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segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

Globo de Ouro 2017: abertura e discurso de Meryl Streep foram o melhor da noite

Ryan Gosling e Emma Stone comemorando seus prêmios
Já na abertura do Globo de Ouro ontem, dia 8, já dava para adivinhar quem seria o grande vencedor. Foi uma grande paródia da sequencia inicial de “La La Land: Cantando Estações”, com a participações de representantes de diversos concorrentes, como Amy Adams em "A Chegada", o elenco de "O Povo contra O.J. Simpson" (reparem no Travolta), os garotos de “Stranger Things” e Kit Harrington, o Jon Snow de “Game of Thrones” (o melhor). Pena que o resto do trabalho do apresentador Jimmy Fallon tenha sido uma decepção, possivelmente por causa do seu estilo “amigo de todo mundo”, que faz com que evite confrontos, mesmo num tempo como atual.


Quem não se conteve e saiu do protocolo foi a homenageada com o Prêmio Cecil B. De Mille, Mery Streep. Do alto de seu prestígio como a grande Atriz Americana de nosso tempo – e um vídeo com momentos de sua carreira deixaram isso bem calro -  mesmo afônica, ela deu voz à indignação da maioria da classe artística americana com os atos e pronunciamentos do presidente eleito Donald Trump. Falou sobre bullying contra portadores e deficiência, da diversidade cultural e étnica da indústria do entretenimento, citando as origens de diversos colegas presentes. Numa cerimônia promovida por jornalistas, a atriz frisou a importância que a impresna responsável terá nos próximos anos, e encerrou lembrando sua amiga Carrie Fisher – a quem interpretou no filme à clef “Lembranças de Hollywood”: “Como diria minha amiga Princesa Léia, que nos deixou, me disse uma vez: pegue seu coração partido e o transforme em arte”.


Nos prêmios propriamente ditos, “La La Land – Cantando Estações” foi o grande vencedor, batendo o recorde da premiação, com sete troféus: Melhor Filme, Ator (Ryan Gosling), Atriz (Emma Stone) em Musical ou Comédia, Diretor (Damien Chazelle), Roteiro, Trilha Musical e Canção Origi9nal (“City of Stars”). Na categoria Drama, as coisas ficaram mais divididas, com “Moonlight” levando Melhor Filme, Casey Affleck sendo premiado como Aror por “Manchester à Beira Mar” e Isabelle Hupert como Atriz por “Elle”. Os prêmios de Coadjuvante ficaram com Aaron-Taylor Johnson por “Animais Noturnos” e Viola Davis por “Fences”. O polêmico “Elle” venceu na categoria Filme Estangeiro, ressuscitando a carreira do diretor Paul Verhoeven (autor do “Robocop” original e de “Instinto Selvagem”), e “Zootopia” foi a Melhor Animação (outra bola cantada).

Reese Witherspoon e Nicole Kidman como a nova dupla Missouri & Mississipi
Os prêmios em TV foram mais discutíveis. Melhor Série Dramática para “The Crown” em um ano em que “Stranger Things” e “Westworld” causaram? A inglesinha sem sal Claire Foy (A Elisabeth II em “The Crown”) melhor que Evan Rachel Wood (“Westworld”)? E, pior ainda: o que é considerada a melhor coisa em “The Crown”, que é John Lithgow como Churchill, acabou perdendo para Hugh “House” Laurie por “The Night Maneger”, que foi um vencedor inesperado ganhando na categoria Filme para TV ou Minissérie, com os prêmios de Ator (Tom Hiddelston), o já citado Hugh Larie e ainda Olivia Colman como Atriz Coadjuvante. Assim, o badalado “O Povo contra O.J. Simpson” ficou apenas com o principal da categoria e o de Atriz para Sarah Paulson.

Por outro lado, as vitórias de “Atlanta” como Séie Musical ou Comédia e de seu idealizador e protagonista, Donald Glover, como Ator no gênero; e de Tracee Ellis Ross (filha de Diana Ross) como coadjuvante por “Black-ishi” parece uma resposta ao Oscar “branco” do ano passado. Ah, sim: Billy Bob Thorton ganhou o premio de melhor Ator em Série Dramática por “Goliath”, mas who cares? 

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

Oscar 2016: quem leva?

