segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Muita calma nessa hora




Tudo bem que a vitória sobre a Argentina sábado foi linda. Também é ótimo ir a Salvador desfalcado sem a preocupação com a classificação. Mas é bom lembrar de algumas coisas antes de entrar no clima do já ganhou.

Em primeiro lugar, faltam 10 meses para a Copa e até lá muita coisa pode acontecer. Em 1990, Careca era um dos melhores - senão o melhor - centroavante do mundo mas se machucou às vésperas da Copa. Em 1994, Carlos Alberto Pareira apostava em Raí e esse chegou aos EUA em má fase técnica. Entrou Mazinho, jogamos mais feio, mas ganhamos. E a defesa até às vésperas da estréia era formada pelos Ricardos Gomes e Rocha, que se machucaram e deram lugar a Aldair e Marcio Santos, que formaram a melhor dupla de zagueiros que o Brasil já teve em uma Copa do Mundo. Em 98, Romário tinha tudo para formar o ataque dos sonhos com Ronaldo, mas se contundiu, embora ele jure que daria para ir à França.

Em segundo lugar, a nossa seleção só ganha a Copa quando sai desacreditada do Brasil. Não tem lógica, mas tem sido assim, exceção feita a 1962, no nosso único bi de verdade.

Em terceiro lugar, ao contrário do que muita gente acha, o time não está fechado, nem pode. Dunga ainda não sabe quem vai fazer dupla de ataque com Luis Fabiano - titular absoluto com méritos - nem quem serão os reservas. Apesar do recorde de participações seguidas na Seleção batido no sábado, Robinho não jogou nada contra a Argentina, como não vem jogando há muito tempo. Não está garantido na África do Sul. Se Ronaldo voltar bem como estava antes da contusão e perder mais uns quilos antes do próximo ano, uma das vagas é dele. Pato decepcionou Dunga e vai ter que jogar muito para voltar a ser convocado. Quem mais tem chance? Nilmar? Vai ter que se destacar muito pelo Villareal, num campeonato que tem o Super-Barça e o Real Madrid Galático. Adriano? Não com o Flamengo do jeito que está. Wagner Love? Difícil, mas se ajudar o Palmeiras ser campeão, pode ser. Diego Tardelli, convocado recentemente, tem chances remotíssimas.

Mas não há dúvidas que é melhor viver a situação de conforto que Dunga usufrui agora, do que o sufoco por que passam França e Portugal - que tem mais chances de não se classificar do que ir à Copa - e a Argentina, que parece fadada a repetir a humilhação de jogar a repescagem contra a Oceania - que agora, sem a Austrália, é uma moleza maior ainda.

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PS: A Repescagem Sulamericana será contra o quarto colocado da Concacaf. O que é uma moleza mas não tanto quanto a Austrália.

sábado, 5 de setembro de 2009

O que é jornalismo?

Uma coisa que o jornalismo não é, é errata. A errata é o contraponto necessário jornalismo. Se você trabalha dentro da possibilidade de corrigir o erro logo em seguida da publicação, você está fazendo outra coisa que não jornalismo.
Escrevo isso diante da inacreditável constatação de que alguém que foi formado em redação comigo publicou uma notícia de origem duvidosa sabendo disso e contando com a rapidez da correção que a Internet permite. E quem leu a primeira versão? Vai ficar com notícia errada para passar para frente? Na minha terra isso se chama radio-peão, que é o antônimo de jornalismo.
Outra coisa: um editor não pode confiar 100% num repórter, especialmente quando ele já tem precedente de irresponsabilidade profissional. Caso contrário, a função de editor seria inútil, bastava publicar direto o que o repórter quiser. Mesmo assim, acontecem casos como o de Jayson Blair, o reporter do New York Times que confessou ter plagiado e inventado diversas matérias. O fato do maior jornal do mundo ter falhado em coibir o jornalismo desonesto é razão para que todos descambem para o "seja o que Deus quiser"? Acho que não, pelo contrário. É motivo para que os veículos sérios reforcem seu compromisso com a verdade e com os fatos. Quem acha que isso é irrelevante, que faça outra coisa que não jornalismo. Tablóide, por exemplo.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

A Grande Guerra

polonia

Hoje o mundo recorda os 70 anos do início da Segunda Guerra Mundial, o mais importante e devastador conflito armado da história e que até hoje excita a imaginação das pessoas. Basta ver o sucesso do último Tarantino, Bastardos Inglórios, e a quantidade de publicações sobre o tema encontrada nas bancas.

