quinta-feira, 5 de março de 2009

Who watches the Watchmen?



Cardápio variado para o fã de cinema esta semana no Multiplex Topázio. O grande vencedor do Oscar “Quem quer ser um milionário?”, o remake do sucesso sertanejo “O Menino da Porteira” e o aguardadíssimo “Watchmen”.

O ex-combatente do crime e atual agente do governo Edward Blake (Jeffrey Dean Morgan, o pais dos caça-fantasmas de "Supernatural"), codinome Comediante, é brutalmente assassinado. Um de seus antigos colegas, Rorschach (Jakie Earle Harley,de "Pecados Íntimos") , decide investigar o crime a visita os antigos membros dos Watchmen, heróis mascarados que atuaram até 1977, quando foram banidos pelo governo americano. Apenas o Comediante e o poderoso Doutor Manhattan (Billy Crudup, de "Quase Famosos" e "Peixe Grande") são autorizados a continuar agindo, como agentes do governo. Rorschach despreza a proibição e continua a aterrorizar o submundo, mas o Coruja (Patrick Wilson, de "Menina Má.com"), Espectral (Malin Ackerman, de "Vestida par Casar") e Ozymandias (Matthew Goode, de "Match Point") se aposentaram. O primeiro vive das lembranças dos bons tempos, a segunda virou amante do poderoso Doutor Manhattan e o terceiro tornou-se um empresário de sucesso e grande poder. Quando o Doutor Manhattan é acusado de causar câncer nas pessoas à sua volta e se exila em Marte, Ozymandias sofre um atentado e Rorschach é preso pela polícia em uma armadilha, Coruja e Espectral começam a se perguntar se não haverá de fato uma conspiração contra os antigos super-heróis.

Sem dúvida alguma, a graphic novel (que deveria ser traduzido como “romance gráfico” e não “novela gráfica” como andam escrevendo) de Alan Moore e David Gibbons é a obra em quadrinhos artisticamente mais ambiciosa já feita. Moore, junto com Frank Miller, de “O Cavaleiro das Trevas”, redefiniram as histórias em quadrinhos nos anos 80. Nada foi o mesmo desde então, mas em compensação o caminho apontado pelos dois gênios não teve sequencia, seja por falta de talento da maioria de seus copiadores, seja por falta de imaginação da indústria. Logo após o lançamento de “Watchmen” iniciaram-se as negociações sobre uma adaptação cinematográfica. Lembro-me que na época falou-se em Tommy Lee Jones como Comediante e houve a história de que Kenneth Branagh teria se oferecido para ser o Coruja. Já nos anos 90, as coisas ficaram mais sérias e já era dado como certo que o elenco teria Robin Williams como Rorschach, Jamie Lee Curtis como Espectral, Gary Busey como Comediante, Richard Gere ou Kevin Costner como Coruja. Se nesse intervalo de tempo, o projeto para a telona ficou congelado, os ecos de Watchmen reverberou na indústria. “Os Incríveis” pegou uma parte da idéia, especialmente o banimento dos heróis e o monstro tentacular que ataca Manhattan. O seriado “Heroes” também bebeu de suas águas, com o personagem Sylar tendo como profissão original a de relojoeiro, assim como o pai do Doutor Manhattan, fato que tem grande importância nas duas tramas. Mas e onde surgiram esses personagens? Somente da cabeça de Alan Moore?

Em 1983, a DC Comics negociou a compra da linha de super-heróis da Charlton Comics, uma pequena editora cujo personagem mais conhecido era um certo Capitão Átomo. Eles chegaram a tempo de participar da Crise das Infinitas Terras como heróis de uma Terra-4. Alan Moore se interessou em usar esses personagens que haviam feito algum suecesso duas décadas antes, mas que agora eram quase completamente desconhecidos, para um novo projeto. Só que Dick Giordano, ex-editor da Charlton, criador de sua linha de super-heróis e que agora estava na DC, queria usar os personagens num título semanal e negou o uso deles pelo inglês. Moore não se fez de rogado e usou conceitos parecidos com os heróis da Charlton para realizar sua graphic novel, o que fez com que Giordano se arrependesse amargamente de sua decisão, pois não apenas a DC não quis realizar seu projeto de uma revista com seus queridos personagens como “Watchmen” poderia te-los imortalizado. Assim ao invés do Capitão Átomo, quem foi para o cinema foi o Doutor Manhattan; o Besouro Azul deu lugar ao Coruja; o Questão tornou-se o sinistro Rorschach; a bela Sombra da Noite virou a sexy Espectral; o Pacificador inspirou o cínico Comediante e o atlético Thunderbolt converteu-se no brilhante e amoral Ozymandias. Mas Alan Moore usa apenas a base dos personagens da Charlton para criar um panorama dos super-heróis e do mundo – especialmente a América – dos últimos 40 anos (em relação a 1985). Assim, há o ser superpoderoso que sozinho conduz a América à liderança inquestionável do mundo, mas também mantém no poder o establishment das grandes corporações e negociatas. Há o vigilante psicopata que não hesita em usar tortura e assassinato para punir os criminosos e o milionário tímido que usa o dinheiro para adquirir gadgets tecnológicos e brincar de super-herói. Ou o patriota cínico que mata em nome do governo e em causa própria. O Doutor Manhattan é um questionamento do que representaria o Super-Homem no mundo real. Rorschach e Coruja são os dois lados do Batman. O Comediante é um Capitão América perverso. Tem ainda a sexy Espectral, que herdou o codinome e profissão da mãe, que havia sido uma mistura de combatente do crime e pin-up; e o misterioso Ozymandias, cuja inteligência faz com que se coloque acima do bem e do mal.

O diretor Zack Snyder assumiu o projeto depois dele passar por inúmeras mãos – incluindo Terry Gilliam e Darren Aronofsky – e após o grande sucesso de “300”. À exemplo do que já havia feito com a obra de Frank Miller, ele decidiu ser o mais fiel possível ao trabalho de Alan Moore e David Gibbons. Para o bem e para o mal. Mesmo o fãs de HQ que resenharam o filme – e adoraram a fidelidade ao original – apontam a longa duração e a falta de fluidez da trama como problemas. Um crítico não iniciado como Luiz Carlos Merten – que adorou “Batman, O Cavaleiro das Trevas” – simplesmente não gostou do que chamou de “pompa fúnebre” de Snyder. Será que a imensa maioria do público, que nunca ouviu nem falar na graphic novel dos anos 80, vai compreender “Watchmen”? Isso sem falar que o pano de fundo da Guerra Fria é coisa dos livros de história para os jovens do século XXI.

Um comentário:

Bárbara disse...

quero ver "quem quer ser um milionario"..
li outro dia que o menino que fez o filme..continua na podreza..tadinho