A cerimônia de premiação da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood, o popular Oscar, acontece neste domingo, com transmissão pelo canal pago TNT (a Globo . Nas chamadas para o programa, Rubens Edwald Filho afirma que é a maior premiação do mundo do entretenimento, o que é verdade. A penetração que a música (Grammy), TV (Emmy) ou mesmo teatro (Tony) americanos tem no mundo inteiro não se compara à do cinema, que vem se ampliando até em territórios antes inexpugnáveis, como a China.

A Grande Aposta
Se em 2015, “Birdman” era barbada, neste a disputa é bem mais equilibrada. “Spotlight”, “A Grande Aposta” e “O Regresso” são igualmente favoritos, com ligeira desvantagem para o último porque o diretor Alessandro Iñarritu ganhou Filme e Direção (justamente com “Birdman”) no ano passado. A lógica é que o Melhor Filme leva também Direção, mas não para a Academia, que recentemente esnobou Steve McQueen (“12 anos de escravidão”), e Ben Affleck (“Argo”) mesmo premiando seus filmes. Pior foi
Spotlight - Segredos Revelados
há dez anos, quando deram a estatueta para o medíocre “Crash – No limite” mas a consciência pesada fez com que premiassem a direção de Ang Lee pelo muito melhor “Brokeback Mountain”. Além do mais, se Iñarritu fizer o bis, serão três anos seguidos de mexicanos (em 2014, que levou foi Alfonso Cuaron por "Gravidade"). Só se fosse para Donald Trump perder a peruca. Enfim, no próximo domingo, é grande a chance que o Oscar vá para um cineasta sem renome, como Tom McCarthy (“Spotlight”), Adam McKay (“A Grande Aposta”). Pessoalmente, “Mad Max Estrada da Fúria” é meu preferido para Filme e Direção, mas não vai rolar.

Brie Larson em O Quarto de Jack
Nas atuações – ladies first – deve dar a novata Brie Larson por “O Quarto de Jack” como Melhor Atriz e Alicia Vikander por “A Garota Dinamarquesa”. Para mim, Charlotte Rampling em "45 anos" faz um trabalho superior e até mesmo Jennifer Lawrence em "Joy" está melhor, mesmo que o filme não ajude. O "Quarto de Jack" é totalmente centrado no garoto Jacob Tremblay, que está ótimo e não foi lembrado, talvez porque não de para enquadrá-lo como coadjuvante, e como principal não fica bem.
Nos prêmios masculinos, prevejo muita comoção pelo premio de Ator Coadjuvante para Sylvester Stallone por “Creed” (já foi emocionante no Globo de Ouro) e por finalmente darem o Oscar a Leonardo Di Caprio, nem tanto por “O Regresso”, mas pela sua carreira brilhante, que é uma rara combinação de carisma de lead man e talento como intérprete. Christian Bale está excelente em “A Grande aposta” (quem lembra de Batman ao vê-lo neste filme?) e Michael Fassbender brilha em “Steve Jobs”, mas não o suficiente para tirar o doce da boca de Leo, que se não ganhar desta vez, é melhor pensar num filme de Holocausto.
Leonardo di Caprio em "O Regresso"


Os roteiros são um capítulo à parte este ano, com vários trabalhos de alto nível, até entre os esquecidos pela Academia, como “Steve Jobs” de Aaron Sorkin. Mas pelas premiações pregressas, deve dar “A Grande Aposta”, de Charles Randolph eAdam McKay entre os Adaptados; e “Spotlight”, de Josh Singer e Tom McCarhty entre os Originais. Vencedor de dois Oscars e Fotografia, Emmanuel Lubezki deve levar o terceiro por “O Regresso”.


Divertida Mente
Este ano, o prêmio de Animação ganhou um interesse especial para nós pela indicação do brasileiro “O Menino e o Mundo”, de Alê Abreu. Se fosse no ano passado, até teria chance, mas contra “Divertida Mente”, fica difícil. Na categoria Filme Estrangeiro, nem o brazuca “Que horas ela volta?” ou o argentino “O Clã” – Leão de Outro em Veneza – entraram. O húngaro “O Filho de Saul” é o favorito, preenchendo a cota “Filme de Holocausto”. 

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Oscar 2015 - acertamos o que importava

Sean Penn anunciando "Birdman" como Melhor Filme: "quem eu  o
Greencard pra esses caras?" 
Mais uma premiação da Academia de Ciências e Artes Cinematográficas de Hollywood, o popular Oscar, foi realizada ontem, dia 22,fazendo com que cerca de 1 bilhão de pessoas sintonizassem o show na TV em 24 fusos horários diferentes. Nenhum outro evento do gênero desperta tanto interesse global, nenhuma láurea é tão reconhecida, fora o Nobel.Eo Conversa de Botequim On Line acertou no que importava (clique aqui)!