A última Superinteressante, por sinal, tentou explorar o tema com uma chamada bombástica, mas que nada mais é do que matéria requentada. Que alguns judeus preferiram lutar a ir passivamente ao matadouro e que o Exército Vermelho é quem foi responsável ela derrota de Hitler qualquer pessoa razoavelmente esclarecida sabia. O texto chega a cometer uma injustiça ao subestimar em demasia o Dia D: a quantidade de tropas envolvidas podia ser bem inferior às que lutaram em Stalingrado e Kursk, mas a logística exigida não deixou de ser extraordinária, bem como o planejamento anglo-americano. Ademais, foram as dificuldades inerentes a uma operação anfíbia que, basicamente, impediram os alemães de invadir a Inglaterra em 1940.

Até 1939, a Grande Guerra foi a Primeira, entre 1914-18, que encerrou de verdade o século XIX. Ok, Eric Hobsbawn, o maior historiador vivo, considera que a Revolução Bolchevique é que inaugurou o curto século XX, mas sem a matança iniciada com o assassinato do arquiduque austro-húngaro, dificilmente haveria condições para ela ocorrer, a despeito da decadência do Romanov.

O surgimento da União Soviética, a ascensão dos americanos, o fim dos impérios austríacos e otomano, a eliminação das elites britânica e francesa e a humilhação dos alemães e italianos (vencedores no papel mas ignorados no Tratado de Versalhes) teriam conseqüências inimagináveis em 1918. Tanto é que a Segunda Guerra é vista por muitos como a Última Batalha da Primeira. Mas a imaginação deste século XXI tem muito mais a ver com a última Grande Guerra.

Os motivos para isso são muitos e vão desde a quantidade de filmes e livros sobre ela até o fato de grande parte do planeta ainda viver ressentimentos vindos desse conflito. Nem em seus tempos de potência econômica exemplar o Japão pode assumir a liderança da Ásia, muito em função dos crimes cometidos por suas forças armadas a partir de 1937 (ano do chamado Estupro de Xangai). Os poloneses, libertos da opressão soviética, vão relembrar a invasão nazista sem esquecer o ataque traiçoeiro de Stalin, além de atacar o país quando este estava ocupado com a Blitzkrieg no Ocidente, ainda mandou eliminar a elite dos oficiais da Polônia nas florestas de Katyn. Wladimir Putin já fez um discurso alegando que a então URSS não tinha outra saída a não ser firmar o tratado de não-agressão com Hitler, depois do acordo formado em Munique em 1938 entre Alemanha, Reino Unido e França.

churchill

Esse é outro passatempo fascinante envolvendo a II Guerra Mundial: o que teria acontecido se... A primeira encruzilhada histórica foi justamente a crise de 1938, quando Hitler exigiu um pedaço da Tchecoslováquia e as potencias ocidentais européias caíram no blefe e cederam. Quase todos os historiadores consideram que, se a guerra tivesse começado ali e não um ano depois, a Alemanha teria desistido ou o conflito teria sido mais curto e as ambições do Fuhrer contidas. O momento crucial seguinte é dois anos depois, quando a França está desmoronando e a Inglaterra fica sozinha contra o Eixo. Se no primeiro round, quem jogava pelo Império Britânico era o cortês e cavalheiro Neville Chamberlain, um bom político de tempos de paz mas um péssimo jogador de pôquer, no segundo assalto o player era Winston Churchill, o homem certo na hora certa. O historiador John Lukacs, considera que os 80 dias em que a Inglaterra enfrentou a Alemanha sozinha salvaram o mundo. E foi Churchill praticamente sozinho que segurou a onda. O destino da guerra mudou quando Hitler decidiu voltar suas atenções para a URSS e, meses mais tarde, o Japão atacou os EUA. Mas a sorte da Europa estaria selada caso o Império Britânico tivesse se rendido ou mesmo feito um acordo com Hitler (e não faltaram ofertas da parte deste).

A terceira encruzilhada é: o que aconteceria se os japoneses tivessem afundado os porta-aviões americanos em Pearl Harbor? A capacidade industrial dos EUA poderia repor essas belonaves a tempo da virada em Midway? Talvez não fosse o suficiente para o Japão ganhar a guerra no Pacífico, já que o grande objetivo do império estava na China, mas talvez a coisa se esticasse por mais tempo.

