terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Romance


Acabei de assistir "Romance" de Guel Arraes e confirmei a impressão por resenhas e trailer que se trata de um belo filme. Se em "Lisbela e o Prisioneiro" o romantismo da personagem de Débora Falabella era do cinema americano clássico, a referência agora são os amores trágicos do teatro. Como a mocinha donzela Lisbela, o Pedro de Wagner Moura vive o amor como no palco apaixonado por sua Isolda-Ana sem saber se é Tristão o Marcos na vida real. Quando a amada ascende profissionalmente, ele acha que foi pelo teste do sofá e, enciumado tanto pelo suposto amante quanto pela exposição de Ana na TV, termina o relacionamento amoroso e profissional. Usa como pretexto a velha história de que ser ator de verdade é só no teatro e não na TV - postura que já fez muita gente queimar a língua - para, na verdade, esconder sua imaturidade afetiva. A seqüência de abertura que descreve como nasce o amor entre os dois é uma belíssima colagem como pouco se vê por aí, valorizado pela química dos protagonistas: Wagner, encarnando o artista apaixonado com a mesma convicção que tornou o Capitão Nascimento o personagem do ano passado; e Letícia, bela como sempre, provando o quanto é sub-utilizada na Globo.
A Fernanda de Andréa Beltrão é o clown que introduz na história o terceiro vértice do triangulo amoroso que será formado na segunda parte da tramama: o oportunista Orlando, que se travestirá como o sertanejo José de Arimatéia para conquistar o papel principal e o coração da estrela. O diálogo em que Fernanda e Orlando flertam é no estilo "Armação Ilimitada", num téte à tète mais para comédia americana do que para paquera brasileira, mas tá valendo.
Em sua caricatura da TV Globo, "Romance" bebe escancaradamente em "Bar Esperança, O Último que Fecha", cult-movie de Hugo Carvana dos anos 80. José Wilker reproduz o poderoso chefão da TV feito por Oswaldo Loureiro, que por sua vez era inspirado em Boni (o personagem chamava-se Baby). A referência que explicita a citação é A Carta, mesmo fetiche da novela da personagem de Marília Pera em "Bar Esperança".
Em participações especiais, Wilker, Bruno Garcia (repetindo o canastrão de "Lisbela") e Marco Nanini, como o Grande Ator que é um chato de galocha, estão ótimos. O ponto fraco talvez seja mesmo o triangulo amoroso no sertão, que nunca decola: a bola sempre está mais no campo de Pedro que de Orlando-José de Arimatéia. A parcialidade explícita do diretor faz com que o desfecho seja óbvio, mas quem é que vai esperar algo diferente de um filme romântico? Mas os diálogos desenvolvidos por Arraes e Furtado são muito bons e superiores à maioria dos similares que nos chega Made in Hollywood. No entanto, ninguém foi ver.

Um comentário:

Bárbara disse...

Sim, é um belo filme!
Achei que seria uma água no açúcar, ou um pé na cabeça ahahah..

Mas na verdade é um filme mt bem conduzido. Além de uma super produção... Não tenho nem palavras...é meu segundo filme brasileiro predileto, pois o primeiro é Auto da Compadecida, de Guel Arraes é claro..

O kimura sempre me indica coisas boas para assistir...ahahah