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Shweinsteiger e Podolski comemoram a conquista |
Podia ter sido pior. Depois da vexatória derrota para a
Alemanha na semifinal e em seguida para a Holanda na disputa do 3º lugar, só
faltava a Argentina se sagrar campeã em pleno Maracanã. Felizmente para o que
resta do orgulho nacional, os alemães repetiram os espanhóis há quatro anos e
bateram um adversário encardido com um gol na prorrogação, marcado por Mario
Götze, que saiu do banco para fazer história.
Foi ótimo não apenas pela nossa rivalidade de vizinhos com a
Argentina, mas pelo futebol apresentado pela Alemanha, que deve ditar a moda
nos próximos anos, assim como fez a Espanha após suas duas Eurocopas e a Copa
da África do Sul. Enquanto los hermanos conseguiram montar, enfim, uma defesa
sólida para esperar um lampejo de gênio de Messi, os germânicos buscavam
alternativas para furar o bloqueio adversário. É certo que ficaram muito perto
de levar um gol no contra-ataque – especialmente na inacreditável chance
perdida por Higuaín (que lembra a de Robben diante de Casillas há quatro anos)
e outra de Messi – mas também meteram uma bola na trave numa cabeçada do
zagueiro .
O gol redentor na prorrogação acabou fazendo justiça a uma
campanha mais sólida, mesmo considerando as dificuldades contra africanos, e o
time mais simpático. Pode ter sido marketing – e provavelmente foi – mas conquistou
a torcida brasileira. A maioria torceu pelos alemães mesmo depois dos 7 a 1, e
torceria mesmo que seu oponente não fosse a Argentina.
Fala-se agora o planejamento feito a partir da eliminação
diante da Croácia em 1998 por 3 a 0, e posterior vexame na Eurocopa de 2000,
que resultou em mudanças nas categorias de base de todos os times da
Bundesliga. Isso resultou na melhor geração do futebol germânico em muito
tempo, possivelmente desde Beckenbauer e Gerd Muller. Lembrando que
Shweinsteiger, Philip Lamm, Mertesacker e Klose estavam na seleção que perdeu a Copa em
casa em 2006. A fusão com a excelente turma revelada em 2010, mais outros que
estrearam este ano, resultou no time campeão de 2014.
Isso é algo que o Brasil não tem tido. Nas categorias de
base, as promessas são vendidas quase nas fraldas para o mercado exterior, não
havendo tempo de amadurecerem aqui. A exceção é o Santos, e o resultado, entre
outros, é Neymar. Foi-se o tempo em que os craques davam em árvores por aqui.
Um dos responsáveis são escolinhas, que produzem meio-campistas caneludos, enquanto
a tendência mundial são primeiros volantes que armam as equipes lá de trás,
casos de Pirlo, Shweinsteiger e Mascherano nesta Copa (no Barcelona ele é
zagueiro). Nós tínhamos Luiz Gustavo, ótimo no desarme mas péssimo para sair
jogando. Com a decadência de Paulinho, nem segundo volante decente
tínhamos. E a chamada melhor zaga do
mundo fez pixotadas dignas da várzea, ou de casados x solteiros. O que foi o
lance da expulsão de Thiago Silva? E o cabeceio para o meio da área de David
Luiz no segundo gol da Holanda. Acabou-se a segunda Era Felipão, mas o que virá
depois? Não seria tempo de arriscar um estrangeiro? Quiçá, um argentino?
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Messi: a cara da decepção |
*batatas em alemão