quinta-feira, 22 de maio de 2008

Indiana Jones, o Retorno


Acabo de ver o aguardado "Indaiana jones e o Reino da Caveira de Cristal" no Cinemark do Market Place, em São Paulo, e quer saber? Imagem e som iguais ou piores que o do nosso Topázio ao preço nada módico de R$20,70!

Mas vamos ao filme propriamente dito. Steven Spielberg declarou que este quarto "Indiana Jones" era uma "doce sobremesa para quem teve que comer as ervas amargas que ele usou em 'Munique'". O diretor de Caçadores da Arca Perdida" é outro em relação ao que filmou "Munique" e isso fica nítido já na abertura desta aventura do arqueólogo mais famoso do cinema. A América não é mais a esperança do mundo nem mais o "lar dos bravos". Ao mesmo tempo em que Evis Presley canta "Hound Dog", o governo explode bombas de hidrogênio na atmosfera e caça comunistas em toda a parte. Para o doutor Jones, combater os novos inimigos não é nada comparado à perseguição doméstica, que acaba lhe custando o cargo de professor. Para completar, nosso herói está mais solitário do que nunca com a morte do pai (Marcelo Desotti não se conformou, porque o doutor Henry Jones Senior havia bebido do Cálice Sagrado e, portanto, devia ser mais longevo, mas os poderes da relíquia cristã não conseguiram convencer Sean Connery a deixar sua aposentadoria e ressuscitar o personagem) , o velho amigo Marcus Brody (o ator Delhlm Elliot morreu de verdade em 1992) e a traição do último companheiro de aventuras, Mac (Ray Winstone).

Esse prólogo com toques das ervas amargas de "Munique" - afinal, quando Indiana diz que 'este país não é mais o mesmo' refere-se à América do mcarthismo ou a do Pós-11 de Setembro? - acaba quando entra em cena o rebelde sem causa Mutt Williams, personagem de Shia Lebeouf, que traz notícias de um colega arqueólogo em apuros. Aí voltamos à aventura propriamente dita e os aspectos sombrios deixam a trama, a ponto de nos perguntarmos ao final: mas como é que ele recuperou o emprego?

Trata-se da coda da trilogia: ele encerra as aventuras de Indiana Jones com um desfecho clássico e - provavelmente - a carreira de Harrison Ford como action hero. O elementos referenciais - como a Arca da Aliança no começo - fazem a delícia dos fãs, mas a estrutura da trama é igualmenteé emulada dos filmes anteriores. Temos o jovem ajudante como em "O Templo da Perdição", mensagens cifradas enviadas por um arqueólogo mais velho como em "A Última Cruzada", um amor do passado - o mesmo, aliás - que volta como em "Caçadores da Arca Perdida", um objeto que precisa voltar ao seu local original ("Templo da Perdição"), um resgate que não dá certo ao final ("A Última Cruzada"), perseguição de caminhão ("Caçadores da Arca Perdida") entre outros.

Harrison Ford carrega o filme graças à sua bagagem anterior, que nem as duas décadas entre a última vez que usou o chapéu Cury made in Campinas e esta foram capazes de distanciá-lo de seu grande personagem. Belouf, a despeito da enorme aposta que Hollywood está fazendo nele, ainda não está - e provavelmente jamais estará - à altura do carisma de Ford. A ótima Cate Blanchet está caricata como a vilã Irina Spalko (parece a Viúva Negra original da Marvel) e Karen Allen podia ter passado no Pitanguy antes de embarcar nesse revival.

Também é importante notar que pela primeira vez o artefato em questão - que Hitchcock chamaria de McDuff, ou desculpa para a trama existir - não é religioso. Ao invés de Moisés, a deusa Kali ou Jesus Cristo, quem deu o plot para a última jornada de Indiana Jones foi...Erich Von Daniken!

2 comentários:

Bárbara disse...

Affe eu não gosto de Indiana Jones

muito menos por $20 !!!

Marcelo disse...

Marcão, no episódio 08 da última temporara de South Park (12a), a sátira em cima do filme chegou às últimas consequências, com Lucas e Spielberg estuprando, literalmente, nosso amigo Indy... para assistir online basta acessar http://www.southparkstudios.com/