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A quarta bifurcação é a mais fascinante e assustadora: o que aconteceria se a Alemanha desenvolvesse a bomba atômica primeiro? Muita gente já explorou essa hipótese, do clássico episódio de Jornada nas Estrelas, A Cidade à Beira da Eternidade, a o filme Fatherland, passando por uma obscura história na fase final da série de quadrinhos Brick Bradford. O fato é que dificilmente Hitler conseguiria ter uma arma nuclear viável antes dos americanos sem as mentes envolvidas no Projeto Manhattan, muitas delas fugitivas do Holocausto, bem como os imensos recursos que Roosevelt destinou ao desenvolvimento do artefato.

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É triste constatar que o desenvolvimento tecnológico está diretamente ligado às guerras neste século. Se a I Guerra Mundial criou o avião e o tanque como armas, a Segunda foi mais longe. Os aeroplanos começaram o conflito a hélice e terminaram a jato, o computador foi inventado para calcular trajetórias balísticas dos canhões e, em 1945, a história da Humanidade entrou na Era Atômica. E se levarmos a sério o romance Contato, de Carl Sagan, as primeiras imagens que supostos seres de outros planetas terão da Terra podem em ser as da ascensão do nazismo, que foi uma das primeiras transmissões de TV em larga escala, cujas ondas se propagaram pelo espaço exterior….

Hiroshima

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Pimenta no dos outros é refresco

Sei que muita gente adora, acha que é uma revolução na TV brasileira, mas eu mesmo acho que esse tipo de impertinência tem pouco a ver com jornalismo (basta lembrar dos elogios feitos ao nosso pedágio em março) e, como humor, precisa dos "comentários" inseridos na pós-produção para funcionar. Aqui vai o resultado da soberba do CQC, que se acha no direito de enfiar o microfone na cara de todo mundo mas não gosta quando fazem com eles. Leia no blog Repórter do Crime de O Globo.

Dica enviada por Kleber Patricio

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Cadê Belchior?



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Belchior é um das casos mais estranhos da MPB. Depois da explosão nos anos 70, ele foi sumindo aos poucos e, quando ele esteve em Indaiatuba há alguns anos para a inauguração de uma galeria, ele já vinha se dedicando há anos a apenas regravar seus grandes sucessos nas mais variadas versões e acompanhamentos. Conversei rapidamente com ele na época e não me parecia frustrado com o fato de sua carreira ter parado no tempo nem ser do tipo que "surta" de repente.
O que e inegável é a força de sua obra, ainda viva e moderna mesmo passadas três décadas. À Palo Seco ainda é uma das minhas músicas preferidas.

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Confissões de adolescente

Deborah Secco assinou contrato e vai interpretar a prostituta Bruna Surfistinha no cinema. O contrato foi assinado na noite de quarta-feira (19), informa a coluna Mônica Bergamo publicada na Folha hoje.

Segundo a coluna, Deborah passou o dia ontem em teste de maquiagem em São Paulo.

Karen Junqueira, a primeira escalada para o projeto, anunciou em comunicado ontem que não participaria mais do longa, porque "não poderia cumprir um roteiro de filmagens com dedicação única e integral, de acordo com as exigências do filme".

 

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Estranho substituir uma desconhecida por uma estrela consagrada. Quer dizer, estranho a novata alegar compromissos inadiáveis pra dar lugar a uma atriz famosa e muito mais cara. Em Hollywood, a escalação de uma star ajuda a financiar os projetos. Teria rolado algo assim?

karen junqueira playboy

Sai Karen…

 

deborah secco15

…entra Deborah

Sara e Guilherme no Pinduka's


Hoje, a cantora-reveleção do momento, Sara Almeida, e seu fiel parceiro Guilherme se apresentam no Pinduka's a partir das 21h. E amanhã ela deve inaugurar o bar Damasco e Cia, que fica naquele ponto em frente ao Pistoni.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Adilson Godoy em Salto

Um dos mais completos pianistas da música popular, o Maestro Adylson Godoy estará em Salto na próxima sexta-feira, dia 28 de agosto, apresentando o show “Eternos Festivais” na Sala Palma de Ouro, no Centro de Educação e Cultura.

O show apresenta uma seleção de músicas que se destacaram no FIC ( Festival Internacional da Canção) e se tornaram famosas nas décadas de 1960 e 1970.