No entanto, esse espetáculo cheio de pompa e circunstância não deixa de ser o que foi desde o começo: uma festa paroquial de autocongratulação da indústria de cinema americano.  É como chamar o jogo final entre os campeões das duas ligas nacionais de World Series, mas como no beisebol, os latinos já andam desbancando os donos da casa. Alfonso Cuarón no ano passado e Alejandro Iñarritu este ano marcaram o bi dos diretores mexicanos. Arriba!

Mas não se trata de escolher os “melhores”, mas o que os “acadêmicos” consideram importante no momento. Ou uma execução de projeto extraordinária. Isso explica a ocasional esquizofrenia de dar o Oscar de melhor filme para um e melhor direção para outro, como no ano passado, quando “12 anos de escravidão” ganhou o primeiro e Alfonso Cuarón o segundo, por “Gravidade”. Não vamos subestimar também o preconceito ianque: alguns poucos negros já ganharam como intérpretes, mas como diretores – um cargo executivo – é outra história. Lembremo-nos de 10 anos atrás, quando o rotineiro “Crash – No limite” deixou para trás o muito melhor “Brockeback Mountain”, restando a Ang Lee o prêmio de Diretor.

"Birdman" recebeu três dos cinco prêmios principais, portanto, independente
do total é o gane vencedor da noite
Isso não aconteceu este ano, com “Birdman” vencendo em Filme, Direção e Roteiro Original, tendo como única derrota significativa na categoria Ator, com Eddie Redmayne (“A Teoria de Tudo”) batendo Michael Keaton, em sua chance de ouro. Pessoalmente achei “Teoria de Tudo” fraco e condescendente, e a atuação de Redmayne, um nome em ascensão, inferior à de Keaton e Benedict Cumberbatch (este, sim, vai ter outras oportunidades). Mas a Academia não resiste a um handcap.
O premio para Julianne Moore, também por um trabalho sobre deficiência, foi a grande chance para uma atriz respeitada que nunca havia levado um premio de cinema importante em seu país, mesmo já tendo vencido em Cannes, Berlim e Veneza. Com “Para sempre Alice” levou o Oscar, o Globo de Ouro e o Sindicato dos Atores. Pena para Rosamund Pike, uma atriz que sempre se destacou pela beleza fria (Hitchcock faria horrores com ela) e que teve em “Garota Exemplar” o papel de sua vida.

Entre os coadjuvantes, J.K. Simmons, um coadjuvante veterano querido por todos, era uma barbada por “Whiplash” (que erá exibido amanhã, dia 23, no Cineclube Indaiatuba); e Patricia Arquette, era favorita por ter carregado o projeto “Boyhood” em cena. Se não pela atuação – que achei parecida da mãe-vidente de “Medium” – valeu pelo seu discurso feminista ao receber sua estatueta. Tão importante quanto o de Emma Watson na ONU, o que não deixa de ser triste, em pleno século XXI.

Common e John Legend com seu Oscar pela canção "Glory":
prêmio de consolação para "Selma" 
O show em si foi um dos melhores dos últimos anos, com um ótimo número de abertura e algumas apresentações marcantes, como o de Commom e John Legend interpretando “Glory” imediatamente antes de receberem o premio de Melhor Canção-Consolação pelo filme “Selma”; e Lady Gaga cantando um medley de “Noviça Rebelde”, na homenagem pelos 50 anos do musical que bateu “...E o Vento levou” nas bilheterias. Quem poderia pensar em alguém mais surpreendente para fazer um cover de Julie Andrews?

Lady Gaga foi meme no Red Carpet, mas se redimiu na hora de cantar
Na categoria Longa de Animação, um dos prêmios mais recentes e que já foi mais relevante, “Operação Big Hero” deu o bi à Disney, enquanto o mestre Hayao Miyazaki se aposenta e a Pixar vive seu período sabático.


Em Documentário de Longa-Metragem, o teuto-brasileiro “O Sal da Terra”, sobre Sebastião Salgado, dirigido por seu filho Juliano e por Wim Wenders, perdeu para “Citzenfour”, sobre Edward Snowden. O polonês “Ida” deu o primeiro Oscar ao seu país, batendo o argentino “Relatos Selvagens” e “Timbuktu”, que Inácio Araújo considerou o melhor filme de toda a seleção deste ano.