quarta-feira, 7 de maio de 2008

Desenhos no Casarão

Desde o dia 28 a exposição comemorativa ao Centenário da Imigração japonesa ganha um novo acervo: desenhos que contam uma típica história infantil tio yamashitajaponesa. A mostra do Centenário da Imigração é uma promoção da Prefeitura de Indaiatuba, por meio da Fundação Pró-Memória e pode ser vista no Museu da Cidade, situado no Casarão Cultural Pau Preto. Os interessados podem visitar a mostra até 30 de junho, das 9h às 21h, todos os dias.

Os desenhos têm mais de 50 anos e o autor é meu tio Hayami Yamashita, um imigrante japonês que viveu 72 dos 88 anos de idade. “Estes desenhos são obras de arte que merecem ser vistos por todos os apreciadores da arte japonesa”, conta a historiadora e assessora de direção do Casarão Cultural Pau Preto, Cláudia Aparecida Kreidloro.

O artista

Hayami Yamashita nasceu na cidade de Umano, na província de Hiroshima, em 24 de abril de 1908. Completaria o centenário este ano. Chegou ao Brasil aos 16 anos, em 1924, e faleceu em 23 de agosto de 1996, aos 88 anos, ou seja, dedicou 72 anos de sua vida ao país que escolheu para viver. Tal era o amor por esta terra que, mesmo tendo oportunidade, nunca quis voltar para visitar o Japão. “Vai você!”, disse ele à esposa, Tomie.

Hayami abraçou de coração a nova pátria. Tanto que adotou o nome Rafael e, assim que lhe permitiram, naturalizou-se. A partir daí, participava de todas as eleições com a consciência de quem sabe da importância de se exercer a cidadania. Na manhã de cada pleito, acordava cedo, vestia seu melhor terno e ia a pé, percorrer as várias quadras que o separavam de sua seção eleitoral. Mesmo após os 70 anos, quando se torna facultativo o voto, ele fazia questão de ir.

Passou a vida dedicando-se ao trabalho e à propagação do budismo, fé que abraçou já na maturidade, mas incorporou em sua vida com total e abnegada dedicação. Sem nunca ter feito qualquer curso de artes, dedicava suas poucas horas livres a compor cenas e mais cenas de histórias infantis japonesas ou de fábulas budistas. Mesmo copiando, imprimiu em seus desenhos, seu estilo e sua técnica, empiricamente descoberta. Depois, nas reuniões de palestra sobre o budismo, deleitava-se com as fisionomias dos espectadores ao contar as histórias ilustradas por ele. Infelizmente somente duas dessas coleções de cenas chegaram até os dias atuais.

Serviço:

Mostra Comemorativa ao Centenário da Imigração Japonesa

Aberta à visitação até 30 de junho, das 9h às 21h. Estrada gratuita.

O Museu do Casarão Cultural Pau Preto fica na Rua Pedro Gonçalves, 477 – Jd. Pau Preto – tel.: 19 3875-8383.

Um comentário:

Bárbara disse...

tio !? sério !?

bonitos desenhos