion Cotillard) partem em direção a Nova Iorque, em busca de uma vida melhor. Mas, assim que chegam, Magda fica doente e Ewa, sem ter a quem recorrer, acaba nas mãos do cafetão Bruno (Joaquin Phoenix), que a explora em uma rede de prostituição. A chegada de Orlando (Jeremy Renner), mágico e primo de Bruno, mostra um novo amor e um novo caminho para Ewa, mas o ciúme do cafetão acaba provocando uma tragédia.
Pelo menos um crítico - Sérgio Alpendre, para a Folha e São Paulo - o considerou "o melhor filme do ano" (leia resenha aqui). O diretor James Gray tem uma filmografia bissexta, endo estreado há 20 anos com "Fuga para Odessa" e voltando a assinar uma obra só em 2000, com "Caminhos sem volta". Começa aí sua colaboração com o talentoso ator Joaquin Phoenix, com quem faria também "Os Donos da Noite" (2007), "Amates" (2008) e este "Era uma vez em Nova York", de 2013.

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

O Dia em que o Século XXI começou

Eric Hobsbawn, em sua “Era dos Extremos”, considera que o curto século XX começou na Revolução Russa e acabou justamente no fim da União Soviética, em 1991. Não sei como vai se chamar o intervalo de dez anos, mas o século XXI efetivamente começou no dia 11 de setembro de 2001.

Se, como pretendia Francis Fukuyama, a história acabou quando os Estados Unidos da América se tornaram a única superpotência do planeta, ela recomeçou quando seu poder foi colocado a prova por inimigos em tese pequenos, mas que conseguiram aplicar o maior golpe no orgulho americano desde o ataque a Pearl Harbor, em 1941. Os americanos já haviam sido vítimas de ataques terroristas há muito tempo, inclusive um frustrado contra o mesmo World Trade Center em 1993, mas o que aconteceu há exatos 13 anos superou até mesmo as mentes imaginativas de Hollywood. O resultado do dia: as Torres Gêmeas de Nova York no chão, um rombo no Pentágono e um avião no chão, supostamente por intervenção dos próprios passageiros antes que ele atingisse o alvo dos sequestradores da Al Qaeda.

A partir daí, tudo muda. Em nome da Guerra ao Terrorismo os americanos invadem o Afeganistão e o Iraque; prendem suspeitos em prisões por vezes clandestinas, usando tortura física e psicológica para obter informações; invadem a privacidade de seus cidadãos e os de outros países (inclusive os de chefes de governo aliados). Atentados contra membros da Otan, Espanha e Inglaterra, são bem sucedidos, mas os EUA executam Saddan Hussein (que não tinha nada a ver com o 11 de setembro) e matam diversos líderes da Al Qaeda, inclusive Osama Bin Laden, a maior vitória simbólica dessa guerra.

Os Bric (Brasil, Rússia, Índia e China), nações de economia emergente, demandam uma posição mais relevante no tabuleiro global, mas ainda estão longe de fazer sombra ao poder efetivo dos EUA e seus aliados mais próximos. Drones inventados para espionar e atacar suspeitos de terrorismo passam a fazer pare do cotidiano , sendo usados até por paparazzi para espionar celebridades

Passados 13 anos, como está o mundo hoje? O terrorismo está longe de acabar e o ódio aos americanos só aumentou em todo o mundo islâmico. A Primavera Árabe ao invés de levar democracia à Líbia, Egito e Síria, criou o Estado Islâmico (EI), uma horda de combatentes sob a bandeira do Jihad, que executa qualquer um que não seguir sua linha fundamentalista, mesmo que também muçulmano. Ameaçam a parca estabilidade da região diante de uma Otan indignada mas pouco disposta a enviar soldados para combatê-los diretamente. O perigo é tão imediato que fez a Casa Branca se aliar a um inimigo histórico, o Irã, para tentar deter o que é chamado em inglês de Isis (The Islamic State of Iraq and the Levant ). A decapitação de um americano transmitida para mundo via Internet levou o presidente Barack Obama a prometer destruir o Estado Islâmico, mas em final de mandato, ele não tem condições de fazer muito mais que intensificar os ataques aéreos e armar os inimigos de seu inimigo. O enorme pode militar dos EUA é limitado pela pouca disposição do público interno em aceitar o custo humano e financeiro de novas aventuras intervencionistas, principalmente após o desgaste de duas ocupações simultâneas no Afeganistão e no Iraque.

