sexta-feira, 22 de maio de 2009

Morre Zé Rodrix (Folha on Line)


O cantor e compositor Zé Rodrix, 61, morreu na madrugada desta sexta-feira (22), em São Paulo. O músico deixa mulher, seis filhos e dois netos.
Zé Rodrix ganhou destaque na música durante a década de 70, ao lado de Sá e Guarabyra
De acordo com informações do "Bom Dia São Paulo", o músico se sentiu mal e foi levado às pressas ao Hospital das Clínicas, onde morreu.
A assessoria de imprensa do hospital afirma que o músico deu entrada às 0h30 e morreu às 0h45. A causa da morte ainda não foi informada.
Rodrix, cujo nome de batismo é José Rodrigues Trindade, apareceu para o grande público em 1967, em um festival da Record.
Sua carreira ganhou destaque nos anos 70, quando trabalhou com o grupo Som Imaginário --banda criada para acompanhar uma turnê de Milton Nascimento-- e ao lado dos músicos Sá e Guarabyra. Entre suas canções mais famosas estão "Casa no Campo", famosa na voz de Elis Regina, "Mestre Jonas" e "Soy Latino Americano".
Nas décadas de 80 e 90, Rodrix abandonou a carreira musical para se dedicar à publicidade.
Em 2001, voltou a se reunir com os companheiros Sá e Guarabira para uma apresentação do "Rock in Rio". No mesmo ano, o trio lançou um DVD ao vivo, reunindo seus maiores sucessos: "Sá, Rodrix & Guarabyra: Outra Vez Na Estrada - Ao Vivo".

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Quem era vivo nos anos 70 certamente se lembra do figura cantando "Soy latinonamoericano, e nunca me engano...", mas seu hit imortal foi na voz de Elis Regina: "Eu quero uma casa no caaampo..." que embalou os sonhos dos bichos-grilos da época. Foi parceiro de Sá e Guarabira, outros ícones de feira hippie, mas acabou fazendo o que seus fãs odiavam: carreira na publicidade.

Participou de momentos importantes da música brasileira, primeiro no Momento Quatro, acompanhando Edu Lobo e Marília Medalha em "Ponteio", música que ganhou o lendário Festival da MPB de 1967, concorrendo contra "Roda Viva" do Chico, "Alegria, Alegria" do Caetano e "Domingo no Parque" do Gil). Depois integrou o Som Imaginário, que acompanhava o jovem Milton Nascimento e logo montou o Sá, Rodrix e Guarabira, com clássicos ripongas "Mestre Jonas" e "O Pó da Estrada". Na carreira solo explodiu com "Soy Lationamericano", que chegou a desbancar Roberto Carlos das paradas. Nos anos 80 participou do grupo punk-gozador Joelho de Porco ao lado do aamigo e sócio Tico Terpins, do argentino Billy Bond, do gordo Próspero Albanese e do fotógrafo David Drew Zing, mas sua atividade principal na época era a publicidade.

Inteligente e irreverente, ao ver que o mercado não estava pra peixe no ínício dos anos 80, montou sua empresa de jingles e e lá fez alguns "clássicos" da publicidade, como a música para um comercial da GM entre outros. Após a morte do sócio Tico Terpins, fechou sua empresa Voz do Brasil e acabou reencontrando seu passado no Rock'n Rio 2001, com Sá e Guarabira. De lá para cá o trio retomou o pó da estrada, reunindo uma platéia de velhos fãs, seus filhos que ouviram falar deles e os netos que não faziam a menor idéia de quem eram aqueles três senhores tocando rock rural. É uma perda que surpreende e entristece, porque há cada vez menos vida inteligente na música pop.

Um comentário:

Lalo Arias disse...

Marcos,
Aqui, uma síntese do rock rural, na letra do próprio Zé:
"...eu descobri olhando o milho verde, mãe e pai, que hoje ainda é dia de rock..."
abraço