segunda-feira, 19 de maio de 2008

E a Virada virou!


Cheguei ao Ciaei no sábado à noite depois de ver o bom show dos Heartbreakers no Parque Ecológico -uma excelente escolha para esquentar a platéia para as atrações seguintes do palco principal - e me deparei com a calçada em frente tomada por carros, indicando que o estacionamento já estava lotado. "Mas como", pensei, "será que o público que veio ver a Banda Sinfônica ainda estava lá?"

Não. Todo mundo estava lá para assistir "Macbeth", de Shakespeare, em montagem elogiada da diretora Regina Galdino. Tudo bem que era de graça, mas 700 indaiatubanos saindo de casa numa noite fria para assistir a uma tragédia shakespeareana era uma total surpresa. Alguns risos em momentos inadequados - o monólogo das mãos sujas de sangue é um dos grandes momentos que o Bardo reservou para mulheres em suas tragédias - mas em geral a platéia acompanhou a trama com reverência - mesmo que algumas tenham se levantado na cena do porteiro (mostrar a bunda não está no texto original, mas a atitude é típica das encenações da época de Shakespeare, que eram antes de tudo, espetáculos populares).

Sobre a peça em si, merece destaque a cenografia e o gestual coreografado, principalmente das bruxas, assim como a sonoplastia. A atriz Renata Zhaneta como Lady Macbeth realmente mostrou porque recebeu o Prêmio da Associação Paulista dos Críticos de Arte (APCA) desde sua primeira cena recebendo a carta do marido e já antecipando 0 que a profecia das bruxas despertou no coração dele. Na primeira parte, é ela que tira o protagonista da indecisão, adivinhando sua ambição secreta e empurrando-o ao regicídio. Renata domina a cena completamente, transmitindo a ambição e o amor pelo marido. Após o crime, Macbeth, mesmo assombrado pela culpa, vai até o fim para manter o poder, prosseguindo em sua trajetória de iniquidades, enquanto Lady Macbeth sucumbe á loucura e se mata pouco antes do desfecho da trama.

Na seqüência, um monte de gente esperava do lado de fora para ver "Nocaute", com Marcelo Mansfield, enquanto grande parte das pessoas qu tinham visto "Macbeth" pretendiam ficar para o espetáculo seguinte. A equipe da Secult tentou tirar quem estava para dar lugar a quem tinha chegado depois - o que não condiz com o espírito de uma maratona cultural - com algum êxito. Eu mesmo disse pro secretário adjunto José Ovidio e para os que queriam ficar a não se conformavam que "aquele segurança magrinho vaa tirar todo mundo na marra? Sai dessa!"

O "seu Banana" da "Zorra Total" - também conhecido como "seu Merda" pelos fãs da "Terça Insana" - mostrou que seus personagens são uma extensão de sua persona cenica, e que ele é mesmo melhor comediante em pé que ator cômico.

Após "Nocaute", e isso já eram quase duas da manhã, novamente a turma da Secult veio solicitar que deixássemos a sala para que fosse feita a mudança de cenário (Pra que? Eles iam mudar as cadeirtas também?). Não sei se a solicitação foi da produção da cantora Virgínia Rosa - que seu uma passada no som no intervalo - mas o resultado prático do senta-levanta é que das 700 pessoas que se acabaram de rir com Marcelo Mansfield ficaram menos de 20 para ver a ótima intérprete. Se fosse para ficar direto na sala, garanto que teriam pelo menos 50 pessoas para vê-la e ouvi-la.

Como só tinha visto a moça no Youtube, foi uma revelação, e a impressão de que ela tinha algo de Clara Nunes foi confirmada quando ela desfiou um leque de clássicos da sambista. O show acabou às 3 e meia, o que significava que o "Criolina" ia entrar depois das 4. Ai seria demais para estes ossos cansados e eu fui dormir.

Só voltei para o Emerson Boy e o Zeca Baleiro, no encerramento da Virada. A coordenadora do evento na cidade, Debora Lobo, saiu com a melhor das impressões de Indaiatuba ela já cogita mudanças para o ano que vem, como um local exclusivo para espetáculos teatrais. E ainda acenou com a inclusão do Município no Circuito Cultural da Secretaria de Estado da Cultura, o que faria Indaiatuba ser a única cidade a receber o Circuito e a Virada Cultural.

Um comentário:

Bárbara disse...

E aí Kimura

como foi???