Resumindo, o 11 de setembro de 2001 tornou este novo século muito distante da Nova Ordem Mundial alardeada por George Bush Sr. na vitória na I Guerra do Iraque.


terça-feira, 12 de agosto de 2014

O legado de Robin Williams

Quando Robin Williams virou polêmica ao ironizar a vitória do Rio de Janeiro sobre Chicago na disputa pelos Jogos Olímpicos de 2016, dizendo que a eleição se devia às 50 strippers e ao meio quilo de pó enviadas pela delegação brasileira ao Comitê Olímpico (piada pouco mais agressiva que os dois episódio dos Simpsons ambientados aqui), o que me veio à lembrança foi ator que muitas vezes deixava sua verve histriônica ofuscar seu papel e cujo único  sucesso nos anos recentes era como coadjuvante de Ben Stiller na franquia “Uma Noite no Museu”.

No entanto, após o anúncio de sua morte ontem, dia 11, o que nos vem à lembrança são os inúmeros trabalhos inesquecíveis do ator. Poucos podem se orgulhar de um currículo desses.
Após o início de carreira no cinema desastroso com “Poppeye” (1980), dirigido por um improvável Robert Alrman, Williams fez alguns filmes que chamaram a atenção como “O Mundo Segundo Garp” (1982), “Moscou em Nova York” (1984) e “Clube Paraíso (1986). Ele também havia emplacado uma popular sitcom na TV chamado “Morky & Mindy”, que nunca foi exibido no Brasil.

Se o talento já era reconhecido pela crítica, ele se tornou conhecido pelo grande público a partir de “Bom dia, Vietnã” (1987) com seu famoso bordão “Goood morning, Vietnam” (que lhe deu a primeira indicação ao Oscar); e dois anos depois com “Sociedade dos Poetas Mortos (1989), sua segunda indicação ao Prêmio da Academia de melhor Ator, apesar da pedagogia duvidosa defendida no roteiro. Em 1990, em “Tempo de Despertar”, ajudou Robert De Niro a obter sua primeira indicação desde o Oscar de “Touro Indomável”.

Com o belo “Pescador de Ilusões”, de 1991, vem a terceira indicação á estatueta dourada. Nesse momento Williams já estava entre os principais nomes da indústria, a ponto de Steven Spielberg escalá-lo para o dream team de seu ambicioso – e fracassado – “Hook, a Volta do Capitão Gancho”, também de 1991. Se a superprodução afundou, o mesmo não se pode dizer de seu Peter Pan, cujo intérprete caiu como uma luva fazendo o menino que se liberta do corpo do adulto careta. 

No ano seguinte, veio mais um marco na carreira, ao fazer a voz do Gênio de “Aladdin”.A introdução do personagem, em que Williams imita inúmeras celebridades e diversos sotaques como uma metralhadora de gags (abaixo).


 iniciou a tendência de se contratar atores consagrados para dar voz a personagens de animações da Disney – que também foi seguido pela Pixar – do outro abriu as comportas do histrionismo de Williams, que a partir daí passou a improvisar mais do que interpretar. O megasucesso de “Uma babá quase perfeita” marcou o auge da popularidade.

Em 1995, mais dois grandes sucessos, “Jumanji”, um clássico da Sessão da Tarde, e “Gaiola das Loucas”, em que ele resuma a dança americana em cinco segundo ao aspirante a bailarino-bofe (abaixo).


Em 1997, trabalha com Woody Allen em “Desconstruindo Harry” e contribui para que “Gênio Indomável” coloque a dupla Matt Damon e Bem Affleck no mapa de Hollywood, levando, de quebra o tão ambicionado Oscar (de Ator Coadjuvante). Sua atuação em “Patch Adams, o Amor Contagia”, no ano seguinte, contribui, no mínimo, para que os Doutores da Alegria se multipliquem no diversos hospitais de tratamento de câncer infantil. “Amor Além da Vida” deve ser o trabalho que seus fãs espíritas lembraram no dia de ontem.

Após a consagração do premio da Academia, sua carreira parece entrar no mais do mesmo. Em 1999 tenta repetir “A vida é bela” com “Um sinal de esperança” e se repete em “O Homem Bicentenário”. Tenta se reinventar como psicopata em dois bons trabalhos, “Retratos de uma Obsessão” e “Insônia” (2002), que poucos viram.
A partir de então, como dissemos na abertura deste texto, suas atuações mais lembradas são como o Ted Roosevelt nos dois “Uma Noite no Museu” e usando apenas a voz em “Happy Feet”.

Aos 63 anos, não tão velho para um comediante, ainda poderia oferecer muito ao seu público. Pena que não houve tempo.