Premiado internacionalmente, o Maestro tem uma carreira solidamente estabelecida desde meados dos anos 1960, quando foi diretor musical e artístico do famoso programa “ Fino da Bossa “ apresentado na TV Record por Elis Regina e Jair Rodrigues, tendo também trabalhado com umas vasta gama de excepcionais músicos da MPB, tanto no Brasil como no exterior do país .

O Maestro veio a Salto depois de tomar conhecimento, por meio de amigos, de que a cidade possuía uma excelente escola de música.

O show tem no repertório uma verdadeira “ seleção de ouro “ e traz nele músicas não só compostas pelo maestro, mas também por diversos compositores como Chico Buarque, Edu Lobo, Théo de Barros, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Geraldo Vandré e outros mais. Os arranjos receberam uma nova concepção, para serem executados pela banda formada por músicos do Conservatório Maestro Henrique Castellari que tem, além da formação clássica (guitarra, contra baixo, bateria e piano), uma seção de metais onde podem ser vistos e ouvidos saxofones, trombones,trompetes, trompas e clarinetas

Fazem parte do repertório algumas músicas com: ARRASTÃO, DISPARADA, ALEGRIA ALEGRIA, DOMINGO NO PARQUE, A BANDA, DIVINO MARAVILHOSO, ANDANÇA além de um pot-pourri de músicas compostas por Adylson e gravadas por Elis Regina.

Paulo Henrique Amorim em Santa Gertrudes


O jornalista Paulo Henrique Amorin esteve presente na cidade, na última terça-feira 18, para ministrar uma palestra sobre o tema “Novos rumos do Brasil e do mundo”. O prefeito João Vitte participou do evento, juntamente com secretários e demais autoridades municipais.


Amorim começou sua palestra falando da cidade e de seu setor econômico. Comentou sobre a “revolução” silenciosa no setor da construção civil que está acontecendo no país devido à melhora da economia, discutiu o programa do Governo Federal “Minha casa, minha vida” e a volta do crédito. Sobre a crise mundial, o jornalista comentou que o que está sustentando a economia do país é a demanda interna, destacando a importância da emergente classe C nesse cenário. “Hoje, mais de 60% dos tomadores de cartão de crédito no Brasil pertencem à classe C. A maior empresa produtora de computadores, a Positivo, do Paraná, vende 2/3 dos seus produtos a consumidores da classe C. Este é o futuro do Brasil”, afirmou Amorim.


Outro assunto abordado na palestra foi o descolamento do Brics (Brasil, Índia e China ) dos países desenvolvidos. Amorim comentou que “os países em desenvolvimento serão a força motora que vai puxar a economia mundial. Países como Brasil, Russia, Índia e China (Brics) se descolaram, se descasaram da crise dos países do norte. São eles que serão as novas locomotivas.”


O palestrante também analisou a importância da mulher no cenário econômico atual. “O aumento da participação feminina no mercado do trabalho mudou a estrutura familiar. A mulher deixou de ser empregada para se tornar trabalhadora no comércio, com carteira assinada. Isso é um fenômeno dramaticamente importante”, disse. Ele lembrou que as mulheres são responsáveis pela mudança no padrão de consumo brasileiro. “Eu tenho a impressão de que a sociedade brasileira tem condições de que cada um possa acreditar que seu filho terá um padrão de vida melhor do que você tem. Todos nós temos a esperança de que viveremos numa sociedade democrática, com instituições políticas e econômicas que nós podemos prever hoje e que, daqui a pouco, nossa sociedade será mais próspera, e especialmente, teremos uma distribuição de renda melhor do que tem hoje e do que teve no passado. Eu acredito nisso, e mais do que ninguém, esta cidade, que demonstra competência na construção deste parque industrial, deve acreditar nisso. Eu acredito.”

Bons Tempos na Casa Rio

Nesta sexta-feira o Bons Tempos se apresenta pela primeira vez na casa. O grupo, de 25 anos de carreira, toca um repertório que inclui Noel Rosa, Nelson Cavaquinho, Cartola, Ary Barroso e outros compositores da velha guarda.
No sábado, o Grupo paulistano Sem Vintém traz para a casa o samba à moda antiga, mantendo traços da nossa cultura tradicional e um repertório seleto de sambas, serestas, choros e partido alto.