quarta-feira, 12 de março de 2008

"Shirley" abre o verbo


Shirley era o apelido maldoso e genial que Paulo Francis deu a Itamar Franco. Por outro lado, seu meio mandato - medido por resultados - foi o melhor da história recente brasileira. Apesar disso, a imprensa sempre fez de tudo para desacreditá-lo, mas o que ninguém pode negar é que foi ele que chamou Fernando Henrique Cardoso - que dentro do PSDB estava atrás de Mário Covas e José Serra na fila de candidatos a presidente - para ser ministro da Fazenda, e o resto é história.
Mas o que Itamar revela à Gazeta Mercantil é que FHC não deveria ter assinado as notas de Real porque àquela altura não era mais ministro da Fazenda e sim Rubens Ricúpero. O ex-vice de Fernando Collor afirma ainda que se arrependeu de ter feito de seu ex-ministro seu sucessor. Além disso, se ressente da apropriação indébita dos tucanos (leia-se José Serra) da Lei dos Genéricos criada por seu ministro Jamil Haddad em seu governo.
Vou reproduzir o texto porque não sei se o link permanecerá amanhã.

"FHC assinou cédulas sem ser ministro", revela Itamar


10 de Março de 2008 - Depois de um silêncio monástico, o ex-presidente Itamar Franco fala abertamente sobre os anos em que governou o Brasil. E diz muito. Revela, por exemplo, aquilo que ele próprio afirma ter sido um erro grave e que se relaciona ao também ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, a quem chancelou como sucessor. "Ele já não era mais ministro (da Fazenda) e, mesmo assim, assinou cédulas (de Real). É a primeira vez que estou revelando. Isso é grave porque só poderia ter assinado a cédula o ministro Ricupero (Rubens Ricupero, que substituiu FHC de março a setembro de 1994, durante a implementação do Plano Real)", afirma em mais uma da série de entrevistas com ex-presidentes que vem sendo publicada por este jornal, e inaugurada com o depoimento de Fernando Henrique Cardoso. "Ele sabia que sem o autógrafo, sem ele na cédula do Real, não ganharia ( a eleição)", reforça.

Além de afirmar que se arrepende de ter escolhido FHC como candidato a presidente, minimiza o papel do sucessor na condução do Plano Real ao mesmo tempo em que reivindica para si a condição de protagonista no lançamento da moeda. Também se mostra indignado pelo fato de os tucanos afirmarem que são os pais da lei que criou os genéricos. Sobre o episódio, relata o que conversou com Jamil Haddad, ex-ministro da Saúde durante sua gestão. "Ninguém me escuta, Jamil. Não sou mais nada. Você, como presidente do PSB, é uma autoridade e poderá afirmar que nós criamos a lei dos genéricos", lamenta Itamar.

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Se o Bolsa Família é estelionato eleitoral, o que FHC e José Serra fizeram então?

Um comentário:

Cynthia Santos disse...

Concordo em partes. Claro que o FHC se aproveitou do Plano Real para se eleger, embora nem tenha sido ele o mentor da idéia e sim a equipe econômica que estava por trás dele (sem duplo sentido..rs) na época. É grave o fato de ele ter assinado as notas sem ser ministro, mas é ridículo achar que ele foi eleito porque deu a canetada na cédula (como se brasileiro reparasse nisso).
Discordo sobre resultados do mandato de Itamar. Acredito que ele apenas teve sorte com a equipe, mas se ELE fosse bom não teria deixado Minas Gerais quebrada quando deixou o governo do Estado.